O Emprego dos Helicópteros na Operação Cast Lead

by PFF on 7 de fevereiro de 2009 · 0 comments

in Destaques, Operações e Análises

Publicado originalmente em 15 Jan 09:

A Operação Cast Lead (a ofensiva israelense sobre a faixa de Gaza) começou a três semanas. Uma constante nesta operação são os helicópteros Apache voando sobre as cidades.

Black Hawk da IDF realizando evacuação de feridosAinda no calor da disputa é difícil conseguir informações precisas ou documentos sobre as operações aeromóveis que estão sendo desenvolvidas. Os helicópteros estão sendo empregados basicamente em três tipos de missões distintas: ataques de precisão contra alvos do Hamas, apoio de fogo aeromóvel às tropas que avançam no interior das localidades e evacuação de feridos.

Os ataques de precisão são realizados normalmente com mísseis e contra construções previamente marcadas por operadores especiais. Diz a lenda que os muros são “pichados” com uma tinta infra-vermelha; não sei se isso é verdade. Apache IDFEm todo caso, durante a aproximação para o ataque, normalmente caças da força aérea realizam voos a baixa altura para mascarar o barulho causado pelo helicópteros e impedir a evasão dos alvos. Não encontrei nada sobre os tipos de cabeça de guerra empregados nestes ataques, mas a experiência dos americanos no Afeganistão e dos russos na Chechênia diz que os melhores resultados são obtidos com ogivas termobáricas (referências aqui e aqui).

Ainda falando em munições, não tem muito a ver com o nosso artigo, mas é uma pergunta que sempre aparece na internet: que tipo de munição é aquela que sempre aparece nas imagens do conflito?

white_phosphorus

Estas são versões israelenses da granada americana M825A1 WP-Smoke de 155 mm. São munições fumígenas de fósforo branco (WP). A fumaça do fósforo branco é bastante densa, praticamente impedindo a visão a olho nu ou assistida seja por intensificadores de imagem, visão termal ou outros meios, porém que se dissipa rapidamente.

Apesar da temperatura de queima bastante elevada, o fósforo branco não é uma arma incendiária. A munição incendiária tem características diferentes; a temperatura de queima pode não ser tão elevada, mas queima durante um tempo mais longo para incendiar o que estiver em contato com a mesma. Apesar de não se incendiária, é um tipo de munição que causa muitas baixas se for empregado contra pessoal.

Nos dias iniciais da invasão, as granadas israelenses estavam explodindo numa altura menor. Atualmente, usando espoletas de tempo, elas explodem numa altura bem mais elevada. O efeito da fumaça fica mais difuso, porém o danos colaterais, como as baixas civis, diminuem consideravelmente.

O Frag 1/1167, de 30 Jan 09: Coordenação e Controle do Espaço Aéreo durante o conflito

Como eu falei no início deste artigo, logo que as operações se encerram, começam a a ser publicados os detalhes, as TTP e as inovações que surgiram durante os combates.

Segundo o Ares, o que encabeçou a lista de evolução na forças armadas israelenses foi a coordenação bastante estreita entre a Força Aérea e o Exército (Israel não tem Aviação do Exército e as missões tradicionalmente cumpridas por esta aviação são de responsabilidade da Força Aérea). Essa coordenação permitiu que fossem realizados fogos a partir dos helicópteros de ataque a distâncias de 30 metros das tropas amigas.

Durante a operação. o oficial de apoio aéreo nos QGs de Brigada normalmente era um piloto de helicóptero da reserva da Força Aérea, alguns com mais de 60 anos, e chefiava uma equipe de cinco militares chamada pelos israelenses de célula de cooperação ar-solo.

Outro fator para o sucesso das operações foi a manutenção dos laços táticos: cada brigada sempre era apoiada pelo mesmo esquadrão de aviação, o que facilitava as comunicações entre a tropa de superfície e a força de helicópteros. Um dos integrantes de célula de cooperação ar-solo era um piloto da unidade que está apoiando a operação e este tem autonomia para coordenar todas as operações aeromóveis, inclusive para solicitar missões de apoio de fogo aeromóvel, diminuindo a carga de trabalho sobre o comando e estado-maior da unidade apoiada.

Em termos de equipamento, a principal evolução foi a rede de informações montada através de data-links. O ciclo desde a identificação do alvo até o disparo da arma (seja de um avião, helicóptero, artilharia ou fogo naval) levava menos de um minuto. Algumas vezes, este ciclo consumia de a quinze a trinta segundos.

Os ataques iniciais à Faixa de Gaza foram realizados por mais de cem aeronaves simultaneamente e toda a estrutura do Hamas conhecida até então foi destruída ou neutralizada nos primeiros quatro minutos.

O Frag 2/1167, de 07 Fev 09: Duração da operação e fases da lua – simples coincidência?

Alguns detalhes são tão óbvios que quase nos passam despercebidos. A operação terrestre (e, consequentemente, o apoio dos helicópteros à força de superfície) se iniciou no dia 03 ou 04 de janeiro. Nesta data, segundo o Observatório Oceanográfico da US Navy, a lua estava entrando em sua fase crescente, com 30% a 40% de iluminação. A operação se encerrou no dia 18 de janeiro, com a lua em sua fase minguante, com mais ou menos 40% de iluminação.

Gaza City LLPC

O gráfico acima mostra em verde os dias e horas ideais para o voo com OVN. São praticamente coincidentes com a duração da operação na Faixa de Gaza.

Referências:

Leia também:

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