Atualizado em 14 Abr 08 – 22h04
O iate Ponant, de bandeira francesa, foi seqüestrado há pouco mais de uma semana, no Golfo de Áden, entre a Somália e o Iêmen. As informações disponíveis são de que estavam embarcados trinta tripulantes (sendo 22 franceses e os demais russos e ingleses) e nenhum passageiro.
Há dois dias, a França conduziu uma operação para retomar a embarcação. As informações ainda são meio escassas e desencontradas; não tenho um panorama geral de como a operação foi realizada.
O que já se tem como certo é que foram empregados os meios navais da Força-Tarefa Combinada 150, helicópteros do Exército e da Marinha francesas (Super Puma, Pantera, Gazelle e Alouette), tropas anti-terroristas do GIGN e Comandos da Marinha. Notem que o GIGN é uma força policial e não militar. Não é comum atuar fora da França e estava envolvida apenas pela grande quantidade de reféns franceses. Participou da negociação e encerrou seu papel com a libertação dos reféns. A partir daí, a operação se tornou puramente militar.
Três pessoas foram mortas durante o resgate (a notícia não diz se foram reféns, piratas ou militares).
Ao término da operação, seis piratas fugiram em um carro (não sei como chegaram à terra). O veículo foi abordado e seus ocupantes foram presos. Nesta abordagem foram empregados um Gazelle com um sniper, um Pantera com a equipe de abordagem e dois Gazelles com mísseis anti-carro HOT (a opção mais “agressiva”, caso a abordagem não desse certo).
Abaixo deixo algumas fotos, vídeos e animações da operação. Quando a história toda vier a público, atualizo este artigo.
Os helicópteros franceses no convés do Jeanne d’Arc (notem que os helicópteros armados ficam voltados para o mar):

Voando para abordar os piratas em fuga:


E durante a captura:

(Todas as imagens são do governo francês)
Vídeo divulgado pelo Exército Francês:
E uma animação da captura dos piratas, feita pelo Michel Leconte:
Referências: MilitaryPhotos.net, G1
Apenas para complementar, deixo aqui alguns comentários bastante pertinentes que o papagaio fez no Fórum DB:
Apesar de diversos aspectos ainda a serem revelados nesta Operação, não podemos deixar de observar vários tópicos relevantes:
1) Operação de navios, aeronaves, equipes de operações especiais, … no litoral e em território africano, bastante distante do seu quintal Europeu. Destaca-se o pronto envio de pessoal e material para o litoral Africano. Caso a França já possuísse este tipo de suporte por lá (o que não acredito), a logística é ainda muito mais cara e complexa;
2) Operação inter-forças (navios da marinha, helicópteros do exército, equipe anti-terror da GIGN (Groupe d’Intervention de la Gendarmerie Nationale – que imagino não serem nem militares e não deve haver similar no Brasil, mas posso estar enganado);
3) Meios que NÃO são nem de longe o que há de mais moderno (os simples Allouete, o velho Porta-Helicópteros Joana Darc, …) mas que estavam realmente prontos a atuar quando necessário;
4) Rápida junção e integração de diversos setores (militares e para-militares) para uma rápida resposta a uma situação real;
5) Rápida resposta militar após uma decisão política para tal;
6) Demonstração da capacidade de dissuasão Francesa;
Nestes momentos que descobrimos que tipo de forças armadas que os países realmente possuem.
[...]
Parabéns a França.
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Muito bom, como sempre! Em tempo, a França mantém uma base lá em Djibouti, com 2800 homens, incluido forças especiais. Faz parte do TSF 150, 12 navios franceses, então "mão de obra" não iria faltar, até porque operações deles são contra terrorismo e a pirataria. Acredito que o uso do GIGN é digamos, para legalizar a prisão dos piratas junto a justiça francesa. Acho também que o uso do Joana D'Arc foi além de estratégico(claro) pois o navio e sua escolta haviam saido do Brasil em direção ao sul da Africa, Madagascar e Djibouti, ou seja indo de frente ao acontecimento, mas também foi um grande presente para este navio que ao chegar na França pode ter feito sua última viagem.
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