Sistema de armas remoto SARC REMAX 4 feito para o Exército Brasileiro acaba de virar padrão oficial da Força Terrestre

Leonardo A Santos
Publicado em: 22 de abril de 2026
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Portaria publicada no Boletim do Exército consolida o sistema de armas remotamente controlado da ARES como solução padrão para toda a Força Terrestre, 20 anos depois do início do projeto

O Exército Brasileiro tornou oficial o que o campo já sabia há algum tempo. O REMAX 4 é o sistema de armas remotamente controlado da tropa. A portaria nº 2.500–CEx, publicada no Boletim do Exército de 11 de julho de 2025, formalizou a padronização do SARC REMAX 4, da ARES Aeroespacial e Defesa, para emprego geral em toda a Força Terrestre.

Com mais de 300 unidades já em operação, a solução desenvolvida 100% no Brasil desde 2006, em parceria com o Centro Tecnológico do Exército fecha um ciclo de duas décadas e abre outro, de expansão.

REMAX 4: Exército Brasileiro padroniza sistema de armas remotamente controlado 100% nacional

Padronização REMAX 4

O REMAX 4 é uma estação de armas montada sobre viaturas blindadas que permite ao atirador operar metralhadoras calibre 12,7 mm ou 7,62 mm sem precisar expor o corpo para fora do veículo. Tudo feito de dentro, por uma interface digital. Em zonas de combate onde um segundo de exposição pode ser fatal, isso muda completamente a equação de risco.

A padronização, em termos práticos, significa que o sistema passa a integrar formalmente a estrutura de apoio logístico do Exército, enquanto estiver em serviço. Mais do que um carimbo burocrático, é o reconhecimento institucional que abre caminho para compras em escala maior, treinamento doutrinário unificado e integração com manuais táticos.

20 anos de desenvolvimento

O projeto REMAX nasceu em 2006 com uma promessa ambiciosa, criar o primeiro sistema desse tipo totalmente desenvolvido no Brasil. Naquela época, soluções assim vinham basicamente de Israel, Estados Unidos e Europa.

A ARES tocou o projeto em parceria direta com o CTEx, incorporando requisitos operacionais reais levantados pela própria tropa. O resultado foi uma evolução geração a geração: REMAX 1, 2, 3 e agora o 4, que chegou com mudanças relevantes na arquitetura eletrônica, no módulo óptico e detalhe importante, na capacidade de munição.

Em 2026, o sistema completa 20 anos de vida. A padronização acontece num momento em que o Exército reestruturou seu portfólio estratégico em sete programas prioritários, com Forças Blindadas no topo da lista.

Sistema de armas remoto SARC REMAX 4 feito para o Exército Brasileiro acaba de virar padrão oficial da Força Terrestre

Diferenciais do REMAX 4

O salto do REMAX 3 para o REMAX 4 não foi cosmético. As mudanças foram estruturais.

EspecificaçãoREMAX 3REMAX 4
Capacidade de munição 12,7 mm100 cartuchos300 cartuchos
Capacidade de munição 7,62 mm200 cartuchos600 cartuchos
Módulo ópticoAcoplado ao berçoDesacoplado, graus livres
Auto TrackingNãoSim
SilhuetaPadrãoMais baixa e mais leve

Triplicar a capacidade de munição não é um mero detalhe. É a diferença entre recarregar no meio de um contato e manter a cadência de tiro num momento crítico.

Optrônica e interface do operador

Por dentro da viatura, o operador trabalha com um monitor Full HD sensível ao toque. As imagens chegam de um conjunto de sensores que inclui câmera diurna, câmera termal e telêmetro laser. É o mesmo padrão que sistemas similares de outras nações, mas produzido e integrado no Brasil.

O módulo de optrônica do REMAX 4 opera com graus de liberdade independentes em azimute e elevação. Na prática, a linha de visada consegue se mover de forma autônoma em relação ao berço da arma, o que amplia a precisão mesmo quando a viatura está em movimento. A estabilização funciona nos dois eixos, o que faz uma diferença enorme em terrenos irregulares.

Ainda como opcional, o sistema aceita o LWS (Sistema de Alerta Laser), que avisa o operador quando o veículo está sendo iluminado por miras inimigas.

Capacidade de munição e regimes de tiro

Além da quantidade triplicada de munições, o REMAX 4 opera em três regimes distintos: tiro intermitente, rajada configurável e tiro contínuo (total). Essa flexibilidade importa na doutrina de emprego, já que diferentes cenários pedem respostas diferentes. Missões de patrulha urbana têm restrições que uma operação de supressão de fogo não tem.

O sistema aguenta condições ambientais extremas, o que é relevante para um país com a diversidade de biomas do Brasil, da Amazônia à fronteira sul.

Onde o REMAX 4 já opera e quais viaturas vão receber

Quando a portaria saiu, o Exército tinha oito unidades do REMAX 4 integradas em viaturas VBTP 6×6 Guarani. Mas o número deve crescer rápido.

Do Guarani ao Guaicurus e ao M113

O passo imediato é a instalação de 105 unidades nas novas VBMT-LSR 4×4 Guaicurus, compradas pelo Exército no âmbito do Programa Guarani. São 420 unidades do Guaicurus previstas e 25% delas receberão o REMAX 4. As entregas começaram em 2026.

Remax 4 Viatura

Mas o horizonte vai além. Há estudos em andamento para integração nas VBTP M113BR, veteranas que passaram por modernização recente de motor, transmissão e suspensão. E existe a possibilidade de adoção nas futuras VBC Cav 8×8 Centauro II BR, cujos simuladores a ARES já aparece como candidata natural a fornecer.

Aliás, o simulador STARMAX já é parte do ecossistema. O Exército adquiriu 30 unidades do sistema em setembro de 2025, um equipamento portátil que recria o ambiente de operação do REMAX para treinar atiradores em sala de aula ou dentro da própria viatura, sem gastar uma bala real.

O que muda na doutrina e na tropa

Padronizar um sistema não é só comprar mais unidades, é mudar a forma como a tropa pensa o combate.

Com o COTER definindo a doutrina a partir do REMAX 4, os manuais táticos serão atualizados, os cursos de formação vão incorporar o sistema e os dados coletados nas avaliações operacionais, como as feitas pelo 1º Batalhão de Infantaria Mecanizado, vão alimentar requisitos para versões futuras.

Em maio de 2025, a ARES realizou cursos de capacitação simultâneos para REMAX 4 e UT30BR2 no Centro de Avaliações do Exército, com equipes do CAEx, da Diretoria de Fabricação, do Arsenal de Guerra do Rio e do 1º BI Mec. Nove militares do batalhão participaram da etapa do REMAX 4. É esse tipo de movimento que antecede a adoção em escala.

A ARES tem capacidade para produzir até 250 sistemas REMAX por ano, segundo informações apresentadas no Seminário de 20 Anos do Projeto Guarani, em novembro de 2025. A linha de montagem opera com processos alinhados à Indústria 4.0, com centro de usinagem próprio e laboratório de manufatura aditiva.

Leonardo A Santos

Leonardo A Santos

Apaixonado por aviação e compartilho notícias e curiosidades sobre defesa, estratégia militar e tecnologia aeronáutica.