A formação dos pilotos de helicóptero no Exército britânico

by PFF on 17 de fevereiro de 2012 · 3 comments

in Aviação Militar, Destaques

Gazelle e Lynx

Há alguns dias o Flight Global publicou um artigo bastante completo sobre a formação dos pilotos de helicóptero do Exército britânico:

IN FOCUS: British Army fights to influence helicopter training choices

Antes de ler este artigo, vale a penas dar uma olhada como os britânicos dividem seus helicópteros entre as forças. É uma solução diferente da maioria dos países e que traz vantagens e desvantagens.

No Reino Unido (assim como em Israel) os Apaches Longbow são considerados o ponto mais alto da formação. Os alunos ficam até três anos e meio em curso para poder tripular o WAH-64D. Uma das ideias principais da reestruturação que está sendo estudada é, além do corte de gastos, uma diminuição no tempo que o aluno leva até ser designado para uma unidade operacional.

Eu não vou reproduzir todo o artigo aqui; vou apenas citar alguns tópicos de interesse. Embora no Reino Unido seja um curso único, dividido em diversas fases, tomei a liberdade de dividir o artigo didaticamente de acordo com os cursos da nossa Aviação do Exército.

Curso de Piloto de Aeronaves

O Reino Unido forma anualmente por volta de 140 pilotos de helicópteros militares. A maior parte deles (sessenta e cinco) vão para o Exército para pilotar uma frota de 160 helicópteros.

A formação se inicia numa escola única para as três forças armadas. Nesta fase inicial, todos os alunos voam na aeronave Grob G115 Tutor, de asa fixa. Após isso – e ainda com alunos das três forças – o curso prossegue em aeronaves Esquilo HT1. Neste ponto, os alunos estão com aproximadamente 120 horas de voo.

Estágio de Pilotagem Tática, Curso de Piloto de Combate e Estágio de Voo com NVG

Na fase seguinte, cada aluno já retorna para a sua força armada de origem.

No Exército, essa fase irá durar 22 semanas, com mais 92 horas de voo. O principal objetivo é tirar dos alunos os reflexos da formação unificada e moldá-lo como um aviador do Exército. Isso inclui o voo tático a 3 metros do solo e a navegação tática com carta. Ainda nessa fase, um pouco mais à frente, o aluno realiza o voo com NVG, voo de formação, a navegação com moving-map, emprega sistemas de guerra eletrônica simulados, planeja as operações e atua como comandante da aeronave.

Coincidência ou não, os cursos do Exército Brasileiro que tratam desses mesmos assuntos duram, somados, 22 semanas de instrução.

No final dessa fase, a ênfase é nas atividades que estão sendo realizadas com mais frequência no Afeganistão: a condução de fogos conjuntos (do Exército e das outras armas) e o voo em formação a baixa altura.

A parte final da formação é realizada em duas unidades distintas e visa a adaptação ao equipamento que o piloto irá operar: uma delas irá formar os pilotos dos Bell 212, Gazelle e Lynx e dura 12 semanas. A outra unidade forma os futuros pilotos de Apache num curso que dura oito meses.

Treinador Sintético

Treinador sintético simulando uma missão com seis helicópteros Apache

Modernização do Ensino

Buscando a otimização que eu já falei no início do artigo, o Exército inglês está tomando diversas iniciativas. Uma delas é o largo emprego de simuladores e treinadores sintéticos, inclusive para os mecânicos de voo (veja um exemplo aqui).

A outra é a substituição de todos os manuais em papel por tablets iPad. A longo do curso, o Exército gastava £ 700 em manuais com cada aluno. Com cada iPad custando £ 400, o preço dele já se paga logo na primeira utilização. Além da economia, são óbvios os ganhos com as ferramentas de multimídia e planejamento. Por enquanto, toda a documentação disponibilizada é ostensiva e vem pelo iTunes, mas já se estuda a possibilidade dos tablets usarem a rede segura do Ministério da Defesa e ter a possibilidade de baixar também a documentação reservada. Todos vem com o app Find My iPhone instalado, que possibilita localizá-lo em caso de perda e também apagar os dados remotamente.

Manuais

Manuais para o curso de piloto de helicóptero

Por último, a recente campanha na Líbia mostrou que poucos pilotos ingleses estavam preparados para operar a partir dos porta-aviões. Semanas antes do conflito houve um treinamento intensivo do emprego de mísseis Hellfire. Vislumbrando operações semelhantes no futuro, provavelmente esse treinamento deve ser incluído em alguma fase do curso, nem que seja apenas como uma familiarização.


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Oficial do Exército Brasileiro, piloto e editor do site Voo Tático

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Renato 6 pts

Taí o melhor uso que vejo para e-books, ipads, kindles e cia: leitura técnica e estudo. Além de mais fácil de se acessar o material (como opções de busca e inserção de comentários) realmente deve sair bem mais barato, afinal vai economizar em impressão, distribuição e atualização. 

 

PFF 17 pts moderator

O melhor uso para se fazer com um tablet é jogar AngryBirds . Mas, sem dúvida, a documentação digital é um grande salto.

O CIAvEx usa já há bastante tempo (junto com a documentação impressa) softwares de apoio ao ensino - com animações e recursos de multimídia de situações que seriam impossíveis de serem vistas na aeronaves real ou em maquetes.

My latest conversation: Curso do motor Makila no CIAvEx

Alcides VFJ 6 pts

PFF: interessante notar no artigo em inglês que eles voam 4 noites por semana durante 50 semanas (destaco que o ano tem 52 semanas). Como fica a classificação das noites da OTAN que nós utilizamos? Lembro também, pela leitura do artido, que eles tem um sistema parecido com o que vc testou de Israel, onde, em um tablet, eles inserem todos os dados do terreno (antenas, fios, obstáculos, etc) que lhes avisa quando há um problema. Espero viver para ver a Av Ex assim...

PFF 17 pts moderator

Sr Cmt Alcides VFJ Raciocinado que eles usam as mesmas aeronaves e provavelmente os mesmos NVG que nós, eu entendo que eles devam voar em áreas com alguma iluminação artificial (próximo às cidades ou ao aeródromo) nas noites mais escuras.

O curso dura 22 semanas, em turmas de 10 alunos. Se são formados 40 a 50 por ano, ele deve ocorrer simultamenamente com turmas distintas em fases também distintas. Acho que o grande diferencial é cada escola ou unidade de instrução cuidar de apenas um tipo de curso, repetindo-o várias vezes ao ano.

Quanto aos dados de obstáculos, a plataforma a ser usada é uma questão puramente técnica. Eu acredito que o maior esforço seja criar a cultura de um banco de dados centralizado e atualizado. Os dados disponíveis podem ser baixados em qualquer formato, até mesmo para um GPS portátil.

Alcides VFJ 6 pts

PFFAlcides VFJ

PFF: Esse artigo apresenta também excelentes aspectos a serrem discutidos. Se vc quiser vou por partes....

1º) O EB anda falando em asa fixa. Vejo, no artigo, que na GB eles iniciam a formação para todos os pilotos na asa fixa. Serve para nós (EB)? O que é melhor? Iniciar na asa fixa e depois migrar para o Helicóptero ou só voar avião quem for ficar no avião?.....

Depois coloco outros questionamentos....

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