A introdução do XM-25 e a discussão sobre o alcance do armamento da infantaria – atualizado

by PFF on 28 de janeiro de 2012 · 15 comments

in Off-Topic

XM-25

Publicado originalmente em 09 de janeiro de 2011:

Este é um artigo que estava parado já há mais de um mês e meio aqui nos meus alfarrábios.

No final do ano passado, foi noticiado que o Exército americano passaria a usar o XM-25 no Afeganistão.

A arma em si é sensacional: um lançador de granadas de 20 mm com espoletas programáveis, que permitem escolher a distância em que a granada irá explodir. Conjugado com o sistema de pontaria, ela permite, por exemplo, explodir logo após ultrapassar um determinado obstáculo ou abrigo, atingindo quem estiver atrás dele.

“This significantly changes the art of warfare for a soldier. He no longer has to worry about maneuvering on an enemy position…” – Coronel Doug Tamilio

O que eu queria ressaltar é que o anúncio da XM-25 foi cercado de grandes expectativas e frases até mesmo disparatadas como essa ao lado, feita por um dos oficiais que participaram do projeto (v. vídeo abaixo).

O Starbuck, em seu blog, trouxe um pouco mais de realidade à discussão: a arma é muito boa, sim. Vai melhorar bastante a vida do cidadão que atirava granadas burras de 40 mm. Mas não é nenhuma revolução e muito menos vai acabar com a necessidade da manobra em combate. Essa mesma falácia já foi dita em outras ocasiões ao longo dos séculos, com conceitos bem mais revolucionários que o da XM-25: carruagens, pólvora, metralhadoras, aviação, armas nucleares, etc.

O Frag 01/6779, de 28 de janeiro de 2012: O volta do Carl Gustaf

No final do ano passado, o Exército americano voltou a empregar canhões sem recuo Carl Gustaf 84 mm. Era uma arma que já não mais fazia parte da dotação dos americanos, mas voltou a ser empregada devido ao seu alcance. Na época, eu fiz uma referência no Twitter, mas não consegui encontrá-la.

Eu realmente nem fiz o link, mas o Starbuck publicou um artigo bastante interessante: The Elkus-Burke Rule Strikes Again!

O Carl Gustaf foi adotado praticamente um ano após a adoção do XM-25. A impressão é que o XM-25 realmente não cumpriu o que prometia, ao menos no tipo de combate que está se desenvolvendo no Afeganistão. Os talibãs usam a tática de sempre buscar o engajamento no alcance máximo de utilização do seu armamento (isso pode ser visto aqui). O XM-25, apesar de toda a tecnologia incorporada (cada uma custa 277 mil doletas!), ainda não tem o mesmo alcance do canhão sem recuo, bem mais antigo.

Apenas como conhecimento, o Exército americano, desde que se envolveu no conflito do Afeganistão, se vê em polêmicas sobre o alcance de seu armamento. Essa discussão tomou corpo após a batalha de Wanat, quando diversos americanos perderam a vida.

Eu não estou na guerra e também estou afastado da atividade de infantaria há vários anos, mas tenho para mim que isso é muito mais uma questão de tática do que do material. Dizer que o armamento do talibã é superior ao dos americanos é um insulto a qualquer um.

Quem teve a oportunidade de assistir Restrepo, viu o comandante da companhia dizendo que o ponto forte que eles estabeleceram fora da base da companhia impediu o inimigo ter o domínio do terreno. Foi um diferencial que não houve em Wanat e o resultado de ambas as batalhas foi bem diferente.

About

Oficial do Exército Brasileiro e editor do site Voo Tático



15 comments
Sort: Newest | Oldest
RodrigoMF
RodrigoMF

@PFF Todo mundo carca fogo, se vai acertar ou não é outra coisa..

mas o cidadão com esta arma em uma distância muito curta vai ser um homem a menos para ajudar.

PFF
PFF

@RodrigoMF E o soldado que está com um M4, faz o que quando o inimigo está a mais de 300 metros?

PFF
PFF

@RodrigoMF Você não vai atirar além do alcance efetivo da arma;isso é jogar munição fora. E também não vai atirar num alvo que não é adequado ao tipo de armento.

O Carl Gustaf vai atirar no alcance e nos alvos adequados a ele. O atirador do canhão, provavelmente estará apenas com o canhão. Mas o municiador com certeza está armado de fuzil.

RodrigoMF
RodrigoMF

@PFF Todo mundo carca fogo, se vai acertar ou não é outra coisa..

mas o cidadão com esta arma em uma distância muito curta vai ser um homem a menos para ajudar.

PFF
PFF

@RodrigoMF E o soldado que está com um M4, faz o que quando o inimigo está a mais de 300 metros?

RodrigoMF
RodrigoMF

O cidadão que vai carregar esta arma, vai ficar sem fuzil ?

E onde o alcance for muito curto ele vai ficar chupando o dedo ?

RodrigoMF
RodrigoMF

O cidadão que vai carregar esta arma, vai ficar sem fuzil ?

E onde o alcance for muito curto ele vai ficar chupando o dedo ?

PFF
PFF

Não sei dizer. Acho que pelo tamanho das granadas, não devam ser tããão pesadas assim.

Além disso, foi noticiado que por enquanto apenas cinco exemplares estão em operação e os soldados a empregaram como arma primária. Deve ser uma por pelotão, por enquanto.

http://www.defense-aerospace.com/cgi-bin/client/m...

Renato
Renato

Hmm, é verdade.

Imagino se vai ter outro cara levando munição suplementar

PFF
PFF

O Pelotão de Fuzileiros americano é um pouco maior que o do EB. Eu sabia como ele era, mas desde que estou um pouco longe da infantaria, não acompanhei mais as atualizações.

Acredito que o XM-25 deva ser a arma de apoio do GC (neste caso seriam três por pelotão). Mas estou apenas supondo.

FighterSkilll
FighterSkilll

O Pel terá uma exelente arma de apoio então.

Como é a formação do Pel do Exèrcito Americano? É similar ao EB? (E1, E2, A1, etc?)

Como esta arma, qual seria suprimida ou inserida na Pel?

Abraço

PFF
PFF

Tem que levar em consideração que não é uma arma individual e sim coletiva, como uma Minimi, uma MAG ou um lançador de granadas. Comparado com essas, ela é até bem compacta.

Renato
Renato

Me parece uma arma um tanto pesada de desajeitada, mas logo teremos os primeiros resultados em combate para avaliar.

Trackbacks

  1. [...] This post was mentioned on Twitter by Renato Ribeiro. Renato Ribeiro said: RT @vootatico: A introdução do XM-25 e suas consequências http://goo.gl/fb/Biy0g [...]

Previous post:

Next post: