V – E – A – I

by PFF on 23 de abril de 2008 · 7 comments

in Aviação Militar

As quatro letras acima são uma expressão do meu comandante que significam Ver, Entender, Atuar e Impactar e bem define o nosso papel, o que devemos fazer durante o combate. Isso se aplica também à discussão do momento (pelo menos aqui do meu blog), relativo aos helicópteros de ataque que a FAB deve comprar.

As plataformas despertam nossas discussões apaixonadas, mas não faz a mínima diferença se vamos voar no Mi-35 ou no Mangusta. São ambos excelentes helicópteros que foram selecionados como finalistas da concorrência da FAB.

O que interessa realmente é se vamos comprar os mísseis Shturm, se escolhermos os Mi-35? Ou se vamos comprar o HOT, Hellfire, TOW se escolhermos o Mangusta? Ou vamos esperar o MSS-1.2 ser compatibilizado para qualquer um dos dois?

Vamos compatibilizar qualquer um dos dois para os foguetes brasileiros Skyfire ou SBAT-70 ou vamos ter que comprar foguetes Hydra, FZ ou algum daqueles russos com 20 calibres diferentes?

Eu tenho minhas preferências pessoais (muito mais subjetivas que técnicas), como todos que se interessam pelo assunto têm, mas a plataforma que atira não importa (ou importa pouco). E ter um helicóptero da ataque de última geração sem armas apropriadas não é a melhor escolha. O que realmente importa é como vamos impactar o inimigo. A FAB, com certeza, está estudando isso.

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O encadeamento lógico das idéias, de minha parte se deu, da seguinte forma :
--- Eurocopter ofereceu a fabricação do EC725 no Brasil.
--- Rosoboronexport estuda também a instalação de uma unidade de fabricação de helicópteros multiuso no Brasil, entendo ser os Mi-17-1.
Bem, Eurocopter e Rosoboronexport estão na disputa para colocar no Brasil um helicóptero medio multiuso.
Contudo, o Mi-38 que é um projeto da Euromil [Euromil é uma joint-venture da empresa Eurocopter, Mil Moscou Helicopter Plant e Kazan Helicopter Plant.], é um helicóptero médio multiuso, só que novo, e, segundo a Kazan, estará operacional em 2012.
Até lá, só para dar início, alguns Mi-17-1 atenderia.
Imagino ser melhor para o Brasil, obter e fabricar, um progeto mais novo de helicóptero, devido a maior vida útil deste projeto em relação aos EC725 e Mi-17-1.
E, tanto a Eurocopter, como a Rosoboronexport sairíam ganhando, especialmente a Euromil.
De fato, o Mi-38 será o substituto natural de todas as células dos Mi-17-1 e Mi-8 existentes hoje, creio eu , e talvez, até de alguns EC725.
Se não estou enganado, o Mi-38 neste momento entra como uma luva nas necessidades do Brasil e das Forças Armadas Brasileiras, e se não me é falha as informações, nas forças armadas na America Latina - Argentina - Chile - Venezuela - Colombia - Equador - Peru.
E, já existe boatos de estudos sendo feito para uma versão com motores mais potentes Klimov, podendo movimentar entre 16500 kg 18000 kg. S
http://airway.uol.com.br/site/noticia/not1694_70.a...

O problema, konner, é que temos vários "se" nesse negócio.

Eu não acredito que o Brasil compraria um helicóptero agora para ser substituído daqui a quatro anos. A aeronave que for comprada agora (principalmente nas quantidades que estão sendo divulgadas) irão voar nos próximos 20 ou 30 anos.

A fábrica da Eurocopter/Helibrás já existe no Brasil, com um longo histórico de relacionamento com as FA, e tem uma proposta firme de ampliação. Os russos querem montar uma fábrica de blindados policiais no Sul e disseram que também tem interesse em talvez abrir uma linha de helicópteros médios também. Tem uma diferença grande.

O Mi-38 parece um projeto interessante. Mas quase todos os países europeus acabaram de optar pelo NH90, EH101 e EC725 (que foram fabricados para atender aos requisitos da OTAN). Acho que, ao menos inicialmente, ele terá um mercado um pouco mais restrito. E atender perfeitamente a países sem dinheiro e sem histórico de grandes investimentos em defesa não é muito promissor.

Onde está Mi-17-V5/V7 é na realidade Mi-17-1V.

["As aeronaves se destinarão a resgate de pilotos das três Forças eventualmente abatidos em combate, enquanto os helicópteros do Exército se destinam ao combate propriamente dito."]

By konner on Apr 25, 2008 - Conforme artigo no defesanet. http://www.defesanet.com.br/md1/pac_13.htm

Resposta : [" Em todo caso, nem o Mangusta e nem o Mi-35 se prestam às missões de CSAR. Isso é para ser feito com os Black Hawk, Super Puma e com o futuro vencedor da concorrência dos helicópteros de transporte (que tudo indica que será o EC725)."]

By konner on May 27, 2008
Segundo matéria do defesanet http://www.defesanet.com.br/afv1/gaz_tiger.htm

[” Além da fábrica do modelo Gaz Tiger, os empresários, [da Rosoboronexport] estudam também a instalação de uma unidade de fabricação de — [helicópteros multiuso]!?!?”.]

