NH90 TTH do Exército Alemão (Foto: PzBrig15)
Há algum tempo, eu disse – aqui no site e em alguns fóruns – que achava estranho que os helicópteros NH90 ainda não haviam dado as caras no Afeganistão. Todos os demais helicópteros das gerações mais recentes já foram empregados por lá, exceto o NH90.
Há três dias, foi publicado no DefenseNews uma notícia que talvez lance um pouco de luz sobre o fato: um relatório do Exército alemão aponta que o NH90 tem (ou está?) com uma capacidade operacional extremamente limitada e recomenda quando possível o emprego de aeronaves alternativas em cenários operacionais.
Dentre as limitações apresentadas, o artigo ressalta as seguintes:
- Visão limitada do solo, o que permite que a aeronave pouse apenas sobre solo firme e sem obstáculos;
- A cabine permite transportar soldados com apenas 110 kg, incluindo o equipamento;
- O espaço limitado dos assentos faz com que o armamento pessoal e coletivo tenha que permanecer no piso e não junto dos combatentes, com riscos óbvios a segurança;
- O piso é bastante frágil e pode ser danificado por coturnos sujos;
- A rampa não suporta o peso dos soldados equipados, aumentando o tempo do desembarque;
- Armamentos coletivos estão proibidos de serem transportados, pois não há como fixá-los ao piso da cabine;
- Também está proibido o transporte de carga e tropa ao mesmo tempo, pelos mesmos motivos explicados acima;
- O espaço interno exíguo também dificulta a instalação de metralhadoras laterais – como eu havia dito aqui;
- O guincho não suporta o desembarque por fast-rope;
- Não existe o possibilidade de lançamento de para-quedas com abertura automática.
O relatório é bastante surpreendente, pois grande parte dos países europeus comprou o NH90 em grandes quantidades e até agora era dado como um excelente helicóptero. Será que todos caíram no conto do vigário ou os alemães estão jogando muito duro neste relatório?
Referência: German Army Report Highlights NH90 Deficiencies
O Frag 01/4634, de 28 de fevereiro de 2010: Configurações internas do NH90 TTH
Apenas para enriquecer o debate, vou colocar aqui algumas figuras das configurações dos assentos no NH90 TTH.
Figura: NHI
A figura acima mostra a configuração do NH90 com 14 assentos voltados para dentro. O site da NHI diz que nesta configuração, podem ser montadas até duas metralhadoras pesadas na portas. Desta maneira o embarque e desembarque seriam feitos exclusivamente pela rampa traseira. Esta é a única situação em que o armamento lateral é citado no site oficial. Na página dos Major Mission Equipament, não é citado nenhum tipo de armamento.
Esta outra figura à direita, também da NHI, mostra a configuração com vinte assentos; seis assentos voltados para fora são incluídos em frente às portas, sem a possibilidade de usar as metralhadoras. Nesta situação, o embarque e desembarque pode ser feito tanto pela rampa quanto pelas portas.
A foto à esquerda mostra uma outra configuração de assentos, voltados para fora, com duas metralhadoras laterais montadas nas janelas traseiras. Não sei quantos assentos essa configuração tem; sem forem os mesmos assentos, devem ser 20 também. Note que as metralhadoras não tem um assento do mecânico mais próximo à janela como no Cougar ou Black Hawk. Quem está operando a metralhadora tem que permanecer em pé, o que não é uma boa solução.
O Exército alemão provavelmente usa a configuração original, com assentos voltados para dentro. A partir do momento que não usa a rampa para embarque e desembarque, também fica impossibilitado de usar as portas para o armamento lateral.
O Frag 02/4634, de 1º de março de 2010:
Após a publicação da notícia acima, o Ministério da Defesa alemão se pronunciou dizendo que este relatório se referia aos protótipos e não à versão final de produção e que estas observações são normais num projeto ainda em desenvolvimento.
Não deixa de ser estranho pois a Alemanha recebeu seus primeiros NH90 há quatro anos e o relatório foi publicado apenas agora. Mesmo com as entregas atrasadas, já deve haver centenas de NH90 voando em diversos países.
Certos problemas, como a resistência do piso e da rampa podem ser resolvidos. Porém a visualização do solo não deve ser fácil de mudar; não sei se dá simplesmente colocar plexiglass em partes da estrutura que atualmente são fechadas. E o espaço da cabine só aumenta fazendo outra aeronave.
Referências:


[...] uma matéria publicada no site Voo tático (clique aqui para ler) uma matéria publicada no DefenceNews apresenta os possíveis fatores para os problemas [...]
[...] Mídia : Voo Tático [...]
[...] pouco mais de um ano, eu relatei aqui os problemas que os alemães estavam tendo com seus [...]