Ajustes para o recebimento dos AH-2 pela FAB

by PFF on 15 de março de 2010 · 15 comments

in Aviação Militar

AH-2 Sabre

Foto: Revista Asas


Uma equipe técnica russa inicia hoje, em Porto Velho, os trabalhos para sanar dois problemas que tem atrasado a aceitação oficial dos helicópteros de ataque Mi-35M, de fabricação russa, pela Força Aérea Brasileira (FAB). Os problemas em si, na verdade, são absolutamente normais e previsíveis no caso da entrada de um tipo totalmente novo em serviço, ainda mais tratando-se de um modelo oriundo de um país, a Rússia, de onde o Brasil nunca operou qualquer aeronave militar antes. Basicamente, segundo a reportagem de ASAS apurou com exclusividade, tratam-se de ajustes de compatibilidade entre a aviônica das aeronaves e o sistema de comunicação existente nos capacetes de voo padrão da FAB, de origem norte-americana; e a adaptação da fonte de força externa brasileira aos helicópteros.

Uma vez sanados estes problemas, a FAB irá definir a data para a cerimônia de recebimento oficial dos Mil Mi-35M e sua apresentação oficial para a imprensa.

Por outro lado, o segundo lote de helicópteros deve ser entregue em julho.

Referência: Revista ASAS, via Plano Brasil

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Alguem sabe se o cronograma de entrega dos AH-2 está em dia, pois, segundo o previsto já deveríamos estar com a dotação destas aeronaves completa.

Eu acredito que estejam em dia, sim.

No primeiro semestre do ano passado, foi publicado um calendário previsto com as datas das entregas ( http://vootatico.com.br/archives/1354 ). Vale ressaltar que apesar de essas datas terem sido divulgadas, os contratos normalmente não trazem as datas fixas e sim "XXX dias depois de tal pagamento".

Doze helicópteros, é muito pouco.
Deveriam comprar MI 35 tanbém para a aviação do exército.
Pelo menos mais 24 para FAB, e 36 MI35 para a aviação do exército.
Para o tamanho do Brasil ainda seria pouco.

Diante da matéria veiculada pela Revista Asas e dos comentários decorrentes, tanto neste site como no Plano Brasil, gostaria de compartilhar com os amigos algum conhecimento, fruto de vivência e observação em mais de 20 anos na atividade. A FAB opera helicópteros desde 1953 e, até o renascimento da Aviação do Exército em 1986, as principais atividades realizadas por essas plataformas eram o SAR e o apoio à força terrestre. A partir desse renascimento, pode a FAB destinar plenamente seus helicópteros ao cumprimento de seu papel como vetores de força aérea, isto é, manter/conquistar superioridade aérea, realizar Combat-SAR. O estudo do emprego do poder aéreo e a análise dos conflitos mais recentes, especialmente a Guerra do Golfo (quando o primeiro alvo foram radares, destruídos por helicópteros de ataque AH-64 Apache, criando um "corredor" para a entrada dos jatos até Bagdá) sinalizavam para o emprego do helicóptero nas missões SDAI (Supressão de Defesa Aérea Inimiga), além de várias outras já consagradas. Essa missão requer um vetor especial, com determinados requisitos operacionais, encontrados nos chamados "helicópteros de ataque". Trata-se de helicópteros concebidos especialmente para essa missão, que acabam por excluir helicópteros "multi-tarefa", "utilitários artilhados", como queiram chamá-los. Tais requisitos são encontrados em maior ou menor grau nos helicópteros conhecidos por todos, alguns sitados pelos amigos, como Apache, Cobra, Tiger, Mangusta, Hind, Aligator, etc. Contudo, uma coisa é a concepção doutrinária, outra coisa é convencer a autoridade militar a investir parte dos exíguos recursos nessa linha, e outra ainda é convencer a autoridade governamental a autorizar esse gasto. Dessa forma, é perfeitamente possível que os pilotos tenham vislumbrado voar o americano Cobra ou o europeu Tiger mas, por razões orçamentárias ou pelas relações comerciais entre países, tenham sido adquiridos os russos Mi-35. É bem possível também que a adoção de um projeto completamente novo no Brasil como o russo gere uma série de problemas também inéditos, contudo, é provável que surjam perspectivas e oportunidades extremamente benéficas, tanto sob o ponto de vista militar, como de engenharia e até comerciais. Recentemente, pela primeira vez na história da FAB, um piloto disparou um míssil guiado ar-solo, com o Mi-35, lá na Rússia, algo impensável anos atrás. Certamente que todo helicóptero tem virtudes e defeitos, além de uma relação custo-benefício. Contudo, cumpre-me tranquilizar todos os entusistas que curtem o assunto e visitam este e outros sites, que nossas Forças Armadas costumam explorar ao máximo as virtudes dos equipamentos que lhes são disponibilizados, superando todos os obstáculos com o profissionalismo e a dedicação dos homens e mulheres que compõem seus efetivos. Forte abraço a todos.