Só por concatenação, seria exagero imaginar que os Mi-17-V5/V7 fossem o objeto de pesquisa da FAB, ["Neste momento, um piloto e um engenheiro da aeronáutica estão na Rússia para testar helicópteros visando a uma eventual compra para a Força Aérea Brasileira"], ou talvez o Mi-38, já que a Eurocopter e a Mil estão juntas no projeto?
E, ambos se prestam às missões de CSAR.

Claro que não é exagero. É real. A Eurocopter ofereceu a fabricação dos EC725 no Brasil e, por isso, a concorrência dos helicópteros de transporte foi suspensa temporariamente. Essa concorrência inclui, além do próprio EC725, o Mi-171 e o EH101 e não foi decidida ainda.

Ou seja, tanto o Mi-171 como o EH101 estão no páreo ainda. Mas acho muito difícil algum destes vencer, pois a proposta da Eurocopter parece, ao menos para quem está olhando de fora, bem mais atraente.

O Mi-38 parece bom também, mas não está operacional ainda (e não está participando da concorrência).

Através de uma joint-venture, a Rosoboronexport / JSC Arzamas produzirá em Santa Rosa, na região Noroeste do Estado, o jipe Gaz Tiger, veículo urbano para atuação em situações de patrulha e conflitos armados.
Segundo representantes do consórcio e do próprio governo o Rio Grande do Sul haverá outras oportunidades de investimentos," Além da fábrica do modelo Gaz Tiger, os empresários estudam também a instalação de uma unidade de fabricação de -- [helicópteros multiuso]!?!?".

Fonte:
http://www.defesanet.com.br/afv1/gaz_tiger.htm

Será que para este uso, quando usar, não haverá helicópteros do Exército em algum lugar próximo? Porque investir nesta distribuição de funções? Não seria mais sábio aumentar a frota do Exército? Ou ela não confia seus pilotos aos homens do Exército?

Maykson

A questão não é apenas simplesmente "quem vai pilotar".

As missões de CSAR são de responsabilidade da FAB. Ela envolve um grande número de meios, desde o AWACS fazendo a coordenação e controle, caças mantendo a superioridade aérea, aeronaves de baixa performance para escoltar a equipe. O helicóptero em si é apenas a ponta do iceberg.

Não que dizer que aeronaves do EB ou da Marinha não possam apoiar a missão da FAB. Isso ocorre em algumas ocasiões, mas a responsabilidade pelo CASR é da FAB e ela tem que estar preparada para isso.

["Mas não conheço a fundo a doutrina da FAB pra opinar."] -

DEFESA@NET 18 Abril 2008
MD 15 Abril 2008

Rússia propõe discutir transferência de tecnologia em várias áreas da Defesa

Neste momento, um piloto e um engenheiro da aeronáutica estão na Rússia para testar helicópteros de ataque daquele país, visando a uma eventual compra para a Força Aérea Brasileira. As aeronaves se destinarão a resgate de pilotos das três Forças eventualmente abatidos em combate, enquanto os helicópteros do Exército se destinam ao combate propriamente dito.
http://www.defesanet.com.br/md1/pac_13.htm

Quanto a não conhecer a doutrina da FAB, konner, eu me referia ao emprego dos mísseis AC.

Em todo caso, nem o Mangusta e nem o Mi-35 se prestam às missões de CSAR. Isso é para ser feito com os Black Hawk, Super Puma e com o futuro vencedor da concorrência dos helicópteros de transporte (que tudo indica que será o EC725).

PFF

Acho que deveriamos também pensar em quem ou contra o quê vamos atirar? Recentemente tive conhecimento de uma situação curiosa: um coronel da R/R do ARMY estava explicando o porquê, na opinião dele, o H-60 era o melhor utilitário militar do mundo em operação; e ao ser questionado sobre qual ele achava ser o melhor helicoptero do mundo, respondeu sem pensar: APACHE! E deu suas razões pessoais, o comparando com outros modelos. O mais interessante foi que no final, perguntaram o que ele achava melhor para o Brasil: Ter os dois ou apenas o H-60 armado e cumprindo todas as missões?
A resposta: "Veja bem, nós temos o Apache porque os nossos inimigos são os blindados russos; e apesar de ele cumprir outras missões, sua função principal é e vai continuar sendo caçar esses inimigos. E vocês, quem são os inimigos de vocês? Acredito que sua resposta vai estar nesse caminho..."

Mestre Luis,

Sobre isso, eu tenho um outro artigo (já até coloquei ele no blog faz tempo - http://vootatico.com/?p=108) da Military Review:

Aprender estas lições e técnicas [de guerrilha] é importante porque a guerra assimétrica não é efêmera. O Exército tem, historicamente, considerado a guerra irregular como uma anomalia temporária. Como resultado disso, não tem feito um bom trabalho para reter as técnicas da guerra assimétrica dentro de sua memória institucional.

Concordo com você que devemos definir o nosso inimigo. Se estivéssemos falando do EB, eu diria que os mísseis são totalmente pertinentes. Mas não conheço a fundo a doutrina da FAB pra opinar.

O erro desse coronel americano é achar que o inimigo ainda é o russo. O combate assimétrico é muito mais presente hoje e é para ele que os EUA estão se voltando.

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