Publicado originalmente em 12 Jul 10:
Da mesma maneira que no artigo sobre as facas, as lanternas aqui citadas são as que eu conheço e servem para ilustrar cada tipo de equipamento. Com certeza, existem outras marcas e modelos com características semelhantes e que podem também atender às necessidades específicas.
Quando eu entrei para o Exército, há quase vinte anos, o objeto do desejo em termos de lanterna era a clássica lanterna-cotovelo, usada desde a 2ª Guerra Mundial, mas que foi consagrada na Guerra do Vietnã.
O modelo mais conhecido é a Fulton N47. Ela funciona com duas pilhas grandes, vem com lâmpada reserva e lentes de diversas cores. É resistente a água e o feixe ilumina bem a mais de cem metros de distância. O interruptor tem uma posição intermediária que faz com que a lanterna se acenda apenas enquanto o botão está sendo pressionado, bastante conveniente para sinalização.
Um modelo desse custa hoje entre 15 e 20 dólares e as cópias chinesas são bem mais baratas. Se não me engano, a nossa Aviação Naval ainda tem desse modelo disponível em seus kits.
Com o passar do tempo, se percebeu que os aviadores não necessitavam de uma lanterna tão grande e pesada. Na verdade, não são apenas os aviadores. Em poucas ocasiões, alguém vai precisar de uma lanterna como essa em uma situação de emergência ou sobrevivência.
Mini Maglite
A próxima lanterna é a Mini MAGLite. A MAGLite foi uma das pioneiras em lanternas em alumínio anodizado, que torna a lanterna bastante resistente.
Essa é, provavelmente, a lanterna mais comum de ser encontrada nos kits de sobrevivência. O modelo mais comum é a que leva duas pilhas pequenas, como essa da foto. É também resistente à água e vem com uma lâmpada reserva. A adaptação de lentes coloridas é feita com um anel de borracha, que acaba deixando a lanterna bem mais larga, dificultando um pouco o manuseio. Existem lentes de diversas cores diferentes, inclusive filtros infravermelhos e lentes verdes, compatíveis com NVG.
Como é comum na maioria dos modelos mais recentes, a Mini MAGLite também está disponível no modelo com LEDs, ao invés da lâmpada incandescente. Acredito que se alguém vai comprar uma lanterna de qualidade hoje, vale a pena investir num modelo de LED.
Outra característica interessante da MAGLite é que ela pode ser montada como uma vela. A parte frontal se desenrosca completamente, deixando a lâmpada exposta. Essa mesma parte frontal serve de suporte (ou castiçal?), mantendo a lanterna na posição vertical e iluminando todo o ambiente.
Surefire A2 LED Aviatior
A Surefire é outra marca que fabrica lanternas adequadas para o emprego em aeronaves. Ela reclama para si o título de fabricar as melhores lanternas do mundo e o seu preço reflete isso.
A Surefire A2 LED Aviator é uma lanterna de LED (existe também a versão com lâmpada incandescente), disponível com lâmpadas em diversas cores. Diferentemente da MAGLite, ela não dispõe de lentes ou filtros; o ideal é adquirir o modelo com a cor que você irá usar com mais frequência. Como referência, a luz vermelha é ideal para preservar a visão noturna a olho nu e o verde é ideal para o uso com NVG.
Outro diferencial da Surefire é que ela usa baterias de lítio 123A. Esse tipo de bateria tem condições de sustentar correntes bem mais altas que as pilhas comuns, resultando num facho de luz bastante intenso, característico dessa lanterna. Em compensação, são mais caras e não são achadas em qualquer lugar, exigindo que sempre se tenha baterias reservas.
A Gerber é uma tradicional fabricante de facas. A LMF II ASEK, da qual falei aqui e a lendária Mark II são criações da Gerber. Porém a marca também fabrica diversos tipos de ferramentas e equipamentos militares, incluindo lanternas.
Gerber Recon M-CPL Task Light
O modelo da Gerber que eu quero apresentar é a Recon M-CPL Task Light. Essa lanterna possui uma única lâmpada de LED e uma parte frontal giratória, com quatro lentes distintas: branca, vermelha, infravermelha e verde compatível com NVG.
Apesar de não iluminar tanto quanto as anteriores, essa versatilidade de ter justamente os quatro filtros que são comumente usados em operações militares já “de fábrica” é uma característica que realmente salta aos olhos. A lanterna é construída em alumínio anodizado, como as anteriores, e funciona com uma única pilha pequena (AA). Sou fã desse modelo.
Saindo um pouco do campo das lanternas de mão, vou citar aqui dois modelos:
Lip-light ML-11, com duas luzes verdes e uma IR
O primeiro é a já bem conhecida lip-light ou mic light. É uma pequena lanterna com três LEDs, que é montada sob o microfone do capacete. Os LED podem ser verdes (compatíveis com NVG), brancos, IR, vermelhos ou diversas combinações entre essas cores.
A alimentação é dada por um pequeno estojo com duas pilhas comuns (AA ou AAA) que fica preso com um velcro atrás do capacete. O emprego dessas lanterna é bem restrito e ela não ilumina bem se não muito bem ajustada; é preciso um pouco de paciência para realmente ajustá-la na posição efetiva. O botão para ligar e desligar fica na parte de trás e pode ser acionado com um movimento da boca.
SureFire HL1
O outro modelo – SureFire HL1 – não é especificamente de aviação. É uma lanterna de capacete que estou citando aqui, até mesmo por curiosidade, por estar sendo bastante empregada pelas forças da OTAN no Afeganistão.
O clip dessa lanterna foi feito para ser fixado num capacete balístico; não sei se pode ser adaptado ao capacete de voo. A lanterna tem cinco LEDs: três principais de uma cor e dois secundários de outra. Mas a característica mais interessante talvez seja o LED infravermelho na lateral. Quando acionado, esse LED fica piscando e só pode ser visto com o NVG, servindo para identificar a tropa amiga em uma situação confusa, como ocorre normalmente nos combates em localidade. O site da Surefire mostra as diversas combinações de cores disponíveis.
Light sticks em diversas cores
Por fim, cito as luzes químicas, ou light sticks, ou ainda Cyalumes, usando o nome de seu fabricante mais conhecido. Servem basicamente para sinalização (como foi feito pela Companhia de Infantaria peruana, durante a Operação Furacão Dennis, no Haiti, v. pág 4), mas podem também quebrar uma galho para iluminar ambientes pequenos. Já ouvi lendas de usar na cabine de uma aeronave num caso de pane elétrica. Não sei se é real, mas é um bom exemplo.
Light Stick Krill
Um substituto interessante para os light sticks químicos são os light sticks elétricos da Krill. O mais comum funciona com duas pilhas comuns AA, mas existem tamanhos maiores e menores também. A iluminação é inferior a de um cyalume comum. Segundo o site, ele produz a iluminação equivalente a de um cyalume depois de uma hora aceso. A vantagem é que a iluminação permanece constante, diferente do cyalume que vai se apagando com o tempo, exigindo a sua substituição se precisar ser usado por períodos prolongados. Outra característica interessante é a disponibilidade de cores, incluindo o infravermelho e o verde compatível com NVG.
O Frag 01/5554, de 17 Maio 12:
Meu amigo Hugo Tisaka disponibilizou um artigo sobre o emprego de lanternas táticas. Não é específico sobre lanternas para aviação, mas vale a pena ler: Os fundamentos da lanterna tática v.1.1.
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Ótima materia para nós aviadores. RTArmamento e Equipamento: Lanternas e outras coisas que iluminam http://bit.ly/atWRuh /via @vootatico
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