“Collateral Murder” – atualizado

by PFF on 12 de abril de 2010 · 13 comments

in Destaques, Operações e Análises

Publicado originalmente em 07 de abril de 2010:

Em 13 de julho de 2007, foi noticiado no blogue da agência Reuters que dois empregados seus (um fotógrafo e um motorista) haviam sido mortos no dia anterior em um subúrbio de Bagdá.

Há três dias, foi divulgado na internet, através do site Collateral Murder – nome pelo qual o episódio agora é conhecido -, o vídeo de como estes dois civis, junto com outros foram mortos em um ataque de uma seção de helicópteros do 1º/227º Regimento de Aviação da 1ª Brigada da Cavalaria Aérea.

Estes vídeos contém cenas extremamente violentas

O vídeo, como não poderia deixar de ser, causou uma grande comoção e é bastante difícil ter uma visão imparcial diante das cenas.

O Wings Over Iraq (que é escrito por um piloto do Exército americano) postou um artigo com algumas considerações que merecem ser lidas:

  • Despite the advances in thermal and optical sensors, it’s still extremely difficult for an air crew to tell an insurgent from a civilian – como eu já havia dito aqui.
  • [...] a van arrives on the scene, with figures seen carrying the wounded bodies towards the van. [...] picking up wounded bodies is not a hostile act.
  • Upon hearing that one of the victims is a young girl, the pilots laugh, “Well, it’s their fault for bringing their kids to a battle”. Wrong.

A impressão que dá é que foi cometido um erro de julgamento bastante compreensível no início da ação, pois os jornalistas estavam acompanhados por insurgentes armados, mas os procedimentos posteriores foram errados.

Eu, aqui sentado na frente de um computador, não julgo quem está submetido ao stress do combate. Parece que o Exército americano pensou do mesmo modo. A investigação que foi conduzida concedeu o benefício da dúvida à tripulação. Provavelmente essa mesma tripulação (e todas as outras de helicópteros de ataque) conduziram inúmeras missões semelhantes, com imagens nos sensores muito parecidas e que eram inimigos confirmados.

There’s only one truth about war: people die. – Sheridan

Para encerrar, uma pergunta que sempre aparece nos fóruns da internet (e até que me fizeram diretamente) é a que distância os helicópteros estavam. No começo da vídeos, a distância estava variando entre 1,1 e 1,3 km. Mais para adiante, nos momento do engajamento da van, a distância era em torno de 700 metros. A altura da aeronave estava em torno dos 1300 ft. Sobre as informações que aparecem nessa tela (TADS), leia este artigo.

Referências:

  • Collateral Murder – o site onde originalmente foi publicado o vídeo acima. Ele traz também uma outra versão não editada do vídeo, que prossegue com um engajamento com mísseis Hellfire em um prédio próximo
  • Why “COIN for Aviators” is so important – o artigo já citado do Wings Over Iraq; tem o desenvolvimento completo de cada um dos tópicos que citei e as referências ao manual FM 3-24 Counterinsurgency
  • COIN for Aviators – experiências e lições aprendidas sobre o emprego da aviação em contra-insurgência

O Frag 01/4947, de 08 de abril de 2010:

O vídeo que se segue é a versão completa, com 39 minutos. Neste vídeo não-editado podemos ver claramente que os repórteres estavam acompanhados por insurgentes armados, derrubando a teoria de que as câmeras dos repórteres teriam sido confundidas com os armamentos.

As imagens abaixo, extraídas do vídeo e postadas no Fórum Defesa Brasil, mostram claramente essas cenas:

Fica nítida também a manipulação feita pela ONG WikiLeaks, que trouxe o assunto à tona. No primeiro vídeo publicado, as cenas em que as armas apareciam foram cortadas, porém a fonia entre as tripulações não foi alterada, dando a noção de que os pilotos realmente estavam confundindo os equipamentos fotográficos com um RPG.

Não se justifica nunca a morte de pessoas inocentes mas, como diria um ex-instrutor do CIAvEx, “andorinha que dorme com morcego acorda de cabeça para baixo”.

