Assalto aéromóvel ao ponto forte Maro

by PFF on 25 de novembro de 2010 · 12 comments

in Operações e Análises

por Toryalai Hemat[1. Toryalai Hemat foi um comandante de regimento de uma força móvel aliada a União Islâmica do Afeganistão de Sayyaf. Ele lutou em diversas províncias do Afeganistão.], traduzido por PFF

Em abril de 1987, os soviéticos e o exército afegão lançaram um ataque combinado contra um ponto forte mujahedin no distrito de Shinwar, na província de Nangrahar, próximo ao vale Nazian. O vale Nazian era densamente povoado apesar de muitos dos habitantes terem emigrado para o Paquistão para evitar os bombardeios soviéticos. O ponto forte mujahedin que o inimigo queria conquitar estava em Maro, a 70 quilômetros a sudeste de Jalalabad, próximo a fronteira do Paquistão. Diversos grupos mujahedin de diferentes facções estavam localizados ao redor de Maro e haviam provavelmente perto de 500 mujahedins bem armados na área do ponto forte. Os soviéticos chamavam este ponto forte de de região fortificada de Melava[2. O relato soviético desta batalha está no episódio 26 do livro The Bear Went Over the Mountain. O relato soviético erroneamente descreveu esta ação a nordeste de Jalalabad, um erro que o autor também cometeu baseado em um nome similar e alguns textos imprecisos.].

Durante os 18 dias que antecederam o ataque, os soviéticos realizaram ataques aéreos sobre a região. Então, uma coluna mecanizada soviética e afegã se deslocou para leste a partir de Jalalabad e, quando chegou na cidade de Shinwar, se dividiu em duas (v. mapa). Uma coluna se deslocou através de Shinwar até o vale Nazian enquanto a outra foi mais para leste até o subdistrito de Dur Baba e então atacou para sudoeste. O Comandante Saznur e seus homens defenderam a via de acesso a Dur Baba. O Comandante Khaled e eu, junto com dez outros mujahedins, defendemos Ghazgizar – o ponto mais alto da área que dominava Maro. O inimigo realizou pesados ataques aéreos contra nós. Após os ataques aéreos, helicópteros soviéticos desembarcaram forças de assalto aéromóvel no terreno elevado entre os dois eixos[3. Eram dois batalhões de assalto da 56ª Brigada de Assalto Aéreo de Gardez. Os batalhões se deslocaram por terra até Jalalabad e então até Shinwar. Então prepararam o assalto aeromóvel em um campo em Shinwar. O motivo deles não terem ido voando até Jalalabad e prepararem o assalto a partir do aeroporto é um mistério. A força de superfície era, em sua maioria da 66ª Brigada de Fuzileiros Motorizada Destacada soviética e da 11ª Divisão de Infantaria do Exército afegão.]. Foram realizadas por volta de 40 a 50 surtidas de helicópteros. Uma das zonas de pouso estava imediatamente à nossa frente. A luta foi feroz. Nove homens do meu grupo foram mortos pelas bombas ou enquanto lutavam contra a força de assalto aeromóvel. Apenas Khaled, Abdul Wakil e eu sobrevivemos. Os mujahedins (sob o comando de Saznur) inicialmente detiveram a coluna vinda de Dur Baba, mas a coluna vinda do vale Nazian avançou rapidamente e capturou Maro. Em meu grupo, nós três sobreviventes estávamos presos entre duas Zonas de Pouso de Helicópteros (ZPH). Nós escapamos da área, cruzamos a fronteira para o Paquistão e fomos a pé até próximo da vila de Bazar.

Maro

Esquema de manobra da ação no ponto forte Maro

Quando o inimigo conquistou Maro, muitos mujahedins atravessaram a fronteira e se reuniram em Bazar (agência Tirah, no Paquistão). Reforços das facções HIH e UIA se deslocaram para esta área. Voluntários árabes dos Talibãs, vindos das escolas religiosas também vieram para a luta. Nós lançamos um contra-ataque. A luta pelas bases foi tão intensa que às vezes se tornava um combate corpo-a-corpo. Eu pessoalmente estive tão perto de alguns russos durante a luta que poderia reconhecê-los hoje. O inimigo deixou muitos veículos para trás e muitos mortos no solo. Os soviéticos normalmente não deixavam seus mortos para trás, mas eu contei 75 soviéticos mortos. Eu não sei o número total de baixas entre os mujahedins, mas eu sei que 72 foram mortos ou feridos. Os soviéticos mantiveram Maro por apenas três dias. Eles queimaram e destruíram o que puderam e minaram a área antes de se retirarem.

