Ressuprimento aeromóvel com carga externa

by PFF on 17 de fevereiro de 2010 · 3 comments

in Operações e Análises

Foto: Staff Sgt. Roman Yurek

A foto mostra um Super Stallion do USMC transportando 9000 lb de água (pouco mais de quatro toneladas), para ressuprir fuzileiros navais desdobrados em operações no Afeganistão.

Tecnicamente falando:

Parece que são quatro pallets, pendurandos em duas redes, ambas no mesmo sling. Dá para ver também que o gancho não está na parte de baixo da fuselagem. O sling entra pelo alçapão e deve se perdurar diretamente no sistema de sustentação da caixa de transmissão principal. Este é um arranjo relativamente comum, que evita que se reforce a estrutura da aeronave (e, consequentemente, aumente o peso da mesma) apenas para sustentar a carga externa. O EC725 usa um sistema semelhante. O Super Puma/Cougar e o Mi-8/17 não têm alçapão, mas usam um expediente parecido: um dispositivo por dentro da aeronave que liga as barras de sustentação ao gancho. É claro que isto é usado apenas para cargas com peso próximo do limite máximo do gancho.

Taticamente falando:

Para qualquer tripulação é muito melhor transportar a carga internamente. A carga externa balança, causa arrasto, restringe a capacidade de manobra da aeronave e oferece uma série de outras limitações e riscos bem fáceis de imaginar. Uma carga de 4000 kg cabe facilmente (tanto pelo volume como pelo peso) na cabine do CH-53E.

Na hora de embarcar é simples. As bases da ISAF com certeza tem empilhadeiras e todo o equipamento de solo necessário. Para voar, também é muito fácil. O problema é o momento do desembarque. Como desembarcar quatro toneladas no braço? Levaria um bom tempo e exporia desnecessariamente a aeronave e a tropa de solo e retardando a operação. Assim, a carga externa se mostra como a melhor opção neste caso – é claro considerando que a maior ameaça é não é na zona de embarque ou no itinerário e sim na zona de desembarque.

Devemos lembrar também que a precisão na navegação e o balizamento bem feito pela força de superfície são fatores que contribuem para o sucesso da missão. Uma vez no solo, ninguém mais tira as quatro toneladas do lugar.

Como referência ressalto os padrões adotados pela 101ª Divisão de Assalto Aéreo para a Zona de Desembarque:

  • uma carga interna deve ser desembarcada em, no máximo 30 segundos
  • uma carga externa deve ser descarregada no ponto previsto em até dois minutos – provavelmente envolve o tempo do balizamento para a posição exata da carga

O artigo da Strategypage cita que apenas dois CH-53E transportaram 26 toneladas de carga em poucas horas. Como o tempo de voo não pode ser alterado, com batentes impostos pelas MCCEA e pelas limitações da própria aeronave, aumenta de importância o adestramento da tropa no momento carregar e descarregar as aeronaves.

Referência: Super Stallion Hauling Loads – dá para ver a foto numa resolução maior

Leia também:

About

Post comment as twitter logo facebook logo
Sort: Newest | Oldest

É isso aí, amigo, estamos juntos, nessa nobre missão de usar o poder aéreo em prol da soberania do nosso País!

Transportar carga externa é uma das operações mais delicadas realizadas por helicóptero. Existem diversas variáveis, quase todas não controláveis pelo piloto (Quanto "realmente" pesa a carga? Como a equipe de terra preparou, amarrou, escolheu o estropo? Qual o treinamento desse pessoal? E a direção/intensidade do vento? E se ocorrer uma pane no helicóptero, e eu tiver que alijar a carga, como fica o "cliente"? Será que ele conhece os riscos envolvidos?). Essas missões de carga externa normalmente rendem alguma "lesson learned"...
Eu mesmo já vi 12 tambores de QAV-1 serem alijados inadvertidamente por um Super Puma sobre a pista do aeródromo de Ponta Pelada, em Manaus (ainda bem que o piloto realizava uma trajetória de segurança, evitando sobrevoo de pessoas e instalações!).
Forte abraço
COM

Caro TC Cominato,

Tomei a liberdade de transpor o seu comentário para este outro post, onde acredito que esteja mais adequado.

A AvEx também é profícua em histórias com cargas externas. Eu inclusive participei de uma delas quando voava de Pantera em 2002.

Previous post:

Next post: