Ontem, 01 Nov 09, durante uma missão de exfiltração de tropa na região conhecida como “cabeça do cachorro”, tive o acendimento de uma luz no painel de emergências que indica um pré-entupimento de combustível (talvez pela sujeira), o que pode resultar no apagamento do motor correspondente. Diante da situação, a execução íntegra da sequência de ações previstas pelo check list foi obedecida, finalizando com o corte intencional do motor e fazendo o reacendimento do mesmo somente na hora do pouso. Afirmo que, em momento algum, a tripulação hesitou em seguir o previsto (apesar de ter realizado um voo de 26 minutos monomotor sobre a selva e com um POB considerável).
Sistema de combustível do Cougar (esquemático)
Sistema de Combustível do Cougar (console superior dos postos de pilotagem)
Entretanto, deve-se ressaltar a provável dúvida que pode surgir ao se achar se vale ou não a pena adotar o procedimento previsto por julgar que é perigoso. Não há dúvidas de que a tripulação deve fazer uso de sua experiência para avaliar crises e, diante de uma análise consensual, optar pela melhor solução. Todavia todas as decisões devem se apoiar nos subsídios técnicos da aeronave (limitações e procedimentos de emergência), uma vez que projeto e fabricação são aspectos que seguem critérios e especificações que minoram consideravelmente erros e falhas. Por isso, diante da crise, analise com base nos aspectos já estabelecidos ou conhecidos como parâmetros, possibilidades e limitações. Por exemplo, se é previsto cortar o motor não ache o contrário pois essa fé está calcada em Deus, projetistas, engenheiros, técnicos, fabricantes… Afinal, não somos pagos para achar, mas termos certeza.
Selva!


Decisão difícil... Em um voo de Porto de Moz para Belém, tivemos uma sucessão de panes no sistema de combustível da ANV (parece pegadinha de voo de CRM). Em cerca de 30 minutos, nós perdemos 1 booster pump do motor esquerdo (a outra já estava em baixo) e a válvula de comunicação entre o tanque longitudinal e o transversal travou aberta...Ou seja, tínhamos combustível no grupo esquerdo, mas o motor não conseguia acessar (o Super Puma da MB voa com uma atitude de nariz alto, o que levou o combustível do tanque de alimentação para o transversal de ré por gravidade)...Em pouco tempo tivemos o acendimento da luz de nível baixo no motor esquerdo. Na ocasião, por estarmos perto do por do sol e a cerca de 50 minutos de voo de Belém, optamos por fazer um pouso de precaução em uma clareira perto de uma vila de ribeirinhos. Por estarmos com uma ANV em ala, essa marcou nossa posição, seguiu para belém e providenciou o apoio necessário para o dia seguinte...
Na minha opinião, a melhor decisão é aquela que te permite voltar para os seus entes queridos com a maior segurança possível (desde que esta decisão não contrarie o manual!).
Parabéns por ter tomado a melhor decisão!
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