Exército Italiano recebe primeiro sistema Grifo com mísseis CAMM-ER

Leonardo A Santos
Publicado em: 3 de fevereiro de 2026
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Nova defesa antiaérea substitui o veterano Skyguard com tecnologia de lançamento a frio e alcance superior a 40 km

Esqueça o que você sabe sobre os antigos sistemas de defesa estáticos que levavam horas para montar. O Exército Italiano finalmente recebeu, neste fim de janeiro de 2026, a primeira unidade de tiro do sistema Grifo (SHORAD). O equipamento desembarcou no Quartel Santa Barbara em Sabaudia.

A entrega coordenada pela OCCAR e pela MBDA Itália, não é apenas uma formalidade. É uma urgência tática, enquanto o sistema MAADS entregue em 2025 para a Força Aérea cuida das médias altitudes, o Grifo chega para o chão de fábrica, protegendo as tropas em movimento com uma agilidade que o antigo Skyguard/Aspide nem sonhava em ter.

Sistema Grifo Lancador Exercito Italiano
Foto: divulgação

Míssil CAMM-ER

O Grifo opera com o CAMM-ER, estamos falando de um alcance operacional que supera os 45 km, graças a um motor foguete com dual-boost desenvolvido pela Avio.

Mas o grande divisor de aguas é o Soft Vertical Launch, lançamento vertical suave. Diferente dos sistemas que acendem o motor dentro do tubo queimando tudo em volta e exigindo caminhões pesados e blindados, o CAMM-ER é ejetado a frio por um pistão a gás. Ele sobe, manobra no ar em direção ao alvo e só então liga o motor principal.

O resultado disso?

  • 360º de proteção real: Não precisa girar a torre/lançador na direção do inimigo.
  • Discrição: Menor assinatura térmica no lançamento (o inimigo demora mais para saber de onde veio o tiro).
  • Economia: Menor desgaste dos veículos lançadores.

Radar X-TAR 3D

Para guiar essa cavalaria, o Grifo usa o radar Rheinmetall Italia X-TAR 3D. Operando na banda X, ele é especialista em detectar o que radares maiores ignoram: drones pequenos, mísseis de cruzeiro voando baixo e helicópteros escondidos no relevo.

Caminhão tático do Exército Italiano com lançador vertical do sistema antiaéreo Grifo em posição de tiro.
Foto: divulgação

Ele faz a varredura, classifica a ameaça e passa os dados para o PCMI. O detalhe técnico que faz diferença, o CAMM-ER tem um seeker (rastreador) ativo de última geração. Isso significa que, na fase final do voo, o míssil se guia sozinho. O radar de solo não precisa ficar iluminando o alvo até o impacto, liberando o sistema para engajar outra ameaça imediatamente. É o famoso “fire and forget” (atire e esqueça), vital quando você tem um enxame de drones atacando simultaneamente.

Embora ambos usem a família de mísseis CAMM, o foco do Grifo é diferente do seu irmão mais velho, o MAADS.

CaracterísticaGrifo (Exército)MAADS (Aeronáutica)
MissãoProteção tática de tropas e comboios (Curto Alcance)Defesa de bases e áreas estratégicas (Médio Alcance)
MobilidadeAlta (Veículos Táticos Leves)Média (Plataformas adaptadas)
RadarRheinmetall X-TAR 3D (Banda X)Kronos LND (Banda C)
SubstituiSkyguard / AspideSPADA / Aspide

O sistema foi montado sobre veículos táticos de alta mobilidade, isso resolve um gargalo logístico antigo da Itália. A capacidade de acompanhar batalhões blindados em terreno difícil sem deixar a defesa antiaérea para trás.

Mas nem tudo é perfeito, a transição total dos sistemas antigos para o Grifo vai levar tempo e custar caro. A interoperabilidade com a OTAN é garantida, mas treinar as equipes para operar um sistema digital e automatizado, saindo de uma doutrina analógica de décadas, será o verdadeiro desafio de 2026.

Leonardo A Santos

Leonardo A Santos

Apaixonado por aviação e compartilho notícias e curiosidades sobre defesa, estratégia militar e tecnologia aeronáutica.