Comentário: Os assaltos aeromóveis soviéticos em bases nas montanhas normalmente duravam de um a três dias. Como neste caso, os soviéticos preferiam ter tropas de superfície para realizar a junção com a força-tarefa aeromóvel. Eles tentaram cercar a conquistar a área, destruir tudo que fosse possível, minar o terreno e partir. E também tentaram evitar serem engajados em um combate nas montanhas com os mujahedins. Como nas operações Zahar e Magistral, os mujahedins inicialmente retraíram, se reagruparam e se reforçaram e então lançaram um contra-ataque. A proximidade da base com o Paquistão permitia aos mujahedins fazer isso. O planejamento e a execução desta ação pelos soviéticos foram bem realizados, mas aparentemente atrasaram a sua retirada e tiveram que combater em uma retirada às pressas.

A distribuição de forças dos mujahedins nos dois eixos foi desigual e o assalto aeromóvel impediu que os mujahedins empregassem a reserva contra o eixo ameaçado. A má distribuição das forças é devida, em parte, ao fato de que facções com poderes de combate diferentes estavam na área e as missões foram distribuídas por facções e não pelo poder de combate.

Comentário do Voo Tático: Neste capítulo podemos ver nitidamente que os americanos, diferente do Exército Brasileiro, não faz uma diferenciação clara do que é um assalto aeromóvel (uma operação de grande vulto, onde a tropa ocupa o terreno e aguarda a junção com outra tropa vinda por terra) e uma incursão (uma operação de pequeno efetivo, onde a tropa desembarca, cumpre sua missão e é exfiltrada imediatamente). Para eles, tudo é “Air Assault”, apenas com diferenciações no planejamento.

O autor citou que não sabe porque o assalto aeromóvel não partiu diretamente de Jalalabad e sim de uma Zona de Embarque em Shinwar. Jalalabad é certamente uma opção mas existem fatores favoráveis e desfavoráveis em se iniciar a operação num ponto mais distante.

Certamente, a infraestrutura de Jalalabad favorece a preparação de uma operação de vulto. A maior distância é um fator que aumenta a segurança quanto ao real objetivo da operação. De certa maneira, a operação fica mais simples, por envolver menos deslocamentos e uma outra área de embarque.

Por outro lado, estar próximo ao objetivo permite que se tenha o apoio da artilharia de tubo sem que esta fique exposta em um local desprotegido a meio caminho entre a Zona de Embarque e o objetivo (Shinwar ficava a 15 km de Maro). Permite também deslocamento mais rápido de helicóptero, de modo que as levas subsequentes cheguem mais rápido à Zona de Desembarque.

Eu até me arrisco a dizer que um fator “cultural” pode estar envolvido nessa questão. Me lembro de ter lido (não me recordo onde agora) que a maior parte dos voos dos russos no Afeganistão levavam em torno de 15 minutos, desde a decolagem, até o local do desembarque e o retorno à Zona de Embarque. Sempre buscavam deslocamentos curtos e dentro do alcance da artilharia. Os americanos já tem uma preferência por decolar de bases com mais recursos, mesmo que isso signifique fazer um deslocamento maior e deixar as primeiras levas isoladas por mais tempo na Zona de Desembarque. Um exemplo disso é o clássico assalto aeromóvel em Ia Drang (pode ser lido aqui).

Este mesmo episódio pode ser lido, narrados pelos russos, aqui. Ele também é simulado no wargame Combat Mission: Afghanistan. Um review dessa missão pode ser visto aqui.


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Oficial do Exército Brasileiro, piloto e editor do site Voo Tático

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Uma coisa que me chamou a atenção, os soviéticos então tiveram de se retirar sob fogo dos guerrilheiros. Devo entender que a força de guerrilheiros conseguiu expulsá-los? Comparando com a guerra do Vietnã, isso acontecia com os americanos também? Posso estar enganado mas me parece que no Vietnam os americanos lutavam até a força inimiga ser destruída ou se retirar. Devo entender que o mesmo não acontecia com o exército vermelho.

Li muito pouco sobre o Afeganistão, mas me parece que entre os dois conflitos há uma disparidade muito grande na concentração de meios e tropas, o que talvez explique a retiradas soviéticas. Para se ter uma ideia, ainda em 1964 os EUA já tinham 284 helicópteros entre os do Exército e do USMC. Quando da criação da 1st Cavalry Division (Airmobile), em 1965, esse número subiu para 428 helicópteros do Exército, sem falarmos na escalada dos demais meios e efetivos empregados até o final da década.

Peço desculpas, pois postei uma informação incompleta (e, portanto, incorreta). Ao ser criada, a 1st Cavalry Division (Airmobile) não era a única a operar helicópteros no US Army. Os EUA saíram de 284 (250 no exército e 34 no USMC) em 1964 para 1515 em 1966, enquanto o efetivo chegou a 385.000 naquele ano e cresceu ao longo da década. De 1966 a 1971 os EUA PERDERAM 2094 helicópteros abatidos e 2209 em acidentes diversos. No Afeganistão foram empregados, ao longo de toda a guerra, cerca de 500.000 homens, sendo que o efetivo máximo desdobrado não passou de 120.000. Em 1988, quando foi anunciada a retirada soviética, havia de 350 a 400 helicópteros operados pelos soviéticos e cerca de 200 operados pela Força Aérea Afegã.

