pelo Ten Cel V. G. Istratiy1, traduzido do inglês por PFF
Em outubro de 1985, recebemos relatórios da inteligência de que um centro de treinamento inimigo, que havia sido montado para adestrar operadores de mísseis superfície-ar portáteis, estava localizado ao sudoeste de Kandahar.
Baseado no relatório da inteligência, meu comandante de batalhão me apresentou o seu conceito da operação2. Minha 12ª Companhia de Assalto Aéreo conduziria um pouso de assalto e estabeleceria a segurança de uma Zona de Desembarque (Z Dbq) próxima ao centro de treinamento em 13 de outubro. Então, quando o restante do batalhão chegasse, nos juntaríamos a ele e ajudaríamos na conquista e destruição do centro de treinamento.
Preparamos nossa força para o combate no nosso campo de treinamento. Enfatizamos a organização para o assalto, incluindo uma análise detalhada de operações anteriores que repassamos em detalhes com o nosso pessoal e então analisamos as missões dos pelotões e comandantes de companhia. Usamos fotografias aéreas para aperfeiçoar os detalhes do planejamento. A partir destas fotos, identificamos “zonas mortas” na aproximação para o objetivo, assim como posições de tiro inimigas e alvos para fogo aéreo e artilharia.
Tivemos as 48 horas que antecediam o início da operação para nos prepararmos. O comandante do batalhão planejou cuidadosamente a missão de cada pelotão na carta e fez o “jogo da guerra”3 com várias contingências. Dedicou especial atenção ao equilíbrio do poder de fogo das subunidades e o apoio aéreo. Ao mesmo tempo, o comandante do batalhão designou pessoalmente as posições dos morteiros e dos AGS-17, bem como os locais de Postos de Comando (PC) e Postos de Observação (P Obs) das companhias. Enquanto “jogava” as condutas, uma atenção particular foi dada às ações do meu grupo avançado e como nós conquistaríamos e manteríamos a Zona de Desembarque (Z Dbq).
A minha 12ª Companhia de Assalto Aéreo pousou na Z Dbq na manhã de 13 de outubro. Apesar do cuidadoso planejamento, ficamos isolados da força principal do batalhão. Depois de um dia inteiro de combate, a situação se tornou crítica, com a munição se esgotando e as tentativas de nos ressuprir por helicópteros falhadas. Meus homens tinham que disparar tiros em modo semi-automático ao invés de rajadas. Eu solicitei apoio aéreo e de artilharia sobre o inimigo continuamente.

A força principal do batalhão tentou abrir caminho até mim, mas ficou nítido que não conseguiriam antes da manhã de 14 de outubro. Não poderíamos deter o inimigo por tanto tempo. Então, após rever a situação, decidi atacar ao cair da noite. O 3º Pelotão deveria tomar a encosta sudeste da elevação 2825 e, junto da força de cobertura, distrair o inimigo. O 1º e 2º Pelotões cercariam o inimigo pelo oeste e leste e, às 0230h de 14 de outubro, atacariam simultâneamente a partir de duas direções para conquistar a base, capturar a munição e manter a base até a chegada do batalhão.
Meu plano funcionou e, às 0400h, tomamos a base sem baixas. Capturamos três metralhadoras pesadas DshK, dois canhões sem recuo, 17 armas leves e munição. Às 0600h, o inimigo tentou retomar a base, mas nós o rechaçamos. Durante o combate, minhas tropas utilizaram armas e munição capturadas do inimigo. Quando o corpo principal do batalhão chegou, castigou pesadamente o inimigo e o forçou a se retirar, negando-lhe a oportunidade de retomar a base.
Comentários da Academia de Frunze
Este exemplo de combate nos mostra que o equipamento apropriado para uma tropa de assalto aéreo, incluindo munição, ração, água e baterias para os rádios, é essencial. Além disso, devemos nos assegurar que haja um ressuprimento ininterrupto e acesso à uma Zona de Desembarque (Z Dbq) segura. O ressuprimento pode determinar o curso de uma batalha nas montanhas. Tão importante quanto o ressuprimento e evacução dos feridos, o tempo necessário para atingir os objetivos da missão depende de quão bem é realizada a coordenação com a aviação. As condições meteorológicas são um fator de capital importância para o emprego da aviação em combate assim como a efetividade da defesa anti-aérea inimiga. Quanto mais perto do objetivo forem as Z Dbq, ou quanto menor for a quantidade delas, mais difícil será o ressuprimento das forças ou a evacuação aeromédica num tempo apropriado.
