Terceira vez em dois anos que um grupo de ataque é desviado da Ásia para o Golfo. Movimento deixa apenas o USS George Washington na região, e ele está em manutenção no Japão.
O porta-aviões USS Abraham Lincoln (CVN-72) entrou oficialmente na área de responsabilidade do Comando Central dos EUA. A confirmação veio de um oficial de defesa ao USNI News. O navio opera agora no Mar Arábico, a cerca de 780 km da costa iraniana trazendo consigo o Carrier Air Wing 9 e três destróieres equipados com sistema Aegis.

O Abraham Lincoln havia partido de San Diego em 21 de novembro com destino ao Indo-Pacífico. Fez escala em Guam, operou no Mar das Filipinas e depois no Mar da China Meridional. Mas as tensões crescentes com Teerã mudaram os planos do Pentágono. Em 19 de janeiro, o grupo de ataque cruzou o Estreito de Malaca rumo ao Oceano Índico.
Composição do Carrier Strike Group 3
O CVW-9 embarcado no Abraham Lincoln é um dos mais completos da Marinha americana atualmente. São nove esquadrões, incluindo o VMFA-314 Black Knights com caças F-35C Lightning II, a versão naval do stealth de quinta geração. O esquadrão pertence ao Corpo de Fuzileiros Navais e opera a partir da MCAS Miramar.
O poder de ataque convencional fica por conta de três esquadrões de F/A-18E/F Super Hornet. O VFA-14 Tophatters e o VFA-151 Vigilantes voam a versão monoposto, enquanto o VFA-41 Black Aces opera o biposto. A guerra eletrônica é responsabilidade do VAQ-133 Wizards com seus EA-18G Growler, aeronave que se mostrou decisiva em operações recentes contra sistemas de defesa aérea.
A escolta de superfície conta com os destróieres USS Frank E. Petersen Jr. (DDG-121), USS Spruance (DDG-111) e USS Michael Murphy (DDG-112). Todos da classe Arleigh Burke, equipados com radar SPY-1D e células de lançamento vertical Mk 41 para mísseis Tomahawk e SM-2/SM-6.
Indo-Pacífico fica descoberto
O redirecionamento do Abraham Lincoln cria um vácuo preocupante na Ásia. O único porta-aviões americano que resta na região é o USS George Washington (CVN-73), baseado em Yokosuka. Só que o George Washington está em período de manutenção e sem previsão de retorno às operações.
Na prática, a Marinha dos EUA ficou sem nenhum porta-aviões operacional no Indo-Pacífico. É a terceira vez em dois anos que isso acontece por conta de crises no Oriente Médio. Em 2024, o próprio Abraham Lincoln já havia sido desviado da região. Em junho do ano passado, o USS Nimitz recebeu ordens semelhantes.
Para a China, o momento não poderia ser mais conveniente, Pequim tem intensificado exercícios militares ao redor de Taiwan e expandido sua presença no Mar da China Meridional. Sem um carrier americano por perto, a dissuasão naval dos EUA na região depende agora de submarinos, bombardeiros B-52 operando de Guam e acordos com aliados como Japão e Austrália.

Crédito: USN.
Cenário no Golfo Pérsico
A presença do Abraham Lincoln no Mar Arábico amplia significativamente as opções do CENTCOM para um eventual confronto com o Irã. Os F-35C do VMFA-314 podem penetrar defesas aéreas iranianas com menor risco de detecção, enquanto os Super Hornet garantem volume de ataque e os Growler suprimem radares inimigos.
O posicionamento a 780 km da costa iraniana coloca o grupo de ataque dentro do alcance dos mísseis antinavio iranianos, mas também permite que as aeronaves americanas atinjam praticamente qualquer alvo no território persa sem necessidade de reabastecimento em voo. É um jogo de risco calculado que o Pentágono parece disposto a jogar.
A pergunta que fica é por quanto tempo a Marinha americana consegue sustentar essa dança entre dois teatros tão distantes. Cada redirecionamento de emergência desgasta tripulações, atrasa manutenções programadas e deixa flancos estratégicos expostos. O Abraham Lincoln mal tinha começado seu ciclo no Pacífico.






