Estratégia Braço Forte

by PFF on 27 de junho de 2009 · 2 comments

in Off-Topic

Este é o planejamento estratégico do Exército para os próximos anos (em curto, médio e longo prazos):

bracoforte

O documento foi publicado no site do Exército e tem muitas coisas interessantes, como a transferência da Brigada de Infantaria Paraquedista para Anápolis e a substituição desta por uma nova Brigada de Infantaria Leve no Rio de Janeiro.

Em termos de Aviação, temos a criação de uma Brigada de Aviação em Manaus e a previsão de gastos de R$ 2 bilhões em aeronaves (boa parte deste montante deve ser referente aos EC725).

Para assuntos não ligados à Aviação, consulte o nosso fórum.

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Afinal o que é o END? Estratégia, Política, Programa para gastar dinheiro público?
Antes de tudo parabenizo os foristas pelo nível do debate.
Eu tenho uma opinião. Estratégia é comprar armas, distribuir tropas ou "usar a força para atingir os fins políticos". Este usar para alguns se restringe somente o enfrentamento ou o combate. Mas como os príncipes renascentistas e outros mais que a História dos Homens e de suas lutas demosntraram a questão da estratégia implica em como nos armamos (poderia aqui fazer a referência do gosto de muitos: Sun Tzu, mas reduziria a estratégia a um livreto).
Pode ser até isto. Como nos armamos. E disto pode se deduzir duas estratégias.
Por um lado se considera que a arma é algo pronto e que não cabe debater sua origem: como e por quem foi feito – ou seja, temos dissociado origem da arma e estratégia. Estratégia é somente usar bem as armas prontas. Assim, a estratégia fica reduzido a um jogo de regras prontas como xadrez, go, truco o que se desejar. É simples, basta comprar armas e alocar tropas. Criar um bom sistema para executar estas ações. Estratégia se reduz a isto – comprar e usar bem.
Por outro lado podemos considerar que a forma como nos armamos pode ser a estratégia e neste caso a arma não é algo terminado - o brinquedo de fazer a guerra - e sim uma forma pensada e ampliada de que estratégia é também a opção de não fazê-la (isto seria a tal dissuasão que tanto os falsos profetas estrategistas cantam em versos?) e assim a estratégia fica ampliada para capacidade de se participar de um jogo em que nós podemos estabelecer as forças das peças, escolher o tabuleiro e escrever as regras. É complexo, temos que desenvolver e internar a competência de fazer as armas desde a concepção ao uso. Estratégia da Real Dissuasão se amplia com isto – saber bem.
Pois é. Prosseguindo, questiona-se o Brasil e suas Forças Armadas estão aptos a adotar a estratégia de comprar o cachorro no pet shop (END) ou saber criar e procriar o cão que cuidará o pátio (Real Dissuasão)...
Eu defendo que não temos a competência da Real Dissuasão, hoje. Já tivemos. Falta um Corpo de Engenheiros em cada Força Armada. Por mais respeitado que sejam o IME e o ITA no meio civil, estas são escolas marginalizadas nas Forças que fazem parte.
Na Marinha do Brasil os seus Oficiais são treinados para lidar com o navio, uma minoria irá conceber a força, desenhá-la e construí-la. Natural que seja desta forma. Com o reduzido efetivo e sendo uma Marinha de todas as águas e atribuições fica difícil fazer tudo bem feito. No Exército Brasileiro existe um divórcio entre a Engenharia da guerra e da paz (os esforços cortantes e momentos fletores para sustentar uma ponte são diferentes na construção e destruição). As Armas ditas técnicas (Engenharia, Comunicações e Material Bélico) estão muito longe de entender o que significa ciclo de vida de uma arma. O Quadro de Engenheiros é restrito (não era assim na década de 50), além de uma discussão ideológica infinda e pré-histórica da querela entre ser “tarimbeiro versus bacharel”. Na Força Aérea a mesma ladainha traduzida no discurso “profissional versus cientistas”.
Também, temos o distanciamento e pavor que a burguesa Academia brasileira tem sobre o assunto Estratégia. Para a maioria o problema da defesa do Brasil está resolvido se o Capitão Lúcio e o Luisão estiverem bem. Aqui parabenizo aos poucos cientistas que dedicam seus esforços neste assunto, prestando um bom serviço a nação, mesmo contrários as opiniões expressas aqui.
Além do mais, tem muita gente sabida, profundos conhecedores da sopa de letrinhas em Defesa, interessantes e mais do que isto interesseiras que defende que o melhor é sermos pragmáticos e escolhermos o que se “tem na prateleira”, indicando as melhores letrinhas.
Finalmente, não poderia deixar de ser abordada a questão das sopas de letrinhas em Defesa e a questão correlata “o problema do código fonte” ou da chave. Cabe uma interrogação: “Alguém se sentiria confortável se encomendasse a chave de sua casa para alguém suspeito ou interessado em seus bens?” Neste caso também se vislumbra a questão da Estratégia. A fábrica de armas, a capacidade, o potencial de causar dano e morte deve ser um monopólio estatal, ou não?
Um dia o cão de guarda envelhece, pode se tornar difícil comprar a ração e quem o criou de nascença pode ainda ter um truque que em vez de te defender pode até ficar contra você. Tudo é possível – o certo é que ele morrerá – e aí, retornaremos ao pet shop?

Trackbacks

  1. Eder Ventura disse:

    Este é o planejamento estratégico do Exército para os próximos anos (em curto, médio e longo prazos):http://bit.ly/4mP5Xo

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