A cada 10 segundos, uma aeronave fabricada no Brasil decola em algum lugar do mundo. Mas o que poucos sabem é que uma fatia crescente dessas decolagens acontece em bases militares, de Lisboa a Seul, de Budapeste a Assunção. O KC-390 Millennium e o A-29 Super Tucano são os dois produtos que tornaram isso possível e em abril de 2026, as duas aeronaves chegam juntas à FIDAE, a maior feira aeroespacial da América Latina, para mostrar ao mundo que a indústria de defesa brasileira chegou de vez. Não é retórica patriótica, são números.

KC-390 Millennium substituto do Hercules
Pensa no C-130 Hercules, aquele avião cargueiro americano que dominou a aviação militar por décadas. O KC-390 Millennium foi projetado para substituí-lo e faz isso com margem.
Capacidade de carga e velocidade que colocam o KC-390 no topo
A aeronave transporta até 26 toneladas de carga útil e cruza o ar a 470 nós. Nenhum outro avião de transporte militar de médio porte combina esses dois números ao mesmo tempo. Só isso já seria suficiente para chamar atenção. Mas o KC-390 vai além.
Ele opera em pistas não pavimentadas e em ambientes austerosm, o que, na prática, significa que pode chegar onde os grandes cargueiros convencionais simplesmente não conseguem pousar. Em 2025, a Embraer levou a aeronave ao Ártico sueco para testes em temperatura extrema, na instalação militar Vidsel Test Range. Resultado: 100% de confiabilidade operacional.
Além de transportar tropas, lançar carga em voo, fazer evacuação aeromédica e combate a incêndios, o KC-390 pode ser configurado como reabastecedor aéreo com equipamento de instalação rápida. Ou seja, é um avião que faz o trabalho de três plataformas diferentes.
11 países já selecionaram o KC-390 Millennium
Brasil, Portugal, Hungria, Coreia do Sul, Holanda, Áustria, República Tcheca, Suécia, Uzbequistão, Eslováquia e Lituânia. São 11 forças aéreas. E a lista continua crescendo em março de 2026, a Colômbia anunciou a compra de dois KC-390 para substituir C-130H fora de operação.
Mas talvez o dado mais surpreendente seja esse: em fevereiro de 2026, a Embraer fechou um memorando de entendimento com a Northrop Grumman para desenvolver uma versão do KC-390 com boom de reabastecimento autônomo voltada para a Força Aérea dos Estados Unidos. O Brasil tentando vender avião militar para os americanos. E com parceiro americano de peso. Isso não acontecia com nenhuma aeronave brasileira antes.
A-29 Super Tucano e por que 22 forças aéreas o escolheram
O Super Tucano não é um avião novo e essa é exatamente a razão pela qual ele ainda domina o mercado.

As missões que fazem o A-29 indispensável
Ataque leve, reconhecimento armado, treinamento avançado de pilotos, patrulha de fronteira, escolta aérea, interdição aérea. E, mais recentemente, combate a drones, uma das missões que mais tem despertado interesse de novas forças aéreas ao redor do mundo.
O A-29 acumula mais de 600.000 horas de voo. Para ter uma ideia do que isso representa, voa desde 2003 em missões reais de combate e treinamento sem interromper a linha de produção por problemas estruturais sérios. Confiabilidade desse nível é rara em qualquer categoria de aeronave.
Opera em pistas de terra batida, precisa de pouca infraestrutura, tem custo de manutenção baixo e curva de treinamento acessível para pilotos de países que não têm budget para jatos de combate. É exatamente por isso que funciona tão bem em regiões como a América Latina e a África.
Por que 22 forças aéreas já compraram o A-29
Na América Latina, o Super Tucano voa nas forças aéreas do Brasil, Chile, Colômbia, Equador, República Dominicana, Paraguai, Uruguai e Panamá.
Só nessa região, oito países. E o curioso é que boa parte dessas aquisições recentes veio de nações que não tinham histórico de comprar defesa do Brasil. O Paraguai e o Panamá são exemplos concretos de que o Super Tucano está ampliando geograficamente o raio de influência da indústria brasileira e sem depender de transferência de tecnologia forçada ou financiamento político.
KC-390 e Super Tucano juntos: a estratégia que a Embraer leva à FIDAE 2026
Levar as duas aeronaves juntas para Santiago não é acaso de agenda. É comunicação estratégica. O KC-390 transporta, reabastece, evacua. O Super Tucano ataca, patrulha, treina. Juntos, eles cobrem o espectro completo de missões que uma força aérea de médio porte precisa, sem depender de plataformas europeias ou americanas de custo proibitivo.
Para países da América Latina que estão modernizando suas forças armadas com orçamento limitado, essa combinação é difícil de ignorar. E a Embraer sabe disso. A FIDAE, que acontece de 7 a 12 de abril na Base Aérea Pudahuel em Santiago, não é só vitrine, é mesa de negociação.











