O Close Air Support e o Close Combat Attack

by PFF on 28 de novembro de 2011 · 11 comments

in Operações e Análises

OH-58D Kiowa Warrior

Cumprindo minha promessa sobre esse assunto, vou descrever aqui a diferença entre o apoio prestado por aviões da força aérea e por helicópteros de ataque do Exército na doutrina norte-americana.

Na doutrina norte-americana, o Close Combat Attack (CCA) é o ataque realizado por helicópteros da Aviação do Exército contra um inimigo em contato com a tropa amiga.

Para um observador incauto, essa ação não tem diferença nenhuma para a missão de Close Air Support (CAS) ou missão de cobertura, como é chamada por essas bandas. E, para quem está na ponta da linha, recebendo o apoio, as diferenças são realmente bem pequenas.

Eu termos de planejamento, porém, as duas missões são bastante distintas. Sem entrar em grandes elucubrações doutrinárias e em relações de comando, no Close Air Support (CAS) realizado por aeronaves de asa fixa da força aérea, o TACP controla a aeronave e a conduz até o alvo.

No Close Combat Attack, a força de superfície – não necessariamente uma TACP – transmite ao comandante da Força de Helicópteros (F He) as informações essenciais sobre o inimigo e a posição das forças amigas. Essas informações já significam que a F He está liberada para atacar.

Baseado nessas informações, o comandante do helicópteros ratifica e retifica seu planejamento antes de realizar o ataque. O comandante da Força de Helicópteros mantém o tempo todo a sua liberdade de manobra e decide como irá atacar.

Para quem está na ponta da linha, a diferença prática é o briefing. No CAS, é realizado um briefing mais detalhado, conhecido por 9-line Briefing:

Close Air Support 9-Line Briefing

Do not transmit line numbers. Units of measure are standard unless briefed. Lines 4, 6, and restrictions are mandatory readback (*). JTAC may request additional readback.

JTAC: “__________________, this is ______________________”
(Aircraft Call Sign) (JTAC Call Sign)
“Type _______________ (1, 2, or 3) Control”

1. IP/BP: “____________________________________________”

2. Heading: ”___________________________________________”
(Degrees Magnetic, IP/BP-to-Target)
Offset: “____________________________________________”
(Left / Right, when required)

3. Distance: “__________________________________________”
(IP-to-target in nautical miles, BP-to-target in meters)

4*. Target Elevation: “___________________________________”
(In feet MSL)

5. Target Description: “__________________________________”

6*. Target Location: “____________________________________”
(Lat/Long or grid to include map datum or offsets or visual)

7. Type Mark: “_____________” Code: “_____________________”
(WP, Laser, IR, Beacon) (Actual Laser Code)

8. Location of Friendlies: “________________________________”
(From target, cardinal direction and distance in meters)
Position marked by: “__________________________________”

9. “Egress: ____________________________________________”
Remarks (as appropriate): “_______________________________”
(Restrictions*, Ordnance delivery, threats, final attack heading, hazards, ACAs, weather, target information, SEAD, LTL/GTL [degrees magnetic], night vision, danger close [with commander’s initials])
Time on Target: “_________________________” or Time to Target: “__________________________”
“Standby _________ plus _____________, ready, ready, HACK”
(minutes) (seconds)

Note: When identifying position coordinates for joint operations, include map data. Grid coordinates must include 100,000 meter grid identification.

No CCA, as decisões são tomadas pelo comandante da Força de Helicópteros, que já tem uma ideia bastante nítida do que irá realizar. Assim, as informações transmitidas pela tropa de terra são mais simples:

Close Combat Attack Briefing – Ground to Air (5-Line)

1. Observer / Warning Order
“_______________, this is ______________, Fire Mission, Over”
(Aircraft Call Sign) (Observer Call Sign)

2. Friendly Location / Mark
“My position _____________, marked by ___________________”
(TRP, Grid, etc) (Strobe, Beacon, IR Strobe, etc.)

3. Target Location
“Target Location _______________________________________”
(Bearing [magnetic] and Range [meters], TRP, Grid, etc.)

4. Target Description / Mark
“____________________, marked by ______________________”
(Target Description) (IR Pointer, Tracer, etc.)

5. Remarks (Threats, Danger Close Clearance, Restriction, At My Command,
etc.) “Over”

AS REQUIRED:
1. Clearance: Transmission of the 5-Line CCA Brief is clearance to fire (unless danger close.) For closer fire, the observer/commander must accept responsibility for increased risk. State “Cleared Danger Close” in line 5. This clearance may be preplanned.
2. At My Command: For positive control of the aircraft, state “At My Command” on line 5. The aircraft will call “Ready for Fire” when ready.

Vale lembrar que tudo isso que foi falado se refere à doutrina norte-americana. Outros países podem apresentar ideias bem diferentes.


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Oficial do Exército Brasileiro, piloto e editor do site Voo Tático

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Grifo38 7 pts

Sobre o assunto Close Combat Attack sugiro que todos assistam os vídeos disponíveis em http://collateralmurder.com/ pois mostra o quanto pode ser complicado realizar esse tipo de missão em ambiente urbano quando não houver regras de engajamento muito bem definidas.

PFF 17 pts moderator

 Grifo38 Na ocasião em que o "Collateral Murder" foi divulgado, eu escrevi um post sobre o assunto. Ele está neste endereço: http://vootatico.com.br/archives/4947

My latest conversation: Vídeo institucional da Rostvertol (com os Mi-35M brasileiros)

RodrigoMF 18 pts

Eu não sei até onde o CAS está mudando de fato ou é uma particularidade destes conflitos em que os gringos não tem nenhum tipo de oposição no ar..

