Já há um bom tempo, um tal de Sun Tzu disse que “a pior tática é atacar cidades”.
Com esta citação no primeiro slide da instrução, se iniciou no dia de hoje a fase de combate urbano do Curso de Piloto de Combate. O combate urbano é uma daquelas situações onde as técnicas, taticas e procedimentos comuns não podem ser aplicados ou tem que ser bastante modificados para funcionar a contento. Porém os conflitos mais recentes convergem cada vez mais para os centros populacionais.
Não é minha ideia aqui discorrer sobre as particularidades do combate em localidade, mas não é muito difícil imaginar as restrições que este tipo de terreno impõe ao movimento, à observação, campos de tiro, comunicações etc. Quem quiser se aprofundar um pouco mais pode consultar os manuais disponíveis na internet ou ainda os artigos da Armchair General (dos quais sou fã). O primeiro deles se inicia justamente com a mesma citação de Sun Tzu.
Vou deixar aqui três vídeos de situações típicas do emprego da aviação em combate urbano. Não por acaso, a aeronave empregada nos vídeos é o Little Bird, em três versões diferentes. Nestas situações, o emprego de aeronaves menores e mais ágeis acaba sendo mais efetivo do que de uma aeronave maior e mais pesada.
O primeiro vídeo já foi publicado aqui e mostra uma infiltração de operadores especiais sobre uma construção com um helicóptero MH-6. O que podemos ver aqui é a excelente navegação realizada pelos pilotos deste Little Bird (navegar em grandes cidades é complicado). Ele faz a primeira parte do vídeo paralelo a uma grande avenida e faz a curva pouco antes da esquina – sempre seguindo as ruas. O pouso é realizado em uma casa que não tem nada de diferente das demais casas ao redor. Dá para ver também que a área de pouso é bastante restrita e parece que a aeronave fica com a parte traseira dos esquis para fora.
O segundo vídeo é de uma evacuação de feridos. Este vídeo é meio atípico, pois é realizado pela Blackwater. Um helicóptero civil (MD-500, a versão civil do Little Bird), tripulado por civis da Blackwater e evacuando um civil – no caso o embaixador polonês que foi emboscado em Bagdá. A evacuação de feridos por aeronaves muitas vezes é a melhor solução num ambiente urbano, onde nem sempre as viaturas tem condições de seguir o caminho mais curto ou mais rápido. E muitas vezes aeronaves pequenas são as únicas capazes de pousar nas ruas cercadas por postes, fios e outros obstáculos. No vídeo podemos ver que o quarteirão está isolado pelo Exército iraquiano.
O terceiro é um ataque aeromóvel noturno realizado em área urbana pelo 160º SOAR. Na primeira parte do vídeo, o ataque é realizado por um MH-60 DAP. Dá para ouvir (entre 50 segundos e 1 minuto do vídeo) que ele atira com pelo menos três armas diferentes. A segunda parte do ataque é realizada com um Little Bird AH-6. Duas coisas valem a pena ser destacadas: a primeira é o perfil de rampa do tiro, sendo realizado de uma altura bem grande, em stand off das armas leves que provavelmente os insurgentes dispunham. A aeronave realiza um balsing indireto (com curva) para o início do mergulho. A segunda coisa interessante é que a mesma aeronave dispara as metralhadoras e os foguetes praticamente sem intervalos entre elas. Não sei como funciona esse sistema de controle do armamento no Little Bird. Com certeza é bastante eficaz, pois mantém o inimigo de “cabeça baixa” durante todo o perfil do tiro. Mas, para que isso funcione, é necessário também um foguete moderno com uma velocidade inicial bem alta (como o Hydra americano, o FZ90 belga ou o nosso Skyfire), que mantenha uma trajetória praticamente tensa neste primeiro trecho. Desta maneira, pode-se realizar o tiro de metralhadora e o lançamento do foguete usando o mesmo ponto de visada.
Leia também:
- Efeitos de um míssil atingindo um carro de combate
- Eu adoro os Little Birds
- O emprego da Aviação do Exército na região serrana do Rio (atualizado)


@vootatico Show de bola, parabéns!!!
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