Operação Fênix

by PFF on 18 de maio de 2008 · 3 comments

in Aviação Militar, Operações e Análises

Na madrugada de 1º de março deste ano, as forças especiais colombianas realizaram uma incursão a um acampamanto das FARC dentro do território equatoriano, matando Raul Reyes. Essa história já deu muito pano pra manga, mas na época eu estava sem internet em casa e não pude relatar como aconteceu.

Mas essa é uma operação que vale a pena ser contada. Aproveitando duas matérias do Defesa@Net, uma do Nelson During, publicada logo após o ataque, e outra do General Álvaro, publicada anteontem, vamos conhecer os detalhes da ação:

Em meados do mês de fevereiro deste ano, a operação de inteligência cumpriu integralmente seu objetivo, com a localização exata do alvo, em área montanhosa coberta por selva, situada a 1800 metros ao Sul do Rio Putumayo, tendo sido instalado no terreno, um GPS beacon que possibilitou às inteligências colombiana e norte-americana o levantamento preciso das coordenadas daquela base das FARC.

Assim, com o objetivo do ataque oportuna e precisamente localizado, o Destacamento de Operações Especiais (DstOpEsp) colombiano infiltrou, antecipadamente, em território equatoriano, um “Comitê de Recepção”, constituído por Operadores de Forças Especiais, com a finalidade de efetuar um reconhecimento final da área do objetivo, estabelecer uma ação de vigilância aproximada sobre aquela área, atuar como Guias Aéreos Avançados no ataque aéreo planejado, e operar a zona de pouso para helicópteros para a ação de investimento ao objetivo. Concluída a preparação de inteligência, confirmou-se o dia D, como 1º de março. A infiltração do grosso do Escalão de Assalto do DstOpEsp foi efetuada por helicópteros UH-60L, Black Hawk.

Uma esquadrilha de aeronaves de caça A – 29, Super Tucano (fabricadas no Brasil, pela EMBRAER), pertencentes ao Escuadrón de Combate 211 Grifo, da Força Aérea Colombiana (FAC), recebeu luz verde para o desencadeamento da ação ofensiva e decolou da Base Aerea de Tres Esquinas, uma instalação militar conjunta colombiana e norte-americana situada no Sul da Colômbia, aos 25 minutos do dia D. A hora sobre o objetivo (HSO – horário de lançamento do armamento no alvo) da ação de apoio aéreo aproximado desencadeada pelos Super Tucanos foi a 01:00h. Apoiado pelos Guias Aéreos Avançados do Comitê de Recepção, com as bombas de fragmentação guiadas por laser, o ataque aéreo foi magnificamente coroado de êxito.

Conforme posteriormente divulgado, Raúl Reyes sobreviveu ao lançamento das bombas, porém foi vitimado por uma mina terrestre que lhe extirpou o pé direito, quando tentava fugir do acampamento. Imediatamente após o ataque das aeronaves de caça, o Escalão de Assalto investiu em sua ação no objetivo, desembarcando dos helicópteros, em pouso de assalto, diretamente sobre o alvo, eliminando os sobreviventes remanescentes, ao mesmo tempo que um Grupo de Tarefas Especiais resgatava o corpo de Reyes, o seu computador laptop, e o corpo de Julián Conrado, retraindo, em seguida, para território colombiano. Duas horas após a ação no objetivo, os integrantes do Grupo de Tarefas Especiais retornaram à área do acampamento para um resgate complementar de hard drives, bem como de memory sticks.

Tendo em vista neutralizar a aproximação de elementos de combate das FARC que, após a quebra do sigilo da incursão, iniciaram deslocamento para a área do objetivo, as aeronaves de caça colombianas desencadearam sobre eles, quando ainda se encontravam em território colombiano, uma nova ação de apoio aéreo aproximado, fazendo novas baixas na força de guerrilha e possibilitando que o retraimento e a exfiltração de todo o DstOpEsp fossem efetuados, com segurança, ainda durante a madrugada.

O local da operação. Em vários sites constam as coordenadas deste local, na curva do Rio Putamayo. Este local, entretanto, ainda é território colombiano. O relato do General Álvaro diz que a operação ocorreu 1800 metros ao sul do rio. Indo um pouco para o sul podemos divisar algumas clareiras, mas nada que permita uma identificação melhor, mesmo porque a resolução da foto não é boa:


Exibir mapa ampliado

Este é o vídeo feito pelos operadores colombianos:

Vale a pena ler o texto completo os dois artigos e ver mais detalhes da operação.

Referência: Operação Fênix – Anatomia de um ataque e As FARC desnudadas

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Olá Piffer, obrigado pela pronta resposta.

Quanto ao artigo, esse é bem interessante, mas acredito que eu estava lembrando sobre um que falava sobre conflitos de baixa intensidade e uso de helicopteros para isso.

Bem, quanto as missões de transporte em geral eu nem questiono, a valia dos Helicopteros nesse tipo de emprego acredito ser indiscutível. Vide a tentativa de se produzir o Osprey, quantos anos, vidas e dinheiro não foram ceifadas nesse projeto?