Durante uma outra batalha (em 21 de julho de 1985) nas vizinhanças da vila de Alikheyl’, um batalhão precisou empregar parte de seu efetivo para rapidamente abrir uma clareira em uma área de árvores e arbustos e grandes pedras para criar uma Zona de Pouso de Helicópteros (ZPH)4 para evacuar seus feridos, pois a ZPH original estava sob fogo inimigo. Algumas vezes, durante o curso desta batalha, o único meio de ressuprir as unidades era lançar os suprimentos a partir dos helicópteros. A comida e a água eram colocadas em bolsas ou recipientes de borracha dos estoques de material de defesa química antes de serem lançados. Assim, sem embalagens apropriadas para o lançamento, metade da comida e da água eram perdidos na queda.
Para combater de maneira isolada durante três ou quatro dias, cada combatente aeromóvel necessita carregar o seguinte: três ou quatro dotações de munição para o seu fuzil, quatro granadas de mão (duas delas defensivas), uma granada anti-carro para o lançador RPG-18 para cada dois militares, dois petardos de 200 gramas de TNT com luvas de estilhaçamento, cinco fumígenos e cinco sinalizadores com pára-quedas (ou granadas fumígenas laranjas que podem ser usadas para sinalizar ou fazer uma cortina de fumaça), quatro granadas de morteiro 82 mm (se houver uma seção de morteiros) ou um cofre de munição para o AGS-17, rações para três a cinco dias, dois ou três cantis de água ou chá, um poncho, meio pano de barraca e uma cobertura para cada dois militares ou um saco de dormir. O peso de todo este material é de 35 a 40 kg. Se o ressuprimento regular for assegurado, esta carga considerável pode ser diminuída.
Comentários dos editores norte-americanos
Neste episódio, uma companhia de assalto aéreo esgotou sua munição em um dia de combate. Isto se deve parcialmente à filosofia soviética de usar armas leves para realizar o fogo de supressão e, eventualmente, matar o inimigo. O ocidente quer matar o inimigo com armas leves e usar as armas coletivas para realizar o fogo de supressão. O seletor de tiro dos fuzis soviéticos vai da posição de segurança para automático e depois para semi-automático. O seletor de tiro dos fuzis ocidentais vai da posição de segurança para semi-automático e depois para automático. O ocidente vê o tiro semi-automático como norma. Os soviéticos viam o tiro automático como norma. Talvez os soviéticos devam dedicar mais tempo ao tiro de precisão durante a contra-guerrilha. Isto economiza munição. Nas montanhas, uma fuzil de repetição, com bom alcance e precisão, é mais útil que um fuzil de assalto de tiro rápido (exceto em emboscadas).
Comentários do Vôo Tático
No Brasil, consideramos que as unidades aeromóveis e pára-quedistas têm uma capacidade de durar na ação de 48 horas. Após isso, tem que ser substituídas ou ultrapassadas por outra unidade. Se forem ressupridas, podem permanecer por mais tempo. O ressuprimento é sempre uma operação arriscada, pois os meios são vulneráveis e não existe mais o fator surpresa. Se possível, devemos optar pela substituição da tropa ao invés do ressuprimento.
Notem o tipo de material que faz parte do aprestamento do Exército Soviético. Os russos podiam levar chá, e não apenas água, no cantil (no Exército Brasileiro, devido ao clima quente e à ração operacional ser desidratada, a quantidade de água que cada militar transporta é maior). Existiam (ou existem), além das granadas de mão, petardos de TNT com luvas de estilhaçamento. Talvez sejam mais baratos que as granadas em si e sirvam para montar armadilhas. Os soviéticos também fazem um uso intensivo de fumígenos e sinalizadores (dez por homem). Com certeza, além de pesada, a carga é bastante volumosa.
Leia também:
- Destruição de uma força de guerrilha por um assalto aeromóvel tático na província de Lowgar
- Um Assalto Aeromóvel na Área da Vila de Rumbasi
- Assalto Aeromóvel e Cerco do Inimigo no Vale do Lar-Mandikul


Realmente não sei dizer. É certo que o tiro automático é mais difícil de controlar; quem não acerta o alvo disparando tiro a tiro, também não irá acertar no modo automático. Talvez seja uma particularidade da doutrina mesmo.
- spam
- offensive
- disagree
- off topic
Like