O “Bravo November” safou mais uma…

by PFF on 6 de março de 2010

in Operações e Análises

Cada força armada de cada país tem suas próprias manias e tradições. Uma coisa muita característica dos ingleses é considerar se um navio ou um oficial tem sorte ou azar. Ser supersticioso é até bastante comum no meio militar, mas em nenhum lugar isso é levado tão a sério como na Inglaterra.

O Chinook “mais sortudo” da RAF é o ZA718/BN, mais conhecido por “Bravo November”, ou simplesmente BN (que aparece na foto abaixo).

Chinook ZA718/BN

Chinook ZA718/BN (Foto: Piotr Kaczmarek)

Conforme o Erikson já havia comentado aqui, o BN foi o único helicóptero que se salvou do Atlantic Conveyor, pois estava realizando um voo de manutenção no momento em que o navio foi atingido pelos mísseis Exocet argentinos. Durante a campanha das Falklands, o BN, sem nenhum equipamento de apoio, sem manuais, peças de reposição ou lubrificantes, infiltrou mais de 1500 soldados, evacuou 95 feridos e 650 prisioneiros de guerra e transportou aproximadamente 550 toneladas de carga.

Depois das Malvinas, o BN já esteve em operações no Líbano, Alemanha, Irlanda do Norte, Kurdistão, Iraque e atualmente está no Afeganistão.

Durante a invasão do Iraque, em 2003, o BN foi o primeiro helicóptero inglês a desembarcar tropas no interior do Iraque. Durante os primeiros três dias da invasão, ele voou uma média de dezenove horas por dia (com diversas tripulações, obviamente).

Em 2006, durante uma missão particularmente arriscada na província de Helmand, no Afeganistão, a tripulação do BN recebeu a Distinguished Flying Cross após resgatar dois feridos graves – tripulação que voou na aeronave durante a campanha das Falklands já havia recebido essa mesma condecoração.

Por todos esses episódios, o BN já tem uma réplica em escala natural no Museu da RAF. A Boeing UK também presenteou o museu com a pintura abaixo, que faz referência às duas ocasiões em que a tripulação do BN recebeu a Distinguished Flying Cross.

Como se tudo isso não bastasse, ante-ontem, durante uma exfiltração de tropas americanas sob fogo na região de Garmsir, na província de Helmand, o piloto do BN foi atingido por um tiro. O impacto foi amortecido pelo suporte do óculos de visão noturna, mas mesmo assim, o piloto recebeu um impacto entre os olhos.

Mesmo com um sangramento abundante com diversos sistemas danificados pelo fogo inimigo, ele conseguiu voar por oito minutos até Camp Bastion, com mais de 20 pessoas a bordo, boa parte delas ferida.

Se não fosse o BN, ele teria conseguido?

Referências:

Leia também:

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Mauricio R. março 6, 2010 às 09:42

Toc, toc, toc, bata 3 vezes na madeira, BN!!!

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Mauricio R. março 6, 2010 às 09:48

Aliás o dona RAF, lembrei de uma certa histórinha de um DH Mosquito que barbarizou contra os chucrutes, somente p/ se espatifar em um aeroporto canadense c/ tripulação e tdo!!!
Presta atenção e tira o BN de serviço, enquanto há tempo.
Para quem assim do nada e “em crise”, comprou 22 Chinooks novinhos em folha, acrescentar + um; não deve ser difícil.

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Gunter março 6, 2010 às 19:26

Parabens pelo site! Quanto ao artigo sobre o “BN” simplesmente fantástico, impressionante!

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Carcará março 7, 2010 às 12:38

Excelente matéria!

Esse pode dizer que “nasceu” virado para a lua!

Ps..:: gostaria de agradecer os documentos citados da anti-aérea no outro blog!

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Carcará março 7, 2010 às 12:38

Aliás… sabes dizer se o piloto sobreviveu à este ferimento?

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Defourt março 19, 2010 às 15:58

Mas que história realmente incrível.
Que curriculum…

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Defourt março 19, 2010 às 15:59

Carcará,

Bem lembrado! Ficamos tão hipnotizados pela incrível história que nem lembramos do piloto…

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PFF março 19, 2010 às 20:58

Eu não vi nenhuma notícia sobre ele após o ocorrido. Acredito que ele tenha saído bem da história, apenas com o ferimento entre os olhos.

Afinal, ele estava no Bravo November, não?

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Renato maio 16, 2010 às 11:14

Outro exemplo de como os britânicos são supersticiosos. No museu de submarinos da RN me contaram a história do HMS Totem, único submarino britânico que já teve esse nome, o qual ganhou um Totem de presente de uma tribo canadense. O barco não ia em missão sem o tal totem e chegaram a fazer outro igual quando o original foi roubado em Halifax.

Quando o submarino virou o INS Dakar, os israelenses doaram o totem para o museu e o submarino afundou logo depois, na viagem para Israel.

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