Os Eagle Flights no Vietnã

by PFF on 11 de agosto de 2010 · 5 comments

in Operações e Análises

O Eagle Flight foi uma concepção surgida na guerra do Vietnã. Consistia em uma pequena força aeromóvel, formada por um pelotão de helicópteros e um pelotão de fuzileiros, comandada por um capitão, comandante de companhia.

UH-1H

Eagle Flight decolando de Cu Chi, em março de 1970 (Foto: SP4 Henry G. Zukowski, Jr.)

O emprego mais comum do Eagle Flight era em reforço a uma força de maior valor, sendo desembarcado para bloquear uma via de acesso, eliminar sobreviventes após um ataque aéreo, reforçar pontos de difícil acesso para a tropa a pé ou ainda como força de reação imediata para apoiar patrulhas ou postos isolados. Essa ideia de Força de Reação permanece até hoje no Exército americano. Um emprego da Quick Reaction Force (QRF) pode ser visto no episódio de Takur Ghar.

O site Eleven-Bravo tem um artigo publicado sobre os Eagle Flights. Vale a pena ler para conhecer um pouco mais sobre a organização para o combate e as táticas empregadas.

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Complementando o artigo, achei em outra fonte algumas informações sobre os Eagle Flights:
1. A constituição não era restrita aos 04 Hueys. Podia ser de 01 Huey armado como posto de comando, 07 Hueys "Slicks" (sem armamento, para ransporte de tropas), 05 Hueys "Gunships" (aeronaves armadas, para escolta) e mais 01 Huey como CASEVAC (evacuação de feridos).
2. Cada companhia de helicópteros havia formado um em Nov 1964. Na mesma fonte, encontrei que cada companhia era constituída por dois pelotões de 08 "Slicks" cada mais um pelotão de "Gunships" também a 8 aeronaves, mais uma aeronave de reserva, totalizando 25 helicópteros, ou seja, o equivalente a duas companhias de helicópteros de emprego geral brasileiras mais uma aeronave de reserva.
3. Por constituirem uma força-tarefa, criaram-se laços de entrosamento e adestramento entre as tropas do Exército da República do Vietnã e as tripulações dos helicópteros, lições que foram aprendidas e aproveitadas quando da formação das unidades "Air Assault" pelos norte-americanos, uma vez que a falta de adestramento aeromóvel restringiu as operações com helicópteros no início da guerra a pouco mais que missões de transporte (aeroportabilidade X aeromobilidade).

Helicopters in Combat - The First Fifty Years, John Everett-Heath

Se não me engano, no "Sete Combates no Vietnã" (não estou com o livro aqui agora para confirmar), desses oito helicópteros do pelotão, se considerava que apenas quatro ou cinco estariam "em cima".

Dessa maneira, um pelotão de helicópteros transportaria um pelotão de fuzileiros, que era a ideia vigente na época que nossos manuais foram escritos e ainda é o previsto no Exército americano (agora com Black Hawks).

No caso dos helicópteros armados, se considerava um pelotão leve, com quatro aeronaves, ou o pelotão pesado, com cinco. O quinto helicóptero normalmente usava lançadores de foguetes XM-3 (com 24 foguetes de cada lado da aeronave).

Esse conceito de ter aeronaves a mais no nível pelotão, para conduzir a uma disponibilidade de 100% dentro do que a doutrina prevê já não é mais empregada nos EUA.

O que existe ainda são as "floats" - algumas poucas aeronaves meio que "sem dono" no nível brigada, que podem ser repassadas a qualquer unidade subordinada. Isso ocorre na prática devido à situação atual dos conflitos com aeronaves saindo com danos e outras voltando da manutenção o tempo todo.

O artigo é bem claro quanto à organização e ao emprego do Eagle Flight, mas não aborda a subordinação/enquadrameto na preparação e durante as operações.
O Sr. sabe alguma coisa a respeito?

Eu não sei nada sobre os Eagle Flights, mas dá para encontrar alguma coisa sobre a sua concepção atual, a Quick Reaction Force (QRF), como eu já citei no texto.

Da mesma maneira que os Eagle Flights, a QRF tem normalmente o efetivo de um pelotão de fuzileiros e é a reserva das FT valor batalhão ou superiores. Portanto a QRF é orgânica da FT a qual está subordinada e não uma fração à parte. Não sei se é o procedimento padrão americano manter uma reserva com um efetivo pequeno como esse ou se é assim apenas em situações específicas.

A Wikipedia diz que as grandes bases operacionais americanas também mantém suas QRF, justamente com a finalidade de apoiar patrulhas ou postos isolados. Nestes casos, provavelmente a QRF funcione num sistema de rodízio entre os pelotões.

Apenas complementando, note que a QRF necessariamente atua em prol de uma outra força, enquanto os Eagle Flights podiam atuar de maneira independente.

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