Otima analise!

Obrigado Cominato!

Belo comentário Cominato,
Bem lúcido e explicativo.
O MI35 é um belo Heli de Ataque.
Esperamos mas aparelhos como este.

Abs.

Na verdade nao sei como que chegaram a uma conclusao pra poder comprar esse trabolho monte de lata voador, ja sabemos que isso ai foi a troca de carne por lata velha, na verdade nao entendi essa troca, alguem saberia me dizer qual seria o papel desses helis na regiao amazonica???? Poderiamos ter comprado um puro sangue pra tais missoes, pois de transporte ja temos vetores que ja sao provados, essa de trazer um russo agora, "mais dor de cabeca", Gostaria de saber onde foi parara o tal de padronizacao que eles tanto falam, se tivesse comprado os ks-50 ou os mi-28 teriam muito mai spoder de fogo. so espero que nos politicos pensassem com a cabeca e nao com o bolso...

Interessante essa notícia. Não tinha um pessoal da FAB na Rússia cuidando dos detalhes técnicos? Esse pessoal não viu a incompatibilidade desses itens durante a produção das aeronaves? Aliás, isso não deveria ter sido verificado ainda durante os testes que antecederam a escolha?

Essa notícia não está dizendo tudo. Tem mais coisa escondida aí sobre a não aceitação dessas aeronaves.

Como o autor do Plano Brasil disse, essas coisas podem acontecer. Não é bom que aconteçam, mas acontecem, infelizmente.

Notem que não é problema de birra com o capacete russo. A necessidade de usar os capacetes já padronizados, no modelo americano, é o modelo do NVG. Com capacetes russos, teríamos que usar NVG russos.

Montar uma segunda linha de manutenção e adaptar a técnica de pilotagem com NVG com certeza seria mais complexo do que adaptar a voltagem e a impedância dos capacetes.

Notem que eu havia dito isso em maio passado ( http://vootatico.com.br/archives/1806 ). Claro que não havia previsto os problemas, mas que teria que haver a adaptação dos capacetes.

Meu!!! É tipico do jeitinho brasileiro, se esses trambolhos são uns absolutos nada a ver c/ o restante do inventário, pq não compraram os capacetes russos p/ voar neles???
Aeronave ex-soviética/russa tem uma certa compatibilidade c/ a infra padrão OTAN, mas nem tanta assim.
Vai ver foi praga de um certo sapo...
Só falta quererem usar ferramental de BlackHawk ou de Super Puma p/ fazerem a manutenção desses Hind!!!
O precedente existe. Havia em outros tempos uma linha aérea regional, que operava Bandeirante e resolveu operar jatos.
Adquiriram o BaE 146, o avião quase um pé de boi, asa alta, trem de pouso c/ banda dupla em tdas as rodas, dispensava até macaco p/ erguer a aeronave e trocar pneu.
Mas na hora de consertar as turbinas Lycomming, queriam pq queriam usar o ferramental das PT-6 do Bandera...

ta precisando se informar mais.

Pelo comentário lacônico esse deve ser o seu problema, não conhece o minimo p/ contra argumentar.

é sim, só estive na rússia fazendo o curso da aerorave e sou um dos responsável pelo seu recebimento, um grande abraço

Toma duplo!!!!!! Não fale do que vc não sabe.

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