Além das aeronaves, contrato prevê motores extras, radares Longbow e sistema avançado para pilotos controlarem drones em tempo real
O Departamento de Estado dos EUA deu sinal verde para a venda de 30 helicópteros Boeing AH-64E Apache Guardian para Israel. O pacote foi confirmado em 30 de janeiro de 2026 pela Agência de Cooperação de Segurança de Defesa (DSCA) e tem valor estimado em US$ 3,8 bilhões. As primeiras entregas devem começar em 2030. Esta é a primeira vez que Israel vai operar a versão E do Apache, a mais moderna da família.

O que está incluído no pacote?
O negócio de US$ 3,8 bilhões inclui 30 helicópteros AH-64E e um suporte técnico robusto. Junto vêm 70 motores turboshaft T700-GE-701D da GE, que entregam maior potência e desempenho em ambientes quentes e em altitude. O pacote também traz 30 radares de controle de tiro AN/APG-78 Longbow e sistemas modernos de aquisição de alvos M-TADS/PNVS.
Além disso, há sistemas de alerta de mísseis, equipamentos de visão noturna, 60 mísseis de treinamento M36E8 e navegação avançada com suporte ao código M (navegação militar de alta segurança). A Boeing é a contratante principal, o suporte completo inclui simuladores, peças de reposição e treinamento de pilotos.
O que tem de novo no AH-64E Guardian?
O AH-64E representa um salto técnico gigante, ele tem lâminas de rotor compostas que aumentam a velocidade de cruzeiro, a taxa de subida e a capacidade de carga. Já os motores T700-GE-701D entregam margens de potência superiores, traduzindo-se em melhor desempenho com cargas pesadas.
A grande sacada é o sistema MUMT, com ele os pilotos controlam drones diretamente do cockpit, recebem vídeo em tempo real e coordenam ataques conjuntos. É praticamente um centro de comando aéreo. A aviônica digital com mira por capacete e sensores fundidos completa o arsenal tecnológico.
Frota atual de Israel
A Força Aérea Israelense opera cerca de 48 helicópteros Apache atualmente. São 26 unidades do AH-64A, chamadas localmente de Peten, entregues nos anos 1990 e já com 35 a 39 anos de vida. Tem também 20 a 22 helicópteros AH-64D Longbow, designados Saraf, que chegaram no início dos anos 2000. Esses modelos D têm entre 13 e 20 anos de uso e contam com radar montado no mastro e sistema de controle de fogo avançado.

O problema é que os A estão velhos demais. Segundo dados do The Military Balance 2025, manter esses helicópteros operacionais ficou caro e complexo. A transição para o AH-64E resolve isso e ainda traz capacidade de guerra multidomain, engajamentos de longo alcance e interoperabilidade total com drones.
Uso anti-drone
O Apache nasceu na Guerra Fria para destruir tanques soviéticos, mas o AH-64E agora também serve para combater drones. Testes realizados pelo Exército dos EUA em 2025 mostraram que o helicóptero consegue engajar pequenos e médios UAVs usando o canhão M230 de 30 mm, foguetes guiados de precisão APKWS e mísseis ar-solo Hellfire e AGM-179 JAGM.
A fusão de sensores, o radar Longbow e as capacidades de rede permitem detectar, rastrear e destruir alvos aéreos que não faziam parte do conceito original do projeto. Por dentro, o Reino Unido está explorando o conceito “Loyal Wingman” (Projeto NYX), fazendo drones autônomos voarem junto com os AH-64E britânicos para estender o alcance dos sensores e contribuir em missões anti-UAS.
A aprovação ocorre no âmbito do Memorando de Entendimento de 10 anos firmado entre EUA e Israel em 2016, que destina US$ 38 bilhões em ajuda militar até 2028. Não foi confirmado oficialmente se este pacote específico está sendo financiado nos termos desse MOU.










