A primeira edição do alistamento feminino voluntário registra adesão massiva, transformando a seleção complementar em um dos processos mais disputados da história militar recente
O número é impressionante e diz muito sobre o novo perfil da reserva estratégica brasileira. Mais de 33.700 mulheres se apresentaram voluntariamente para disputar apenas 1.467 vagas distribuídas entre Exército, Marinha e Aeronáutica.
O interesse superou qualquer projeção inicial das Forças, criando uma relação de concorrência que muitos concursos públicos de elite não possuem. Agora, o processo entra na fase crítica, a Seleção Complementar que começa a definir quem realmente vai vestir a farda em março de 2026.

O funil da seleção complementar
Estamos na reta final, milhares de jovens estão se preparando para a Seleção Complementar que ocorre entre janeiro e fevereiro de 2026. Em Brasília, por exemplo, o dia “D” no Setor Militar Urbano será 4 de fevereiro.
Não basta ter vontade, as candidatas que passaram pela triagem inicial agora enfrentam o pente fino real. Inspeção de saúde (médica e odontológica), testes físicos e entrevistas. A peneira é necessária.
Diferente do contingente masculino, onde mais de 1 milhão se alistaram compulsoriamente e o Exército precisa dispensar o excesso, no caso feminino, a Força está selecionando a “nata” das voluntárias. Só quem for considerada “Apta A” nessa bateria de exames vai vestir a farda em março.
Distribuição de vagas
A distribuição das vagas reflete a estrutura de cada força, mas também gera gargalos regionais. O Exército Brasileiro (EB) absorve a maior parte, mas ainda assim é pouco para a demanda. Veja os números do combatente para 2026:
- Exército: 1.010 vagas
- Aeronáutica (FAB): 300 vagas
- Marinha do Brasil (MB): 157 vagas
A Marinha, com apenas 157 oportunidades, torna-se estatisticamente a mais difícil de entrar via alistamento inicial neste ano.
Outro detalhe tático importante é a geografia, as vagas não estão em todo lugar. A atuação será restrita a 28 cidades brasileiras. O Rio de Janeiro, tradicionalmente um polo militar, concentrou mais de 8 mil inscrições. Ou seja, a briga por uma vaga no RJ está ainda mais acirrada do que a média nacional.
Voluntariado x obrigatoriedade
É interessante notar o contraste, tivemos 1.029.323 homens alistados. A imensa maioria ali só cumpre a lei, já as 33 mil mulheres estão lá porque querem. Isso muda a dinâmica dentro do quartel, teremos um efetivo feminino inicial 100% motivado e voluntário, o que operacionalmente é um ganho tremendo para a instrução militar básica.
Mas nem tudo são flores, essa alta demanda expõe um problema logístico. A estrutura para receber mulheres (alojamentos, banheiros, material de intendência) precisa crescer rápido. As Forças Armadas abriram a porta e a demanda arrombou o portão.
Um marco sem volta
A incorporação das aptas ocorre em março. Aliás, algumas turmas podem ser chamadas em agosto, dependendo da necessidade de cada OM (Organização Militar). O que fica claro com os números de 2025/2026 é que a mulher brasileira vê nas Forças Armadas uma opção de carreira e estabilidade, mesmo que temporária.
Se o objetivo do Ministério da Defesa era testar a receptividade, o teste foi um sucesso absoluto. O desafio agora é técnico é garantir que o processo seletivo selecione as melhores combatentes, sem baixar a régua e expandir essas 1.400 vagas nos próximos anos.







