Em 22 de março do ano passado, logo no início da campanha na Líbia, um F-15 da USAF caiu durante uma missão de ataque. Os pilotos conseguiram se ejetar, mas se separaram durante a descida.
O piloto, Maj Harney, após aterrar, se evadiu, correndo e permanecendo escondido por três horas, tentando fazer contato com as demais aeronaves de ataque que voavam na região.
Eu entendo que o piloto conseguiu o contato com as forças amigas e conseguiu também transmitir a sua localização precisa. Esses são requisitos para a realização de uma missão TRAP.
Quando viu o MV-22 Osprey dos Marines pousando, o Maj Harney levantou os braços e aguardou ser abordado. Disse ainda que esperava ser algemado e que fosse colocado um saco em sua cabeça. Não sei se isso efetivamente ocorreu.
Existem procedimentos padronizados para esse tipo de abordagem. O mais comum – pode ser visto em diversos vídeos no Youtube – é que o evasor, após ter certeza que foi visto pela equipe de resgate, se ajoelhe de costas para a equipe e ponha as mãos sobre a cabeça. Independentemente da padronização, a ideia é que o evasor não se apresente como uma ameaça, para não correr o risco de levar um tiro da equipe de resgate. Ele vai ser revistado e imobilizado até serem completadas as várias fases da identificação e se concluir que o resgatado é realmente quem ele diz que é. Os processos utilizados para essa identificação são mantidos em sigilo, por motivos bastante óbvios.
A história do operador de sistemas de armas, Cap Stark, foi um pouco mais sui generis. Ele aterrou e logo se aproximaram dois veículos. Uma voz ordenou: “Americano, venha aqui! Estamos aqui para ajudá-lo!”
Sem muita escolha, ele caminhou na direção dos veículos. Ele foi colocado no carro e levado para dentro da cidade, não sabendo ainda se estava sendo realmente ajudado pelos rebeldes ou se havia sido capturado pelas forças leais a Kadafi. Stark foi levado para dentro de uma casa e então todos o aplaudiram.
Para chamar o resgate, ele tinha que telefonar para um número no Reino Unido. Esse é o ponto que eu quero destacar: além de todos os meios convencionais que conhecemos para informar a situação do evasor (TLE, rádio da aeronave), os pilotos também tinham um número de telefone. A operação era na Líbia, um dos países mais desenvolvidos da África, as operações eram próximas às cidades e não seria difícil um evasor encontrar um telefone de onde pudesse ligar.
Como não poderia deixar de ser, o Cap Stark se esqueceu do número deste telefone. Na verdade, o único número que ele conseguiu se lembrar foi o de seus pais. Stark telefonou para casa e pediu que seus pais avisassem sobre a sua situação.
Ele permaneceu abrigado pelos rebeldes líbios até que um barco da Marinha italiana o resgatou no litoral.
Referência: CNN Security Clearance
Foto: Destroços da aeronave F-15E Strike Eagle, que caiu na Líbia
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eu ri no final
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