O Frag 02/4947, de 12 de abril de 2010:

Anteontem foi publicado um blogue mostrando as diversas manipulações que a ONG Wikileaks fez no vídeo original.

Esse outro vídeo, também extraído do vídeo original e editado, mostra quais foram os procedimentos da tripulação do Crazyhorse 18 em cada uma das fases e porque foram tomados, além das alterações na fonia e nas fotos da van feitos pela ONG.

Leia também:

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Este vídeo mostra a diferença que a tecnologia fez, entre os que irão viver, e os que serão mortos. No caso o procedimento foi certo, o errado é os militares não lamentarem por matar crianças. Os repóteres sabiam que isto poderia acontecer então não há o que lamentar.

Se os combatentes ditos insurgentes não foerem Al Qaeda então morreram como heróis pela pátria, pois só porque lutam contra o invasor não podem ser classificados como terroristas, se então fossemos invadidos não nos comportariamos diferentes.

Use os erros para aprender, não para julgar... mas não deixe de aprender com eles.

Cinismo e sarcasmo no papo rádio? Vamos ver o que acontecerá com você após alguns meses de combate real e não em simuladores e manobras de treinamento.
Vamos lá; Logo no início vemos claramente insurgentes com armamento RPG e uma sub de bipé cal.7.62(suficiente para um estrago já há uns 300m), depois os jornalistas transitam com seu equipamente baixado quase da mesma forma dos insurgentes (cadê os coletes de identificação da imprensa?), e ainda vendo os dois jornalistas nem siquer braçadeira de identificação de imprensa estavam usando!
Em cada esquina das cidades iraquianas pode surgir alguém cm um RPG e acertar um apache ou qualquer outro aparelho, é um armamento farto e é impossível siquer ter uma idéia de quantos estão nas mãos da insurgência, e ainda tem o lança-rojão americano M-72 que é exatamente do mesmo tamanho de um equipamento de televisão!
E ainda a distância de 1,0 ou 1,5 km? Let's Roll!

Concordo totalmente, Gawaim. E outra coisa: é muito fácil questionar um vídeo destes. Aponto também que este vídeo só mostrava a parte que interessava ao denunciante. Temos que ver os fatos de ambas as partes. Se houve um erro, esse foi dos pilotos e o maior, foi os dos jornalistas que sabiam dos riscos e não tomaram as devidas precauções!!!

Pelo teor das palavras o companheiro deve ser combatente com experiência real, piloto de helicóptero militar ou policial. Como piloto militar de um pais pacifico, tive poucas oportunidades de exercer plenamente minha funcao combatente, apenas algumas missões de repressão ao trafico de drogas e pistas clandestinas na Amazonia anos atras. Em varias delas houve exposição ao fogo, em alguns casos disparos. Nas ocasiões em que os tripulantes mantiveram a fraseologia padrão e as tropas a bordo mantiveram-se frios e disciplinados, favoreceu o gerenciamento e a tomada de decisão pelo piloto. O militar faz emprego profissional da violencia, sua atitude e conduta sob pressão faz sim muita diferença para si e para o guerreiro ao lado. E diferente de games e simuladores, ele sempre presta contas dos seus atos.

Para os guerreiros que voam aeronaves de asas rotativas, existe enorme aprendizado nesse episódio. Aqueles combatentes passaram um bom tempo em voo pairado próximo a obstáculos, realizando lanços, expostos a toda sorte de ameaças. Ficou evidente a total dependência das tripulações nos sensores optrônicos da aeronave, para aquisição dos alvos e pontaria das armas. Avistar o inimigo com a visão "natural" já é coisa do passado faz tempo, daí reforça-se a necessidade de conhecer a fundo Guerra Eletrônica. Quem for avistado, perdeu a oportunidade de cumprir a missão, na melhor das hipóteses, e provavelmente será abatido. Percebe-se a necessidade da interação entre piloto e artilheiro, para que o helicóptero assuma posição de tiro sem ficar exposto e vulnerável, considerando ainda trajetórias de segurança, evasivas e emprego dos sistemas de defesa. A comunicação mútua deve ser clara e sucinta na descrição das intenções (há alguns exemplos de reposicionamento dos helicópteros no filme). Nota-se a dificuldade de Comando e Controle: havia alguém encarregado da autorização para o ataque, certamente em outra aeronave (talvez voando mais alto, aumentando o horizonte-rádio), tendo que tomar decisões com poucos dados disponíveis (descrição do cenário pelas tripulações engajadas no ataque). Finalmente, vimos todas as mazelas de um conflito não-convencional, em área urbana, onde o inimigo se mistura à população e não usa uniforme, onde muito do aprendizado do DICA cai por terra e muitas das RE começam a parecer distantes da realidade.
Algo que chamou a atenção e é evidente no filme em vários trechos é o cinismo e o sarcasmo no papo-rádio. Sem querer julgar quem estava "dando chance" no campo de batalha, atitudes como aquelas podem tanto prejudicar o processo de tomada de decisão em combate como comprometer o cumprimento da missão.

