USAF pode dobrar frota de E-4C para até 8 aeronaves de comando nuclear até 2036

Leonardo A Santos
Publicado em: 28 de janeiro de 2026
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USAF avalia sair de 4 para até 8 E-4C, todos baseados em Boeing 747-8 usados, com contrato de até US$ 13 bilhões e entrega completa só depois de 2030

A força aérea dos Estados Unidos estuda praticamente dobrar a frota de aeronaves de comando estratégico, saindo dos atuais quatro E-4B para uma frota de seis a oito E-4C, os futuros aviões do fim do mundo do programa SAOC (Survivable Airborne Operations Center), desenvolvido pela Sierra Nevada Corporation.

USAF pode dobrar frota de E-4C para até 8 aeronaves de comando nuclear até 2036
Foto: Sierra Nevada Corp./divulgação

De quatro para até oito E-4C

Hoje, o inventário tem 4 E-4B derivados do 747-200 dos anos 70 usados como centro de comando em guerra nuclear e crises graves. O plano inicial era a substituição um por um com um quinto E-4C só para mitigar risco de parada de frota.

Só que documentos apresentados em evento do U.S. Army Corps of Engineers, citados pela Aviation Week mostram outra direção. A Base Aérea de Offutt em Nebraska, onde os E-4B já operam, aparece planejada para receber de 6 a 8 aeronaves com obras de infraestrutura dedicadas. Para quem acompanha defesa, isso é sinal claro de revisão de requisitos operacionais.

No fundo, a USAF está comprando mais redundância e mais resiliência. Em um cenário de conflito de alta intensidade, perder um E-4C não pode significar perder capacidade de comando nuclear.

O que muda com o E-4C baseado no 747-8

O E-4C nasce sobre o Boeing 747-8 Intercontinental adquirido no mercado de usados e profundamente modificado para missões de comando, controle e comunicações estratégicas. Pode parecer estranho colocar o coração do comando nuclear em jatos de segunda mão, mas o 747-8 tem estrutura mais moderna, motores mais eficientes e aviônica bem mais avançada que o antigo 747-200.

Segundo o contrato já divulgado, o pacote SAOC com a SNC está avaliado em até US$ 13 bilhões, uma conta pesada até para padrão Pentágono, mas coerente com o nível de hardening, comunicações seguras e proteção contra pulsos eletromagnéticos exigidos nesse tipo de plataforma.

Cronograma, base e o detalhe da idade dos 747-8

O cronograma atual fala em desenvolvimento concluído por volta de 2036, o que indica uma transição longa. Na prática, E-4B e E-4C devem conviver por anos, o que aumenta custo operacional, mas reduz o risco de “buraco” de capacidade.

Detalhe curioso e pouco intuitivo. Quando o programa estiver maduro, os 747-8 usados como base do E-4C terão perto de 20 anos de uso. Ou seja, os “novos” aviões do fim do mundo já vão entrar em serviço com uma idade que, em aviação comercial, muita companhia aérea usa para pensar em aposentadoria.

Mesmo assim, o recado estratégico é claro. Em meio à modernização nuclear de Rússia e China, a USAF não quer só um sucessor para o E-4B. Quer mais E-4C voando, por mais tempo e com margem para errar sem perder o comando em dia de pior cenário possível.

Leonardo A Santos

Leonardo A Santos

Apaixonado por aviação e compartilho notícias e curiosidades sobre defesa, estratégia militar e tecnologia aeronáutica.