Me referia mesmo às qualidade inerentes de um helicoptero de ataque, que justifique o seu desenvolvimento e aquisição em relação aos vetores de asa fixa já existentes no mercado.

Mas como você colocou existe o fator flexibilidade, ter meios de ataque aéreo já organicos das tropas terrestres é mais prático e eficiente que procurar coordenar com outras forças, o que no meu entimento existem problemas de alongamento da cadeia de comando e de logistica pra isso.

Bem, mas quanto ao fator praticidade, com um alto grau de integração que comunicações e doutrinas avançadas permitem nos dias de hoje, já não seria um problema, vide os controladores aéreos avançados junto aos destacamentos menosres como companias e pelotões. Sendo assim, um único operador com um telemetro laser e uma avançada suite de comunicação portatil pode concentrar um imenso poder de fogo.

Esse grau de integração se viu já nas forças armadas norte americanas, onde já se viu até B2 usando bombas guiadas por GPS, sendo direcionados para alvos de conveniencia na última hora por meros controladores avançados.

Já no caso do Brasil, acho que ainda não chegamos nesse patamar de intregração de tropas.

Bem mas como não tenho conhecimento de causa, estou apenas no achismo mesmo.

Obrigado pelas informações.

Boa noite Piffer e colegas leitores do Vôo Tático.

Esta ação me chamou a atenção para um questionamento meu, que há muito gostaria de debater com alguém mais inteirado no assunto, principalmente alguém conheça bem as necessidades e aplicações do emprego tático de Helicopteros. Sei que estou no lugar certo devido às atividades profissionais do proprietário do Blog, o Piffer. Mas não sei bem se vou fazer o questionamento como um comentário na matéria mais adequada, no entanto, o objetivo é com que mais gente interessada veja mesmo e possa dar sua opinião também aqui.

Sei que já li um post no antigo blog, sobre o emprego tático de helicópteros de ataque, mas agora não estou encontrando. Mas vou começar pelo motivo o qual vi meu encejo possível aqui. Esta ação viu o emprego do A29, classificada como uma aeronave ideal para ações em conflitos de baixa intensidade, usar armamento "hightech" de forma muito bem sucedida.

Temos ai um cenário onde muitos poderiam apontar o helicóptero de ataque com poderosa suite optrônica, como um "agente" ideal para a ação. cumprindo a mesma missão dos Super Tucanos. Onde de uma posição distante, poderia identificar com meios próprios e atingir os mesmos alvos com poder de fogo devastador e depois até rastrear guerrilheiros isolados e plota-los para as forças terrestres capturarem.

Bem, para não me estender muito nesse primeiro post, a pergunta é: Por que há necessidade de helicópteros de ataque tão caros, se temos plataformas em aviões tão eficientes e mais baratas?

Vamos pegar o exemplo do KA50 vs SU25T, já que eles são tão comentados aqui devido a espectativa do lançamento desse novo simulador realista para helicóptero.

Bem, para que exatamente se investe tanto recurso em desenvolver e manter um vetor de asa rotativa como o KA50? Se temos um SU25T que pode levar a mesma suite de armas ou até mais. Pode operar próximo da linha de frente em condições mal preparadas e ainda por cima já tem um projeto que pelo tempo em serviço, já foi pago a muito tempo.

Sei que o Helicóptero tem suas vantagens em poder pousar e operar de maneira bem antônima a um avião, mesmo assim, justifica-se ter um investimento tão caro, se existem vetores de asa fixa tão capazes quanto?

Desculpem minha ignorância no assunto, mas isso foi um questionamento que sempre esteve na minha cabeça, e nunca tive oportunidade de falar a respeito assim abertamente com ninguém.

Desculpem o post meio longo.

Seus questionamentos são totalmente pertinentes, Aulette.

Talvez o artigo do qual você esteja falando seja este:
http://vootatico.com.br/archives/62

De fato, o avião é mais barato e leva mais armamento que o helicóptero sempre. A vantagem do uso do helicóptero está justamente em fazer coisas que o avião não faz, notadamente o vôo pairado ou em velocidade muito baixa.

Transpondo essa característica para o campo tático, podemos citar a capacidade de manter uma vigilância sobre uma posição ou setor específico, escoltar comboios, realizar ataques sem saber exatamente a posição do inimigo ou a hora exata em que ele irá passar numa determinada posição, reconhecer com mais detalhes que um avião um eixo ou uma zona etc. Sem contar as missões de emprego geral, com transporte de cargas ou tropas para locais não preparados, que só
podem ser feitas por helicópteros.

Doutrinariamente podemos dizer que a FAB sempre opera a partir de uma base áerea ou outro aeródromo que normalmente estará longe da tropa a ser apoiada. As ligações são mais difícieis e têm que ser planejadas com mais antecedência. A AvEx fica no terreno, acampada junto da tropa
que está sendo apoiada. Isso dá uma flexibilidade muito maior na hora que temos que realizar uma operação ou conduta que não havia sido prevista com antecedência.

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