No primeiro livro, o autor Lester Grau afirma em diversas ocasiões que a União Soviética evitou ao máximo se envolver no conflito do Afeganistão. De maneira geral, o efetivo desdobrado era pequeno, os meios não eram os mais modernos e os problemas de suprimento eram frequentes. Contrariando o que se diz comumente das forças russas, as operações no Afeganistão eram, de maneira geral, de uma envergadura bem pequena.

Com relação às distâncias de deslocamento para o assalto -ou incursão-, tenho a impressão de que o norte-americano "se dá ao luxo" de embarcar a tropa a distâncias maiores por sempre executar esse tipo de operação com apoio de fogo aéreo aproximado (Close Air Support), além de uma quantidade considerável de helicópteros, o que reduz a quantidade de vagas. Permanece a questão do tempo de desdobramento de todo o efetivo, talvez explicado pelo fator cultural...

Só para complementar, li que na Argélia os franceses procuravam estabelecer a Zona de Embarque a aproximadamente 12km do objetvo, de forma que um Btl a 480 homens pudesse ser transportado por um DIH (Détachment d'Intervention Héliportée -06 Piasecki H-21, 01 ou 02 H-34 Pirates, a versão armada do H-34 ou Sikorski S-58, e 01 ou 02 helicópteros como C2, Djinn, Bell ou mais tarde o Alouette II) sem necessidade de reabastecimento. Após reabastecidas, as Anv retornavam para ressuprimento, evacuação de feridos e eventualmente para reforçar posições. (Helicopters in Combat - The First Fifty Years, John Everett-Heath) Ao mesmo tempo em que os helicópteros utilizados pelos franceses na Argélia tinham uma capacidade de carga aquém da do Mi-8, o que teoricamente poderia aumentar a distância Zona de Embarque-Objetivo, os russos não dispunham de muitas aeronaves para a realização de um assalto ou incursão de maior porte, optando, aparentemente, por reduzir ao máximo o intervalo entre as vagas.

Esse livro é excelente! Eu li a primeira vez quando estava fazendo a minha dissertação para a EsAO. Li por alto, apenas as partes que interessavam para o meu trabalho. Fui lê-lo novamente uns dois atrás. Essa parte da Argélia é particularmente muito boa, pois foram as primeiras operações aeromóveis como imaginamos hoje.

I think there might be differences in translation. An "Air Assault" can be a "Raid", or it might not be. I have argued, for the last few years, that there should be a sixth step in the air assault mission planning process: the exfiltration. In the linear battlefield (like the US thought it would fight in Germany against the Soviets), an air assault led to a follow-on mission. For example, an infantry battalion might seize a hilltop and hold it. In Iraq and Afghanistan--which are not "linear" battlefields, the US uses the air assault basically as a raid. Aircraft deliver troops to seize something or someone, and then they return to the Forward Operating Base. In Iraq, an air assault/air movement was conducted by General Petraeus and the 101st Airborne Division in 2003. The Division moved to Mosul, in what was one of the longest air assaults ever, essentially seizing the town. However, at that time, Iraq was still in the conventional phase of warfare, not the insurgency phase.

In brazilian doctrine, the Air Assault and Airmobile Raid are distinct missions, but that obviously share great similarities in the planning. Like you said, in the raid, the exfiltration is mandatory. In both books about the Afghan war, the author does not use the word "raid" even at times when the concept is fully applicable.

Do you have any good source or article about this operation (the air assault at Mosul)?

Let me see if I can find one. I think that a book called "A War on Two Fronts" by Colonel Christopher Hughes might contain details.

Though it may be that the operation was simply an air movement. (In US doctrine, Air Movement and Air Assault are two different operations)

Uma coisa que me chamou a atenção, os soviéticos então tiveram de se retirar sob fogo dos guerrilheiros. Devo entender que a força de guerrilheiros conseguiu expulsá-los?

Comparando com a guerra do Vietnã, isso acontecia com os americanos também? Posso estar enganado mas me parece que no Vietnam os americanos lutavam até a força inimiga ser destruída ou se retirar. Devo entender que o mesmo não acontecia com o exército vermelho.

Li muito pouco sobre o Afeganistão, mas me parece que entre os dois conflitos há uma disparidade muito grande na concentração de meios e tropas, o que talvez explique a retiradas soviéticas. Para se ter uma ideia, ainda em 1964 os EUA já tinham 284 helicópteros entre os do Exército e do USMC. Quando da criação da 1st Cavalry Division (Airmobile), em 1965, esse número subiu para 428 helicópteros do Exército, sem falarmos na escalada dos demais meios e efetivos empregados até o final da década.

