A sigla BBG(X), não é só um nome bonito. “BB” significa battleship (couraçado), “G” indica mísseis guiados de médio e longo alcance e “X” sinaliza que o projeto ainda não foi finalizado.
É o maior navio de guerra de superfície planejado pelos EUA desde a Segunda Guerra Mundial e ele tem nome: USS Defiant (BBG-1).

Resumidamente:
- A Marinha dos EUA alocou US$ 17,47 bilhões no orçamento do ano fiscal de 2027 para construir o primeiro BBG(X), o USS Defiant, com contrato previsto para abril de 2028.
- O navio terá 128 células VLS, 12 mísseis hipersônicos, railgun eletromagnético e lasers de alta potência, mais poder de fogo que qualquer destroier ou cruzador americano.
- Analistas do CSIS alertam que o programa tem alto risco de cancelamento antes de o aço ser cortado.
US$ 17 bilhões por um único navio
O custo estimado do primeiro navio supera US$ 17 bilhões, segundo os documentos orçamentários da Marinha divulgados em abril de 2026. O plano inclui US$ 1 bilhão em financiamento antecipado solicitado para o ano fiscal de 2027 e US$ 16,47 bilhões em recursos de aquisição no ano fiscal de 2028, quando a compra está programada.
Para ter dimensão: o custo de aquisição do porta-aviões CVN-81, comprado em 2019, está estimado em cerca de US$ 15,2 bilhões. O BBG(X) já ultrapassa essa cifra.
Ao longo do período de cinco anos de planejamento orçamentário, a Marinha pretende gastar US$ 43,5 bilhões em recursos de aquisição no programa. O segundo navio está previsto para o ano fiscal de 2030 (US$ 13 bilhões) e o terceiro para 2031 (US$ 11,5 bilhões).
O armamento que nenhum destroier tem
O BBG(X) foi desenhado para preencher um vácuo real. O navio deverá carregar 128 células VLS Mk-41, distribuídas em três blocos, mais 12 rodadas de mísseis hipersônicos Conventional Prompt Strike (CPS), dois lasers de 300 kW ou 600 kW e um railgun eletromagnético de 32 megajoules.
Para comparar: os destroiers Arleigh Burke atuais carregam 96 células de lançamento vertical, e os cruzadores Ticonderoga operam com 122. O BBG(X) superaria os dois em poder de fogo concentrado.
A General Atomics já está negociando com a Marinha o fornecimento de sistemas de railgun, lasers de defesa antidrones e comunicações ópticas de alta largura de banda para o navio.
O vazio que os cruzadores deixaram
Quem acompanha a Marinha americana há anos sabe que a aposentadoria dos cruzadores Ticonderoga foi um erro que ainda dói. Eram as únicas plataformas com AEGIS completo, comando de área e mísseis de cruzeiro num único casco. Quando o último foi desativado, a Marinha perdeu o elo entre o destroier tático e o porta-aviões estratégico. O BBG(X) é, na essência, a tentativa de recriar esse papel, mas em uma escala muito mais ambiciosa e, consequentemente, muito mais arriscada.
O BBG(X) foi concebido para assumir as funções de comando e controle que os cruzadores Ticonderoga exerciam na frota. Com a aposentadoria dessa classe, os destroiers Arleigh Burke ficaram como o único grande navio de superfície americano.

Cronograma oficial
O contrato para o USS Defiant está previsto para abril de 2028, com início da construção em agosto do mesmo ano. A entrega à Marinha está projetada para agosto de 2036. O segundo e o terceiro navios seriam entregues em agosto de 2038 e agosto de 2039, respectivamente.
A propulsão convencional, combinando geradores diesel e turbinas a gás, é o plano atual. A possibilidade de propulsão nuclear foi discutida, mas o Secretário da Marinha John Phelan a classificou como “improvável”.
Os críticos não estão calados
Analistas do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) argumentam que o programa tem altíssimo risco. Quando o custo e o cronograma reais se tornarem conhecidos, o programa muito provavelmente será cancelado, mas possivelmente depois de gastar vários bilhões de dólares e vários anos.
A classificação do navio como “battleship” também é contestada: especialistas apontam que o BBG(X) não terá a blindagem pesada nem os canhões de grande calibre historicamente associados a couraçados, sendo mais próximo de um cruzador de mísseis guiados, similar ao Kirov russo.
O Secretário da Marinha respondeu às críticas diretamente: “Já ouvi que é vulnerável, caro demais, grande demais. Já disseram o mesmo dos porta-aviões e dos submarinos. E são eles que os comandantes pedem primeiro quando a situação aperta.”
“Frota Dourada”: ambição ou ficção?
Em dezembro de 2025, o presidente Trump anunciou o programa e afirmou que seriam construídos inicialmente dois navios, com planos de longo prazo para uma frota de 20 a 25 unidades como parte da chamada “Golden Fleet”.
O navio deslocará aproximadamente 35.000 toneladas, cerca de três vezes o peso dos destroiers Arleigh Burke da variante Flight III. Construí-lo exigirá estaleiros com capacidade comparável à da construção de porta-aviões.
A questão real não é se o navio é impressionante no papel. É se o Congresso vai bancar até o fim.