Essa fonia informal entre as tripulações é relativamente comum nos vídeos que são publicados. Acho que é quase uma regra.

O Sr tem razão quanto à coordenação de cabine. Hoje em dia, a coordenação é muito mais simples, pois um tripulante está vendo o outro o tempo todo (exceto no voo com NVG). A FAB irá começar a ter que se aprimorar nestes procedimentos com o início das operações do Mi-35, onde a coordenação é feita apenas pela fonia, a exemplo dos demais helicópteros de ataque.

Acredito que na maioria dos casos do US Army (não sei se esse é um deles), a C2 é feita a partir de terra, retransmitida por um VANT. Um ex-operador de VANT escreveu um artigo bastante interessante aqui: http://blog.ajmartinez.com/2010/04/05/wikileaks-co...

Trackbacks

  1. [...] En el blog Wings Over Iraq, un piloto de Black Hawk recientemente llegado de Irak, especialista en contrainsurgencia, escribe sobre la publicación del video, y hace hincapié en la dificultad de los pilotos del Apache para distinguir entre un civil y un insurgente. Los pilotos del helicóptero manifiestan durante el video que las víctimas portaban AK-47s y RPGs, y el autor del blog sostiene que luego de ver el video en reiteradas ocasiones, puede ver al menos dos figuras portando esa clase de armas (los dos periodistas iban acompañados de otras siete personas), aunque asegura que, incluso observando varias veces la grabación, su examen queda inconcluso: “podrían estar cargando cualquier cosa”. El autor condena varias situaciones. En primer lugar, lo ocurrido con la llegada de la camioneta que ayuda a los heridos. De acuerdo a los pilotos, esos hombres iban a recoger las armas y son atacados por el helicóptero: “recoger cuerpos heridos no es un acto de hostilidad”, dice el bloggero. De la misma manera, repudia la frase “es su culpa por traer niños a la batalla”. El bombardeo final sobre el edificio, asegura, también es irresponsable toda vez que, a pesar de que quienes entran al edificio se encontraban desarmados. Estas son, para el autor, fallas en las tácticas de Contra Insurgencia (COIN). El autor concluye, incluso en el post siguiente, que hay un relativo consenso en que el primer ataque, donde mueren los dos periodistas, causado por la confusión de los pilotos, fue lamentable pero consecuencia de “la niebla de guerra“. El problema, lo que genera interrogantes, es el segundo ataque al edificio, sobre personas desarmadas y una camioneta que no realizó ningún acto hostil. (En el mismo sentido va a este artículo de un sitio brasilero) [...]

  2. [...] mais no Voo Tático clicando aqui CategoriasAérea, Conflitos, Defesa, Helicópteros Comentários (0) Trackbacks (0) Deixe [...]

  3. [...] και τα φιλικά προς το ιστολόγιό μας,  ιστολόγια Voo Tático από τη Βραζιλία, το fox2 Magazine και το S T R A T E G Y – G E O P O L I [...]

  4. Collateral Murder – another view (post in portuguese, but sources are in english) http://vootatico.com.br/archives/4947 (by @vootatico)

  5. Gavarron disse:

    O outro lado… jornalistas estavam acompanhados de insurgentes…Será?
    http://vootatico.com.br/archives/4947 via @addthis

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