Esquadrão HA-1 treina resgate com técnica Hi-Line e eleva prontidão SAR da Marinha do Brasil

Leonardo A Santos
Publicado em: 10 de abril de 2026
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O 1º Esquadrão de Helicópteros de Esclarecimento e Ataque (EsqdHA-1) realizou um exercício de busca e salvamento no Aeródromo de São Pedro da Aldeia, no Rio de Janeiro, empregando o helicóptero AH-11B Super Lynx em conjunto com a equipe TAR-SAR. O foco foi o treinamento do método Hi-Line, manobra de alta complexidade usada quando pouso é impossível e a vida humana está em risco.

O que aconteceu no exercício

Todas as etapas da manobra Hi-Line foram executadas durante o adestramento. A técnica exige coordenação fina entre a tripulação da aeronave e os especialistas da equipe TAR-SAR no solo, e qualquer falha de sincronismo pode comprometer o resgate inteiro.

O EsqdHA-1 usou o exercício para padronizar procedimentos operacionais e aprimorar o desempenho técnico das tripulações em cenários complexos, exatamente o tipo de situação em que o improviso custa vidas.

Esquadrão HA-1 treina resgate com técnica Hi-Line e eleva prontidão SAR da Marinha do Brasil

Por que o método Hi-Line é tão específico

O Hi-Line é acionado quando não há área de pouso disponível ou quando obstáculos elevados impedem o pick-up convencional. Na prática, o helicóptero permanece em pairamento enquanto cabos e a equipe TAR-SAR trabalham em coordenação para transferir a vítima sem que a aeronave toque o solo.

A técnica ganhou destaque recente na Marinha do Brasil quando foi empregada em um exercício de evacuação aeromédica com o submarino da Classe Riachuelo, o Humaitá (S41), representando um avanço nas capacidades de apoio às operações de busca e salvamento. Ou seja, não é só treino em terra, é uma capacidade real com meios reais da Esquadra.

O AH-11B Super Lynx no centro da operação

Na Marinha do Brasil, o AH-11B é empregado para integrar os sistemas de armas dos navios de superfície da Esquadra, ampliando os sensores de bordo e a capacidade de reação. Entre as missões secundárias estão evacuação aeromédica, busca e salvamento e apoio logístico móvel.

A modernização para o padrão AH-11B substituiu os motores originais Rolls-Royce Gem 42-1, de 900 hp cada, pelos LHTEC CTS800-4N, de 1.281 hp, com controle FADEC. A cabine ganhou painel totalmente digital com três displays multifunção, compatibilidade com óculos de visão noturna e novo sistema de guincho elétrico. É um salto considerável frente à versão anterior.

O Esquadrão HA-1 conta atualmente com cinco aeronaves AH-11B Super Lynx modernizadas, com a expectativa de receber mais um helicóptero no lote final de modernização.

Quem são os TAR-SAR e por que essa equipe é essencial

Os TAR-SAR são especialistas em resgate aeromédico embarcado, treinados para operar em condições extremas. Sem eles, manobras como o Hi-Line simplesmente não existem, a aeronave sozinha não consegue executar o resgate em ambiente sem pouso.

O adestramento conjunto entre tripulação e TAR-SAR não é formalidade. Cada exercício gera lições aprendidas que atualizam checklists e procedimentos operacionais. E vale lembrar: em cenários remotos, cada minuto economizado no resgate impacta diretamente a sobrevida do paciente.

Uma unidade que não para de evoluir

Em janeiro de 2025, o EsqdHA-1 celebrou a marca de 70.000 horas de voo, acumuladas em 45 anos dedicados à Defesa Nacional e à projeção do Poder Naval Brasileiro. São 70 mil horas com o mesmo DNA operacional ataque, esclarecimento e, quando a situação pede, salvamento.

O exercício com a equipe TAR-SAR é mais um passo nessa construção. Um helicóptero com capacidade de ataque que também domina resgate em cenários impossíveis é exatamente o tipo de ativo que a Marinha precisa para guardar a Amazônia Azul, os 5,7 milhões de km² de mar sob jurisdição brasileira, onde emergências não avisam hora.

Leonardo A Santos

Leonardo A Santos

Apaixonado por aviação e compartilho notícias e curiosidades sobre defesa, estratégia militar e tecnologia aeronáutica.