Capítulo anterior: Planejamento e preparação
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A coluna com C-130 seguiu em vôo NBA, a 250 ft acima do solo, se mantendo abaixo do escopo dos radares iranianos. A rota foi planejada de acordo com os dados da inteligência para evitar as defesas costeiras e áreas populosas. Durante o percurso o comandante da aeronave líder observou a formação de um haboob, que não interferiu na rota dos aviões, mas poderia causar problemas aos helicópteros. O Maj John Carney, que havia montado o balizamento, estava na primeira aeronave e fez o acionamento das luzes praticamente quando o Hércules ingressava na final para pouso. Devemos lembrar que naquela época (há vinte e sete anos), o sistema de GPS não estava ainda operacional e os sistemas inerciais de navegação eram bem menos precisos. As aeronaves fizeram uma navegação à noite para um ponto no meio do deserto, praticamente sem referências visuais. Proa, tempo e fé.
Pouco depois dos aviões, os helicópteros decolaram do USS Nimitz e entraram no espaço aéreo iraniano, passando entre as cidades de Jask e Konorak, fazendo uma NBA em coluna tática, inicialmente a 200 ft e depois descendo para 100 ft acima do solo.
Os problemas começaram quando os helicópteros não chegaram no horário previsto. De início, isso não preocupou muito os operadores que já estavam em Desert One: em todos os ensaios, os helicópteros da Marinha se atrasaram. Mas desta vez eles realmente estavam com problemas.
Os helicópteros previstos para a missão eram os RH-53D. Esta foi uma fase importante do planejamento: a escolha das aeronaves. As características que foram avaliadas em cada foram a carga útil, automonia e capacidade de ser aerotranspotada. A escolha recaiu entre os seguintes modelos: CH-46, CH-47, CH-53, HH-53 e RH-53D. Os modelos da série -53 foram os que melhor cumpriram os requisitos. O RH-53D foi o escolhido por ser o modelo naval. Tinha a capacidade de dobrar as pás e a cauda e ser hangarado nos decks inferiores do navio-aeródromo. Com as pás montadas e sem dobrar o cone de cauda, o CH-53 e o HH-53 não cabiam no elevador e teriam que permanecer o tempo todo no convôo. Isso acarretava dois problemas; um de ordem técnica e outro de ordem tática. O técnico é que as aeronaves permaneceriam por um tempo indefinido no convôo, sujeito ao desgaste que as condições do mar e do clima impõe às aeronaves. O tático é que ficariam expostas à vigilância dos satélites soviéticos, colocando em risco a segurança da operação.
Os tripulantes estavam usando OVN passivos (uma tecnologia relativamente nova para a época) e cada um dos pilotos pilotava por trinta minutos, pois o vôo causava um grande desgaste. Estavam usando também os novos sistemas de navegação inerciais, ao contrário do Ômega, que era o mais comum na Marinha.
Cento e quarenta milhas no interior do Irã, o helicóptero Seis apresentou um problema nas pás que exigia o pouso imediato. Ele abandonou a formação e pousou no deserto. Todo o material sigiloso foi retirado da aeronave e a tripulação embarcou no helicóptero Oito. O Seis foi abandonado no deserto.
Sessenta milhas depois, surgiu o primeiro haboob. A formação não se desviou, a areia, muito fina, entrou na cabine e todos os tripulantes ficaram cobertos de pó. Em poucos segundos, os helicópteros já a haviam atravessado.
Logo em seguida, outra nuvem de pó. Julgando ser semelhante à primeira, os helicópteros não se desviaram dela. Porém, este haboob era bem maior e mais denso. As aeronaves perderam o contato visual entre si e também não conseguiam ver o solo.
A formação se dispersou. O líder fez uma curva de 180 graus, saiu do haboob e pousou. Nenhuma das outras aeronaves o viu pousando e todas prosseguiram. Como nenhuma outra aeronave fez o mesmo, ele decolou novamente e entrou novamente na tempestade, rumo a Desert One.
O Três, depois de perder o contato visual com a aeronave da frente, fez o procedimento previsto para ele: curvou quinze graus e voou por alguns minutos e depois retornou ao curso original. Mesmo abaixo de duzentos pés, ele não conseguia ver o solo. Subiu então para mil pés e a temperatura dentro do haboob subiu rapidamente. Desceu novamente para duzentos pés e via o solo intermitentemente. Por três horas, voou desta maneira, em “visumento”, ora num vôo visual, ora num vôo por instrumentos. Dentro da aeronave, o calor aumentava cada vez mais.
O 2P falou: “Temos montanhas de seis mil pés à frente.”
“Perto?”
“Não sei. Não confio nesse sistema, não confio nesses mapas e não vejo o solo há três horas. Eu diria que já estamos nas montanhas.”
Subiram para seis mil pés e saíram do haboob. Imediatamente sentiram o frio da noite no deserto e viram o pico das montanhas ao seu lado. Desert One estava a uma hora de vôo. Ultrapassaram as montanhas e mergulharam de volta no haboob, mantendo o vôo a seiscentos pés do solo.
O helicóptero Cinco notou que sua bússola não estava funcionando corretamente e que o sistema inercial estava sendo afetado pelo calor intenso no interior da tempestade de areia. Fez algumas manobras para tentar encontrar o seu ala, mas não conseguiu. Resolveu subir para tentar sair do haboob. Subiu até nove mil pés e não conseguiu sair da nuvem de pó. Após consultar o comandante da F He, que estava a bordo da sua aeronave (não como piloto) e sem saber que o Seis já havia parado, o comandante do Cinco assumiu que não estaria comprometendo o cumprimento da missão e resolveu retornar. Estava a menos de vinte minutos do fim do haboob e a uma hora de Desert One.
A primeira aeronave a chegar em Desert One foi o Três, com vinte e cinco minutos de atraso. Logo após as demais aeronaves foram chegando, uma a uma. Imediatamente, as equipes de abastecimento começaram a reabastecer os helicópteros, mas as tripulações estavam esgotadas, física e psicologicamente, depois das seiscentas milhas náuticas em quase cinco horas de vôo. Eram 01h30. O Dois pousou sem um dos sistemas hidráulicos.
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Continua em O Chafúrdio
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