O convoo da Fragata Tamandaré cortava o Atlântico quando o AH-11B Super Lynx desceu pela primeira vez sobre seu convés. Era 1º de abril de 2026. Não foi uma manobra qualquer. Foi a prova de que o Brasil está, de fato, construindo uma nova geração de poder naval.
Esse pouso não aconteceu do nada. Veio de meses de preparação técnica, cooperação interforças e testes rigorosos. E o que ele representa vai muito além de um helicóptero tocando o convés de um navio.

Super Lynx AH-11B
O AH-11B Super Lynx é um helicóptero de esclarecimento e ataque, equipado com sensores modernos, radar, FLIR e armamentos como mísseis e metralhadoras, capaz de ser empregado em missões de esclarecimento, guerra antissuperfície, patrulha naval e apoio aéreo aproximado. Na prática, é os olhos e os dentes do navio em alto-mar.
A versão modernizada recebeu novos motores LHTEC CTS800-4N, os mesmos que equipam o AW159 Wildcat britânico e um full glass cockpit com novos aviônicos de missão. Por isso os tripulantes do HA-1 carinhosamente apelidaram a aeronave de “WildLynx”.
Da Westland ao convés brasileiro
A Marinha do Brasil encomendou, em 1977, 9 helicópteros Westland HAS.21 Lynx para operar a bordo das Fragatas Classe Niterói pelo EsqdHA-1. Em 1994, foram encomendados 9 exemplares do Super Lynx HAS.21A, tendo os dois primeiros chegado ao Brasil no final de 1996.
O contrato de modernização previu a atualização de 8 aeronaves do Esquadrão HA-1, que passaram da versão AH-11A para o padrão AH-11B. São quase 50 anos de Lynx voando com a bandeira brasileira. Mas a versão atual é outra aeronave.
O primeiro pouso a bordo da Fragata Tamandaré
No dia 1º de abril, a Marinha do Brasil conduziu o primeiro pouso a bordo da Fragata Tamandaré (F200), realizado com a aeronave AH-11B Super Lynx, marco significativo no processo de consolidação das capacidades do navio.
Mas espera, antes de chegar nesse momento, houve um processo técnico criterioso que poucos cobriram direito.
A vistoria de segurança de aviação
A operação foi realizada durante a Vistoria de Segurança de Aviação (VSA), conduzida por uma comitiva do Serviço de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos da Marinha (SIPAAerM), nos dias 27 de março e 1º de abril.
O SIPAAerM não assina nada por acaso. Cada procedimento testado existe para garantir que, em operação real, com mar agitado, vento cruzado e pressão de combate, a aeronave e o navio funcionem como um sistema único. E foi exatamente isso que eles avaliaram.

VERTREP, HIFR e hangaragem
Durante a fase dinâmica da VSA, o emprego da aeronave do 1º Esquadrão de Helicópteros de Esclarecimento e Ataque (HA-1) possibilitou, além dos pousos, a condução de fainas de abastecimento no convoo, hangaragem, VERTREP, pick up e HIFR.
Traduzindo para quem não é da área: o VERTREP é a transferência de cargas entre navios via helicóptero, sem eles encostarem. O HIFR é o reabastecimento da aeronave no ar, diretamente do navio. São operações que parecem simples na teoria e exigem precisão milimétrica na prática.
Tudo isso foi validado. Tudo funcionou.
O que muda para a Marinha do Brasil com essa integração
A integração do Super Lynx com a Fragata Tamandaré, primeiro navio da nova classe de escoltas da Marinha do Brasil, fortalece a capacidade de projeção de poder naval, controle de áreas marítimas e defesa de alto mar.
Mas sabe o que é curioso? A Fragata Tamandaré foi concluída em agosto de 2024 e está em período de testes no mar, com previsão de entrega ao meio operacional no primeiro semestre de 2026. Ou seja, esse pouso histórico aconteceu enquanto o navio ainda está sendo testado, porque a Marinha não espera o navio chegar para só então começar a treinar, a integração vem junto.











