Foguetes guiados (atualizado)

by PFF on 10 de fevereiro de 2011 · 7 comments

in Aviação Militar

Publicado originalmente em 27 de agosto de 2010:

Um novo tipo de arma – na verdade a incorporação de novas tecnologias a uma arma já consagrada – vem sendo cada vez discutido, embora acredito que seu emprego seja restrito por enquanto: os foguetes guiados.

Uma ideia errada que se tem sobre esse tipo de armamento é que ele pode ser instalado em qualquer aeronave que já disponha do sistema para lançar foguetes. Seria uma solução mais barata que que instalar um sistema de mísseis completo na aeronave.

Na verdade, a questão mais complexa: de maneira geral, os foguetes guiados se utilizam dos sistemas de aquisição de alvos de mísseis já compatibilizados com a aeronave. O DAGR da Lockheed Martin, por exemplo, utiliza o sistema do míssil Hellfire e, portanto, só pode ser disparado dos helicópteros que lançam o Hellfire. Eles servem sim como uma solução mais barata para quem já dispõe de um míssil e não necessita usá-lo em alvos de menor valor.

DAGR

Um casulos com quatro foguetes DAGR ocupa o trilho de um míssil Hellfire

Outra questão, essa já um pouco mais técnica, é a maneira como os sistemas de guiamento são acoplados ao foguete. Os foguetes não-guiados se utilizam de uma alta rotação para manter sua trajetória mais estável (através da rigidez giroscópica). Um SBAT-70, por exemplo, gira a aproximadamente 20 rotações por segundo durante seu voo. Os mísseis não giram ou tem rotações bem mais lentas.

Uma das principais dificuldades técnicas, então, é adaptar um sistema de guiamento compatível com o voo do foguete. Uma das soluções encontradas foi incluir um motor elétrico que faz com que a cabeça-de-guerra adaptada gire no sentido oposto, na mesma velocidade, fazendo com que o buscador permaneça estável.

O site Sistemas de Armas publicou ontem um artigo bastante completo, abordando os diversos projetos que existem nessa área.

O Frag 01/5983, de 30 de agosto de 2010: Uma dúvida: existe algum projeto de foguete guiado adaptado a sistemas beam-rider (mísseis que “olham para trás”)? Todos os modelos sobre os quais eu li eram laser-homing ou passivos.

O Frag 02/5983, de 10 de fevereiro de 2011: O sistema LOGIR

Apesar de um ter dito que todos os sistemas de foguetes guiados utilizam um sistema de guiamento de um míssil previamente compatibilizado com a aeronave, o LOGIR (LOw-cost Guided Imaging Rocket) usa um sistema ligeiramente diferente: o foguete é guiado por uma imagem infravermelha gerada pelo alvo. Basicamente, a aeronave “tira uma foto” do alvo e carrega essa imagem no sensor do foguete. Ao ser disparado, necessariamente apontado para o alvo, o foguete persegue essa imagem até o impacto.

AH-1W LOGIR

Um helicóptero AH-1W do Esquadrão VX-31 lança um foguete guiado LOGIR durante um teste no estande naval de Point Mugu (Foto: US Navy)

Conclui-se parcialmente () que esse sistema apresenta vantagens e desvantagens em relação aos demais.

Ele é um sistema “dispare-e-esqueça”, o que diminui a exposição da aeronave que faz o lançamento. Em compensação, ele não mantém o “man-in-the-loop”: após disparado não é mais possível alterar a trajetória ou desviar para evitar danos colaterais.

O sistema de aquisição e guiamento a ser instalado na aeronave é bem mais simples que nos demais sistemas, porém ele se presta apenas a alvos estáticos ou com baixa velocidade. Como ele é guiado por uma imagem pré-carregada, uma simples curva do alvo pode fazer com que o foguete perca o alvo.

Esse sistema está sendo desenvolvido em conjunto pela Marinha americana e pela Coreia do Sul.

Referências:


-- Baixar "Foguetes guiados (atualizado)" como PDF --


About

Oficial do Exército Brasileiro, piloto e editor do site Voo Tático

Post comment as twitter logo facebook logo
Sort: Newest | Oldest

"Uma das soluções encontradas foi incluir um motor elétrico que faz com que a cabeça-de-guerra adaptada gire no sentido oposto, na mesma velocidade, fazendo com que o buscador permaneça estável." Fala sério, não seria mais simples, mais barato e mais inteligente rotacionar a imagem do sensor via software do que colocar mais um motor mecânico dentro do foguete?

Você falando assim, parece simples. Eu não sou engenheiro para opinar com propriedade. Mas que parece complicado girar metade para o lado e metade para o outro, isso parece.

A solução é ótima para Forças Armadas com restrições orçamentárias. A Raytheon desenvolveu um sistema para o SBAT 70 com os Emirados Árabes, chamado TALON. O único problema é que a Anv tenha um dispositivo de guiamento (designador) por facho laser. No Brasil, nem todas as Anv Mil de combate ter um equipamento deste instalado. Geralmente, se faz improvisação com torretas FLIR.

Note que o TALON está na mesma situação que eu citei acima: ele usa o mesmo sistema de aquisição de alvos que o Hellfire. Precisa de todo o sistema do Hellfire, exceto o míssil em si.

"Uma das soluções encontradas foi incluir um motor elétrico que faz com que a cabeça-de-guerra adaptada gire no sentido oposto, na mesma velocidade, fazendo com que o buscador permaneça estável."
Fala sério, não seria mais simples, mais barato e mais inteligente rotacionar a imagem do sensor via software do que colocar mais um motor mecânico dentro do foguete?

Você falando assim, parece simples. Eu não sou engenheiro para opinar com propriedade.

Mas que parece complicado girar metade para o lado e metade para o outro, isso parece.

O emprego dos foguetes guiados no USMC: http://www.strategypage.com/htmw/htairw/articles/...

A solução é ótima para Forças Armadas com restrições orçamentárias.
A Raytheon desenvolveu um sistema para o SBAT 70 com os Emirados Árabes, chamado TALON. O único problema é que a Anv tenha um dispositivo de guiamento (designador) por facho laser. No Brasil, nem todas as Anv Mil de combate ter um equipamento deste instalado. Geralmente, se faz improvisação com torretas FLIR.

Note que o TALON está na mesma situação que eu citei acima: ele usa o mesmo sistema de aquisição de alvos que o Hellfire. Precisa de todo o sistema do Hellfire, exceto o míssil em si.

Trackbacks

  1. [...] os foguetes guiados, eu escrevi um artigo há algumas semanas ( http://vootatico.com.br/archives/5983 ). Note que eles não são armamentos stand-alone e sim complementam um sistema de míssil já [...]

Previous post:

Next post: