Lições de balística

by PFF on 8 de março de 2009 · 6 comments

in Operações e Análises

Oito semanas atrás, o João Pereira deixou este vídeo num comentário aqui no site:

É um vídeo de combate; tem cenas violentas

A partir de 1’00″ de vídeo podemos ver uma sequencia que nos remete ao artigo sobre como o posicionamento do armamento afeta a sua precisão.

No início da sequencia, podemos acompanhar pela Regard Box que o canhão está voltado para a esquerda e o helicóptero voando a 60 kt. O tiros são disparados a pouco mais de 1300 metros e têm uma dispersão bastante grande. Esse efeito já foi notado também no Tiger e no Mi-28 e deve ser comum a aeronaves que têm canhões móveis montados no nariz.

Esse erro pode ser atribuído a dois grandes fatores. O primeiro são os aspectos ligados à balística exterior em projéteis disparados perpendicularmente à direção de vôo (o principal deles é o “salto do projétil”). O outro é o grande recuo provocado pelo canhão, criando um momento em relação ao centro de sustentação da aeronave.

Mais para a frente, podemos ver que a aeronave diminui a velocidade para menos de 40 kt e faz um giro, diminuindo o ângulo entre o eixo da aeronave e do tiro. A partir de 1’30″, o piloto consegue rajadas bem mais precisas.

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Ótima dica, estou imprimindo algumas partes para poder ler com mais calma.

Tinha uma idéia completamente diferente sobre o uso de foguetes.

Detalhe que em ambos os perfis de missões do AH-64, todos levam 1200 cartuchos, mas só vemos 300 nesses vídeos.

http://www.globalsecurity.org/military/library/po...

4-3. AERIAL BALLISTICS - Essa é a minha dúvida quanto ao procedimento do piloto/artilheiro!

Impressionante, leio sobre isso há 10 anos e não sei absolutamente nada.

Que aula !

Eu realmente não sei o quanto muda. O que é certo é que os efeitos balísticos que afetam um e outro são os mesmos. Se quiser mesmo saber, sugiro os manuais americanos FM 1-112 Attack Helicopter Operations e o FM 1-140 Helicopter Gunnery. Este último tem um capítulo sobre balística, que explica bem os efeitos que citei no artigo e também mostra os exercícios previstos para as tripulações.

Outro dia você me perguntou sobre a precisão dos foguetes de 70 mm. Neste manual você pode ver que a precisão exigida nos exercícios é disparar seis foguetes a 4000 metros e acertar ao menos dois numa área de 300x400 metros ao redor do alvo.

Conta muito a experiência não é mesmo ?

A técnica de tiro com canhão móvel é muito diferente da com o canhão fixo ? Refiro-me ao papel do piloto, pois raramente vejo vídeos com a aeronave estática.

Eu sempre fico com um pé atrás em dizer que um piloto é melhor que o outro ou coisas do tipo. Não existe nenhum critério prático para se medir isso. O que vemos são demonstrações pontuais de habilidade que não servem de parâmetro para avaliar a força como um todo.
Mas algumas coisas nós podemos afirmar:
- Quem treina mais e melhor (com mais realismo) certamente terá um desempenho melhor;
- Quem tem experiência em combate real certamente terá técnicas, táticas e procedimentos melhores e mais adequadas do que quem vive apenas no mundo das ideias;
- As forças armadas americanas podem não ser as melhores em um ou outro aspecto, mas, de maneira geral, têm capacidades que não são comparáveis nem de perto por qualquer outra no mundo.

Capitão, os pilotos ianques podem ser considerados os melhores em atividade atualmente ? Digo isso pois estou com a mesma dúvida que a do colega acima.

Abraços e parabéns pela qualidade do site !

Quando vi o vídeo pela primeira vez, não tinha notado esse detalhe do Regard Box. Agora ficou claro o porque dos tiros não terem acertado os alvos na primeira tentativa. Uma dúvida, os pilotos não sabem desse detalhe ? Se sabem, por que insistem no erro ? Por que não alinham o canhão com a proa do helicóptero ?

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