Peço desculpas, pois postei uma informação incompleta (e, portanto, incorreta).

Ao ser criada, a 1st Cavalry Division (Airmobile) não era a única a operar helicópteros no US Army. Os EUA saíram de 284 (250 no exército e 34 no USMC) em 1964 para 1515 em 1966, enquanto o efetivo chegou a 385.000 naquele ano e cresceu ao longo da década. De 1966 a 1971 os EUA PERDERAM 2094 helicópteros abatidos e 2209 em acidentes diversos.

No Afeganistão foram empregados, ao longo de toda a guerra, cerca de 500.000 homens, sendo que o efetivo máximo desdobrado não passou de 120.000. Em 1988, quando foi anunciada a retirada soviética, havia de 350 a 400 helicópteros operados pelos soviéticos e cerca de 200 operados pela Força Aérea Afegã.

No primeiro livro, o autor Lester Grau afirma em diversas ocasiões que a União Soviética evitou ao máximo se envolver no conflito do Afeganistão. De maneira geral, o efetivo desdobrado era pequeno, os meios não eram os mais modernos e os problemas de suprimento eram frequentes.

Contrariando o que se diz comumente das forças russas, as operações no Afeganistão eram, de maneira geral, de uma envergadura bem pequena.

Com relação às distâncias de deslocamento para o assalto -ou incursão-, tenho a impressão de que o norte-americano "se dá ao luxo" de embarcar a tropa a distâncias maiores por sempre executar esse tipo de operação com apoio de fogo aéreo aproximado (Close Air Support), além de uma quantidade considerável de helicópteros, o que reduz a quantidade de vagas.
Permanece a questão do tempo de desdobramento de todo o efetivo, talvez explicado pelo fator cultural...

Só para complementar, li que na Argélia os franceses procuravam estabelecer a Zona de Embarque a aproximadamente 12km do objetvo, de forma que um Btl a 480 homens pudesse ser transportado por um DIH (Détachment d'Intervention Héliportée -06 Piasecki H-21, 01 ou 02 H-34 Pirates, a versão armada do H-34 ou Sikorski S-58, e 01 ou 02 helicópteros como C2, Djinn, Bell ou mais tarde o Alouette II) sem necessidade de reabastecimento. Após reabastecidas, as Anv retornavam para ressuprimento, evacuação de feridos e eventualmente para reforçar posições. (Helicopters in Combat - The First Fifty Years, John Everett-Heath)
Ao mesmo tempo em que os helicópteros utilizados pelos franceses na Argélia tinham uma capacidade de carga aquém da do Mi-8, o que teoricamente poderia aumentar a distância Zona de Embarque-Objetivo, os russos não dispunham de muitas aeronaves para a realização de um assalto ou incursão de maior porte, optando, aparentemente, por reduzir ao máximo o intervalo entre as vagas.

Esse livro é excelente!

Eu li a primeira vez quando estava fazendo a minha dissertação para a EsAO. Li por alto, apenas as partes que interessavam para o meu trabalho.

Fui lê-lo novamente uns dois atrás. Essa parte da Argélia é particularmente muito boa, pois foram as primeiras operações aeromóveis como imaginamos hoje.

I think there might be differences in translation. An "Air Assault" can be a "Raid", or it might not be.

I have argued, for the last few years, that there should be a sixth step in the air assault mission planning process: the exfiltration.

In the linear battlefield (like the US thought it would fight in Germany against the Soviets), an air assault led to a follow-on mission. For example, an infantry battalion might seize a hilltop and hold it.

In Iraq and Afghanistan--which are not "linear" battlefields, the US uses the air assault basically as a raid. Aircraft deliver troops to seize something or someone, and then they return to the Forward Operating Base.

In Iraq, an air assault/air movement was conducted by General Petraeus and the 101st Airborne Division in 2003. The Division moved to Mosul, in what was one of the longest air assaults ever, essentially seizing the town. However, at that time, Iraq was still in the conventional phase of warfare, not the insurgency phase.

In brazilian doctrine, the Air Assault and Airmobile Raid are distinct missions, but that obviously share great similarities in the planning. Like you said, in the raid, the exfiltration is mandatory.

In both books about the Afghan war, the author does not use the word "raid" even at times when the concept is fully applicable.

Do you have any good source or article about this operation (the air assault at Mosul)?

Let me see if I can find one. I think that a book called "A War on Two Fronts" by
Colonel Christopher Hughes might contain details.

Though it may be that the operation was simply an air movement. (In US doctrine, Air Movement and Air Assault are two different operations)

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