A Sikorsky anunciou dois novos kits armados para o helicóptero Black Hawk. O lançamento aconteceu no Army Aviation Warfighting Summit, em Nashville, Tennessee. Os kits permitem que um único UH-60 passe de helicóptero de transporte para plataforma de combate em aproximadamente três horas, sem modificações estruturais permanentes na célula.
A Sikorsky lança esses kits num momento de pressão competitiva real. Em 2022, a empresa perdeu o contrato FLRAA, o programa que vai substituir parte da frota de Black Hawks no Exército americano para o Bell V-280 Valor. O MV-75, como o tiltrotor foi rebatizado, deve assumir gradualmente as missões de assalto de longo alcance. Os novos kits são, em parte, uma resposta a esse cenário.

Dois kits, perfis distintos
A Sikorsky lança dois pacotes prontos para produção. O primeiro é voltado para apoio aéreo aproximado. O segundo, para ataque de precisão. Ambos usam estruturas de asa externas modulares que recebem metralhadoras, foguetes não guiados e mísseis ar-superfície.
Os kits não são novidade absoluta. Os Emirados Árabes encomendaram pacotes BattleHawk em 2011, e a Sikorsky já testou configurações com canhão de 20 mm em torre. O que muda agora é a oferta comercial estruturada: dois kits prontos, com canal de venda definido e instalação em linha de produção.
Como a reconfiguração funciona
A Sikorsky afirma que o processo de reconfiguração leva cerca de três horas, permitindo que unidades troquem de função com tempo de inatividade reduzido. Os kits são instalados sem alterações estruturais permanentes, o que mantém a certificação de aeronavegabilidade da aeronave base.
O sistema passou por testes de tiro ao vivo e foi qualificado de acordo com os padrões de aeronavegabilidade militares dos EUA. A configuração já está em operação nos Emirados Árabes.
Aquisição: FMS e venda direta
Os kits estão disponíveis tanto por meio do programa de venda militar americana (FMS) quanto por venda comercial direta (DCS). A integração pode ser feita nos EUA ou pela PZL Mielec, na Polônia, fábrica da Lockheed Martin responsável pela produção de Black Hawks na Europa.
O motor base permanece o GE T701D, com desempenho melhorado em caso de falha de um motor, dado relevante para operações em zonas de combate de alta ameaça.
A Sikorsky enfrenta a perspectiva de substituição gradual do Black Hawk no serviço do Exército americano. A empresa não venceu a competição FLRAA, cujo contrato foi para o V-280 Valor, da Bell, um tiltrotor que deve assumir parte das missões do Black Hawk nos próximos anos.

Os kits armados, portanto, têm dois objetivos simultâneos: ampliar as capacidades da plataforma para operadores internacionais e aumentar o apelo da aeronave em mercados onde o V-280 ainda não chega e talvez nunca chegue.
O Exército americano assinou, em paralelo, um contrato de US$ 65 milhões com a Sikorsky para a produção de dez UH-60M Black Hawks adicionais, com entregas previstas até o fim de 2026. Sinal de que a plataforma segue ativa mesmo com a transição em andamento.
O Black Hawk opera desde 1979. Com kits modulares, motores atualizados e um sistema de autonomia em testes, a aeronave tem operação projetada além de 2070. Para forças armadas que já operam o modelo e querem capacidade de combate sem adquirir uma nova frota, os kits são a rota mais direta e agora, finalmente, comercialmente estruturada.











