O título deste artigo serve para causar um flame em qualquer fórum ou lista de discussão da internet. Os trolls da internet adoram comparar coisas, principalmente as que não conhecem.
Mas essa não é a ideia aqui. O assunto deste artigo surgiu de um outro post no blog do Tom Ricks. O Tom Ricks publica artigos de um Marine que voltou a pouco tempo do Afeganistão. Seus artigos, sempre curtos e pontuais, são bastante interessantes e vale a pena acompanhá-los. A série se chama Keith Marine’s Afghan Review (começou se chamando A Marine’s Afghan AAR) e o artigo em questão foi o 16º a ser publicado.
O que quero ressaltar do artigo é o trecho em que o fuzileiro diz o que espera da Aviação:
The Army guys will come in and land at the grid you give them, with very limited dispersion between birds — allowing you to link up with your other elements, and will set the thing right down on the deck in the inbound flight appearing not to lose much speed.
In comparison, Marine pilots will bring in their aircraft and attempt several flaring techniques and then wave off. Sooner or later they will land in the midst of a brown out and probably a few hundred meters off target with dispersion of about ½ click between aircraft is the norm.
Pousar no lugar certo, com pouca dispersão entre as aeronaves e sem perder muita velocidade para não se expor e não levantar muita poeira. É isso – e apenas isso – que a força de superfície espera da Aviação numa missão que envolva transporte de tropas. É isso que devemos treinar. Parece que não é muita coisa, mas fazer isso bem só vem com bastante treinamento e confiança entre as tripulações.
Apenas como referência, a 101º Divisão de Assalto Aéreo do Exército americano tem diversos parâmetros definidos de como as aeronaves devem chegar a uma Zona de Pouso. Leiam no segundo capítulo do 101st Airborne Division (Air Assault) Gold Book.
Tanto no blog do Tom Ricks quanto no Wings Over Iraq existem diversas considerações sobre o motivo dos pilotos do Exército fazerem isso melhor que os dos Marines. Dentre os vários fatores que foram ditos, eu considero bastante relevante o excelente sistema que o Exército americano tem de especializar e empregar os Warrant Officers.
Além disso (e que não foi citado nos links acima), faz parte do métier da Aviação do Exército voar em grandes formações de helicópteros, o que não é tão comum nas outras forças – que fazem coisas que o povo do Exército não sabe ou não faz tão bem.
Referências:
- Keith Marine’s Afghan Review (XVI): Army helicopter pilots beat ours
- Marine Admits Army Helo Pilots are Amazing…
- 101st Airborne Division (Air Assault) Gold Book
Leia também:





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Isso é interessante, gostei do artigo do Marine tambem ainda mais por se tratar da visão de quem esta em terra.
Essas comparações me lembram de uma missão no Iraque quando o Exército usou Apaches para atacar uma cidade oque acabou se transformando em uma tragédia, quase 80% das aeronaves ficaram sem condição de voo depois disso, muito em culpa do tipo de ataque pois os Apaches ficavam no pairado para atirar oque os tornava para os iraquianos com RPGs alvos fáceis. Após este ataque os Marines foram mandados para lá com Cobras e fizeram tudo ao contrário, passaram rapidamente pelo alvo disparando e se dispersando, e o ataque foi bem sucedido.
Eu já li em diversos foruns da internet sobre essa diferença de o Exército usar o tiro no pairado e os Marines realizarem o tiro em movimento, mas nunca achei nenhum documento ou APA ou monografia ou qualquer outra fonte dizendo isso.
O perfil de tiro é escolhido de acordo com os fatores da decisão durante o planejamento. Tanto o Apache quanto o Super Cobra (e também o OH-58, o MH-60L DAP e o AH-6) tem condições de realizar tiros no pairado ou em movimento e é fácil encontrar vídeos no Youtube com essas situações.
Quanto a operação que você citou, acredito que esteja falando de um ataque próximo a Karbala, em 2003, não? Escrevi rapidamente sobre ele aqui: http://vootatico.com.br/archives/30 . Dá para encontrar relatos bem mais detalhados por aí.
É isso mesmo, esssa operação.
Mas sobre o tiro pairado, esse tipo não seria melhor apenas para disparar mísseis de uma distância segura? Contra tropas em terra acredito que o ideal é disparar em movimento, como era feito no Vietnã onde o tempo que o helicóptero ficava na zona de combate era o menor posssível.
Não necessariamente mísseis. Se você puder engajar o inimigo a uma distância maior que o alcance do aramento dele (como acontece na maioria das vezes com o Apache), não tem necessidade de realizar o tiro em movimento.
Como eu falei anteriormente, cada caso é um caso. Mas entendo que, se houver a possibilidade de ocupar uma coberta e realizar um pop-up, o tiro no pairado é muito mais seguro.