Mesmo assim o artigo é muito legal em mostrar que o CAS a baixa altitude vai sendo cada vez menos utilizado. O upgrade do A10 para o padrão C já indicou esta mudança, agora temos os B1B e ai no artigo os SH, com vídeo link em tempo real com o pessoal em terra.

http://www.nytimes.com/2012/01/16/world/asia/afghan-war-reflects-changes-in-air-war.html?pagewanted=1&_r=2&partner=rss&emc=rss

PFF 17 pts moderator

Certas coisas são tão óbvias que demoramos um pouco para perceber.

Eu tinha visto isso antes de publicar e acabei me esquecendo de incluir no artigo: um posto isolado do Exército americano, num dos lugares mais inóspitos e inacessíveis do mundo, tem um ar condicionado split.

É uma preocupação constante - e cara - manter algum conforto para os que estão em combate.

Grifo38 7 pts

Bem, um colega de trabalho me indicou esse site. Sou oficial da Força Aérea e estudioso do assunto CAS. Logo, espero aprender também com vcs e contribuir com o que for possível.. O 9-line é o padrão utilizado também pela OTAN para missões de CAS. A fonte do assunto no âmbito US é o manual JP 3-09 do Joint Force Command. Conforme descrito nesse manual US Army describes close combat attack (CCA) as a hasty or deliberate attack by Army aircraft providing air-to-ground fires for friendly units engaged in close combat as part of the Army combined arms team. Due to the close proximity of friendly forces, detailed integration is required. Due to capabilities of the aircraft and the enhanced situational awareness of the aircrews, terminal control from ground units or controllers is not necessary. CCA is not synonymous with close air support (CAS). Ou seja, corrobora o que o companheiro escreveu. Nesse caso, não há necessidade de JTAC (membro da TACP) para descrição do alvo. Adiciono que na doutrina americana, existe a figura do JFO (Joint Fire Observer) o qual passa também por um estágio de 2 semanas aprendendo técnicas de descrição de objetivos para aeronaves. Um JFO sempre atua em conjunto com uma TACP (Equipe de Controle Aerotático - ECAT no Brasil). Estamos tentando desenvolver uma doutrina sólida sobre o assunto por aqui também e toda discussão é válida e bem vinda. Abraços.

PFF 17 pts moderator

Grifo38 Estou acompanhando o esforço da FAB em padronizar esses procedimentos entre as forças no Brasil e realmente será um grande avanço quando isso estiver pronto.

PFF 17 pts moderator

 Grifo38 O JFO é o nosso Observador Avançado da artilharia?

My latest conversation: Vídeo institucional da Rostvertol (com os Mi-35M brasileiros)

Grifo38 7 pts

 PFF  Grifo38 Afirmo o JFO, Joint Fire Observer é muito similar ao OA. Dentro da estrutura do US Army, cada Companhia possui um JFO orgânico. Em conferência sobre CAS na Inglaterra, um oficial da USAF explicou sobre um trabalho que está sendo feito no Fort Sill, onde em um curso de 2 semanas os JFO aprendem a trabalhar em conjunto com os JTAC (GAA) da USAF, maximizando o processo de apoio de fogo.  Cada batalhão possui uma Fire Cell, a qual é similar ao CCAF dos batalhões do EB. Os JTAC compõe a TACP (Equipe de Controle Aerotático) e são também parte dessa Fire Cell. Essa estrutura é muito similar ao que existe no C100-25 do EB. Estamos tentando colocar isso em prática por aqui também.

Renato 6 pts

Muito interessante, suponho então que o CCA pode ser chamado para apoiar frações menores enquanto CSA envolveria um grupo maior já que vai precisar de um profissional mais especializado para requisitar apoio, como o TACP, certo?

Outra coisa que eu posso imaginar é que o CCA é mais preciso que o CSA já que o segundo é feito por aeronaves, não?

Grifo38 7 pts

CAS pode ser feito tanto por aeronaves de asa fixa, quanto aeronaves de asas rotativas. CCA somente por aeronaves de asas rotativas. Entretanto, o piloto em comando da aeronave têm que ter total consciência situacional para realizar o emprego de armamento. O manual americano que trata do assunto no US Army é o Field Manual (FM) 3-04.126, Attack Reconnaissance Helicopter Operations. Porém, o assunto CAS é tratado de forma conjunta no manual JP 3-09. Logo, para operações conjuntas o padrão será sempre CAS, utilizando o 9-line Briefing. Ok? Renato

PFF 17 pts moderator

Renato Podemos entender, a grosso modo, que o CCA é feito pelo Exército e para o Exército. Isso vai ocorrer quando não houver uma aeronave disponível para realizar o CAS ou em alguma outra ocasião em que o comando decidir que é melhor ser apoiado pelos helicópteros de ataque do que pelo CAS "tradicional".

O Exército considera que seus helicópteros de ataque não fazem parte do sistema de CAS e assim apoiariam apenas a suas próprias tropas em missões já planejadas. É isso que está no manual.

Na prática, os Apaches apoiam, por exemplo, unidades dos Marines, fugindo um pouco do que está escrito. São necessidades que surgem diante do desafios do combate assimétrico.

Nesses caso, o briefing será o padronizado, como o Grifo38 já explicou.

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