Na madrugada de 1º de março deste ano, as forças especiais colombianas realizaram uma incursão a um acampamanto das FARC dentro do território equatoriano, matando Raul Reyes. Essa história já deu muito pano pra manga, mas na época eu estava sem internet em casa e não pude relatar como aconteceu.
Mas essa é uma operação que vale a pena ser contada. Aproveitando duas matérias do Defesa@Net, uma do Nelson During, publicada logo após o ataque, e outra do General Álvaro, publicada anteontem, vamos conhecer os detalhes da ação:
Em meados do mês de fevereiro deste ano, a operação de inteligência cumpriu integralmente seu objetivo, com a localização exata do alvo, em área montanhosa coberta por selva, situada a 1800 metros ao Sul do Rio Putumayo, tendo sido instalado no terreno, um GPS beacon que possibilitou às inteligências colombiana e norte-americana o levantamento preciso das coordenadas daquela base das FARC.
Assim, com o objetivo do ataque oportuna e precisamente localizado, o Destacamento de Operações Especiais (DstOpEsp) colombiano infiltrou, antecipadamente, em território equatoriano, um “Comitê de Recepção”, constituído por Operadores de Forças Especiais, com a finalidade de efetuar um reconhecimento final da área do objetivo, estabelecer uma ação de vigilância aproximada sobre aquela área, atuar como Guias Aéreos Avançados no ataque aéreo planejado, e operar a zona de pouso para helicópteros para a ação de investimento ao objetivo. Concluída a preparação de inteligência, confirmou-se o dia D, como 1º de março. A infiltração do grosso do Escalão de Assalto do DstOpEsp foi efetuada por helicópteros UH-60L, Black Hawk.
Uma esquadrilha de aeronaves de caça A – 29, Super Tucano (fabricadas no Brasil, pela EMBRAER), pertencentes ao Escuadrón de Combate 211 Grifo, da Força Aérea Colombiana (FAC), recebeu luz verde para o desencadeamento da ação ofensiva e decolou da Base Aerea de Tres Esquinas, uma instalação militar conjunta colombiana e norte-americana situada no Sul da Colômbia, aos 25 minutos do dia D. A hora sobre o objetivo (HSO – horário de lançamento do armamento no alvo) da ação de apoio aéreo aproximado desencadeada pelos Super Tucanos foi a 01:00h. Apoiado pelos Guias Aéreos Avançados do Comitê de Recepção, com as bombas de fragmentação guiadas por laser, o ataque aéreo foi magnificamente coroado de êxito.
Conforme posteriormente divulgado, Raúl Reyes sobreviveu ao lançamento das bombas, porém foi vitimado por uma mina terrestre que lhe extirpou o pé direito, quando tentava fugir do acampamento. Imediatamente após o ataque das aeronaves de caça, o Escalão de Assalto investiu em sua ação no objetivo, desembarcando dos helicópteros, em pouso de assalto, diretamente sobre o alvo, eliminando os sobreviventes remanescentes, ao mesmo tempo que um Grupo de Tarefas Especiais resgatava o corpo de Reyes, o seu computador laptop, e o corpo de Julián Conrado, retraindo, em seguida, para território colombiano. Duas horas após a ação no objetivo, os integrantes do Grupo de Tarefas Especiais retornaram à área do acampamento para um resgate complementar de hard drives, bem como de memory sticks.
Tendo em vista neutralizar a aproximação de elementos de combate das FARC que, após a quebra do sigilo da incursão, iniciaram deslocamento para a área do objetivo, as aeronaves de caça colombianas desencadearam sobre eles, quando ainda se encontravam em território colombiano, uma nova ação de apoio aéreo aproximado, fazendo novas baixas na força de guerrilha e possibilitando que o retraimento e a exfiltração de todo o DstOpEsp fossem efetuados, com segurança, ainda durante a madrugada.
O local da operação. Em vários sites constam as coordenadas deste local, na curva do Rio Putamayo. Este local, entretanto, ainda é território colombiano. O relato do General Álvaro diz que a operação ocorreu 1800 metros ao sul do rio. Indo um pouco para o sul podemos divisar algumas clareiras, mas nada que permita uma identificação melhor, mesmo porque a resolução da foto não é boa:
Este é o vídeo feito pelos operadores colombianos:
Vale a pena ler o texto completo os dois artigos e ver mais detalhes da operação.
Referência: Operação Fênix – Anatomia de um ataque e As FARC desnudadas
Leia também:
- Operação de contra-terrorismo em Cabul
- Helicópteros brasileiros partem para resgate de reféns das Farc
- Considerações sobre a Operação Neptune Spear (atualizado)


Olá Piffer, obrigado pela pronta resposta.
Quanto ao artigo, esse é bem interessante, mas acredito que eu estava lembrando sobre um que falava sobre conflitos de baixa intensidade e uso de helicopteros para isso.
Bem, quanto as missões de transporte em geral eu nem questiono, a valia dos Helicopteros nesse tipo de emprego acredito ser indiscutível. Vide a tentativa de se produzir o Osprey, quantos anos, vidas e dinheiro não foram ceifadas nesse projeto?
Me referia mesmo às qualidade inerentes de um helicoptero de ataque, que justifique o seu desenvolvimento e aquisição em relação aos vetores de asa fixa já existentes no mercado.
Mas como você colocou existe o fator flexibilidade, ter meios de ataque aéreo já organicos das tropas terrestres é mais prático e eficiente que procurar coordenar com outras forças, o que no meu entimento existem problemas de alongamento da cadeia de comando e de logistica pra isso.
Bem, mas quanto ao fator praticidade, com um alto grau de integração que comunicações e doutrinas avançadas permitem nos dias de hoje, já não seria um problema, vide os controladores aéreos avançados junto aos destacamentos menosres como companias e pelotões. Sendo assim, um único operador com um telemetro laser e uma avançada suite de comunicação portatil pode concentrar um imenso poder de fogo.
Esse grau de integração se viu já nas forças armadas norte americanas, onde já se viu até B2 usando bombas guiadas por GPS, sendo direcionados para alvos de conveniencia na última hora por meros controladores avançados.
Já no caso do Brasil, acho que ainda não chegamos nesse patamar de intregração de tropas.
Bem mas como não tenho conhecimento de causa, estou apenas no achismo mesmo.
Obrigado pelas informações.
- spam
- offensive
- disagree
- off topic
Like