Future Helicopter Strategy do Reino Unido

by PFF on 16 de dezembro de 2009 · 7 comments

in Aviação Militar

Joint Helicopter CommandNo dia de ontem, foi anunciada a compra de 24 helicópteros Chinook para o Reino Unido. Dois deles são para repor células perdidas no Afeganistão (aqui e aqui) e os outros 22 são realmente para aumentar a capacidade de transporte das forças britânicas. Porém a notícia realmente interessante (e ofuscada pela compra dos Chinooks) foi o anúncio da Future Helicopter Strategy – Vision 2020.

Este planejamento visa redistribuir as aeronaves entre as forças britânicas de modo a otimizar suas capacidades. Além disso, a compra de novas aeronaves irá aumentar em 40% a capacidade de transporte atual.

A situação que se planeja é a seguinte:

  • A Marinha irá operar os Merlins e Lynx Wildcat
  • O Exército irá voar com os Lynx Wildcat e Apaches
  • A RAF usará os Chinook e Puma

Essa configuração se manterá ao menos nos próximos 13 anos, quando os Puma começam a se aposentar. Estão atualmente no Afeganistão e passaram por inúmeros retrofits. Começarão a sair de serviço perto dos cinquenta anos de uso em operações.

Boa parte dos Pumas ingleses foram comprados de Portugal. Já voaram em combate em Angola, Moçambique e como CSAR da OTAN no Atlântico.

Os Sea King começam a se aposentar desde já, com os Merlins assumindo as funções de anti-submarino e transporte de tropas. Os Merlins da RAF serão gradativamente transferidos para a RN. Quando todos os Pumas se aposentarem, em meados da década de 2020, a Inglaterra terá basicamente quatro modelos de aeronaves, em várias versões especializadas: AW159 Lynx Wildcat, WAH-64 Apache, AW101 Merlin e os Chinook. Notem que, com exceção dos Chinooks, todos os outros são fabricados ou customizados pela AgustaWestland.

Como este planejamento visa as capacidades no ano de 2020, não há nada sobre a substituição dos Pumas na RAF ou seja ela permanecerá apenas com os Chinook.

Além dos remanejamentos das aeronaves, podemos citar as seguintes medidas:

  • Aumento de 95% das horas de voo (talvez a mais importante de todas as medidas);
  • Um upgrade nos motores dos Lynx e Super Lynx atuais;
  • O desdobramento dos Merlins no Afeganistão (já está ocorrendo);
  • Um upgrade de 480 milhões de libras na frota atual de Chinooks, focado em motores e digitalização dos cockpits;
  • Um upgrade de 300 milhões de libras na frota atual de Pumas;
  • A entrada em serviço dos oito primeiros Chinook Mk3.

O total de investimento chega próximo de 6 bilhões de libras durante os próximos dez anos.

Vale também lembrar que a Inglaterra possui o Joint Helicopter Command, o que facilita bastante essas trocas de aeronaves entre as forças.

Referências:

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Major Piffer,

Uma pergunta: recentemente li um ótimo livro sobre os helicópteros do exército briânico no Afganistão: Ed Macy "Apache" Harper.

Não consegui entender a organização do esquadão de helicopteros de ataque no exército britânico.

Poderia informar qual é?

Obrigado

Bacchi

Você gostou deste livro, Bacchi? Já pensei em comprá-lo, mas não conhecia ninguém que tivesse lido para me dar uma opinião.

Quanto aos ingleses, eu não conheço a organização das unidades. Mas eles operam de uma maneira diferente da que estamos acostumados a ver.

De maneira geral, os países que possuem uma Aviação do Exército, ou seja, que seus meios aéreos não estão concentrados na Força Aérea, especializam suas tripulações em missões específicas e não nas aeronaves. Assim é feito, por exemplo, na França, nos EUA e aqui no Brasil. Temos aqui no Brasil o Super Puma/Cougar operando nas três forças, com missões diferentes em cada uma delas.

A Inglaterra optou por especializar as tripulações nas aeronaves e realizar diversos tipos de missão. Assim, as aeronaves maiores (Chinook e Puma) ficaram na RAF e as menores (Apache, Lynx e Gazelle) ficaram no AAC.

Um olhar rápido diz que, desta maneira, a Inglaterra facilitou a manutenção e o gerenciamento das aeronaves, contudo diminuiu a especialização das tripulações – missões típicas do Exército, por exemplo, terão que ser cumpridas por aeronaves e tripulações da Força Aérea. Com certeza, o JHC achou alguma solução para este aparente problema.

Os esquadrões do AAC tem apenas um modelo de aeronave, com exceção do que está no Afeganistão. Este opera Apaches e Super Lynx. Não sei se ele já era misto originalmente ou se essa composição mista foi uma exigência da missão.

O Scramble traz uma idéia das unidades do AAC: http://scramble.nl/uk.htm

Eu realmente fiquei curioso em relação a organização dos esquadrões de ataque do exercito britanico (helicopteros WAH-64 Apache) quando li o livro do Warrant Officer Macy, que aliás recomendo enfaticamente a você.

Deve sair em breve a edição em paperback de outro livro do mesmo autor: "Hellfire" (edição em capa dura foi publicado em 3 Set 2009). Como compro muitos livros (e ponha muitos nisto) estou esperando pela paperback para economizar.

Se você descobrir algo sobre a organização dos esquadrões de ataque do exército britânico, por favor, me informe.

Abraços

Bacchi

Uma coisa que eu gosto muito é essa aparente facilidade que os Britânicos tem de conjuntar e otimizar os meios das tres forças.

Um plano interessante, eu sempre gostei do modo que a Inglaterra usa(e dispõe) seus helicopteros. Aquela escola conjunta das 3 forças é muito boa. Agora sobre essa estratégia e os Griffin? A RAF usa eles atualmente mas não é dito nada sobre eles. Serão substituidos então?

Acredito que ele não foi citado por ser usado exclusivamente para instrução.

Os Gazelles e Esquilos do Exército também não foram citados, embora o primeiro não seja uma aeronave de instrução. Entendo que o Lynx Wildcat ou o Apache irão assumir as funções do Gazelle.

É talvez seja isso, mas pensando melhor agora é capaz de que alguns sejam substituidos, há um esquadrão da RAF no Chipre(http://www.raf.mod.uk/equipment/griffinhar2.cfm) que usa alguns Griffins para transporte, o Merlin pode suprir essa necessidade mas em um futuro mais distante, uma vez que seria caro substituir poucos helicopteros em um local como o Chipre.

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