O navio mais caro da história naval brasileira foi entregue provisoriamente, mas a Marinha só vai aceitá-lo oficialmente daqui um ano
A Águas Azuis assinou o Termo de Aceitação e Recebimento Provisório (TERP) da Fragata Tamandaré (F200), primeira das quatro embarcações previstas no Programa Fragatas Classe Tamandaré. O navio representa um investimento de R$ 2,8 bilhões por unidade, tornando-se o projeto naval militar mais caro já desenvolvido no Brasil.
A cerimônia foi realizada na EMGEPRON e marca o fim da construção da F200. Nos dias que antecederam a assinatura do TERP, a fragata realizou sua última saída para testes de mar sob responsabilidade da Águas Azuis. Mas o último marco contratual será a assinatura do Termo de Aceitação e Recebimento Definitivo (TERD), prevista para aproximadamente um ano.

Programa sob risco de paralisação
O que deveria ser motivo de comemoração traz uma preocupação real. O contrato original de R$ 9,1 bilhões em 2020 foi reajustado para R$ 9,56 bilhões em 2021 e depois ajustado para R$ 11,1 bilhões. Já o programa corre sério risco de ser interrompido, mesmo após já ter consumido R$ 9,5 bilhões dos R$ 12,5 bilhões previstos até 2028, devido à falta de recursos no governo federal.
O programa inicialmente previa uma estimativa de custo de US$ 350 milhões por fragata, mas o valor unitário de aquisição chegou a US$ 588 milhões. Em valores atuais, isso representa um aumento de quase 70% em relação ao projeto original.
Impacto econômico
O lado positivo está na geração de empregos, a construção e o ciclo de vida das fragatas geram cerca de 2 mil empregos diretos, 6 mil indiretos e 15 mil induzidos. Somente em 2025 foram investidos R$ 1 bilhão nas edificações, com previsão total de R$ 4,3 bilhões até 2026.
O Programa Fragatas Classe Tamandaré demonstra a capacidade da indústria brasileira de absorver, desenvolver e integrar tecnologias de alta complexidade, segundo Fernando Queiroz, CEO da Águas Azuis. Por outro lado, especialistas questionam se o custo-benefício justifica o investimento.
Tecnologia com capacidade OTAN
A fragata Tamandaré tem tecnologia de ponta, conta com um avançado sistema de combate integrado, sensores de última geração, incluindo radares de vigilância aérea e de superfície, sonar de casco, além de sistemas eletro-ópticos e infravermelhos.
Sua arquitetura é compatível com padrões da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), o que permite interoperabilidade com outras Forças. O navio também incorpora elementos stealth que reduzem a assinatura radar, aumentando a eficácia em missões táticas.

Cronograma das próximas entregas
O programa prevê quatro fragatas no total, a F200 deve ser entregue ao setor operativo ainda no primeiro semestre de 2026, enquanto a segunda fragata, Jerônimo de Albuquerque (F201), foi lançada ao mar em agosto de 2025. As provas de mar da F201 estão previstas para meados de 2026, enquanto a terceira embarcação, Cunha Moreira (F202), teve o batimento de quilha em junho de 2025.
Já a quarta fragata, Mariz e Barros (F203), teve o corte da primeira chapa iniciado em 9 de janeiro de 2026, na TKMS Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí, Santa Catarina.
O Tribunal de Contas da União levantou questões que preocupam, o TCU questiona a redução não explicitada do ciclo de vida projetado das fragatas de 30 para 25 anos. Também foram identificadas deficiências significativas na estimativa dos custos do ciclo de vida das fragatas, que não atendem aos requisitos normativos e às boas práticas internacionais.
A construção da fragata Tamandaré representa um marco, mas o preço final ainda está em aberto. Com três navios ainda em construção e recursos limitados, o programa pode enfrentar turbulências antes de chegar ao fim.











