Brasil entra para grupo seleto da aviação militar na era dos caças supersônicos com o primeiro F-39E Gripen nacional

Leonardo A Santos
Publicado em: 20 de março de 2026
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Primeiro F-39E Gripen fabricado no Brasil durante cerimônia de rollout em Gavião Peixoto

O caça supersônico brasileiro sai da linha da Embraer em Gavião Peixoto e coloca o Brasil como único fabricante do Gripen fora da Suécia

No próximo dia 25 de março, a Embraer apresenta oficialmente o primeiro F-39E Gripen fabricado em solo brasileiro. A cerimônia acontece na unidade de Gavião Peixoto, interior de São Paulo, e reúne autoridades militares, civis e representantes da indústria de defesa. É o marco mais concreto do programa FX-2, que já dura mais de uma década e custou bilhões ao país. O Brasil se torna, a partir de agora, o único país fora da Suécia a produzir o caça.

Primeiro F-39E Gripen fabricado no Brasil durante cerimônia de rollout em Gavião Peixoto

O que o rollout do primeiro F-39E Gripen significa

Não é só uma aeronave saindo do hangar, o rollout representa anos de capacitação de engenheiros brasileiros na Suécia, domínio de etapas críticas de produção e integração de sistemas embarcados e armamentos. A Saab conduziu essa transferência de tecnologia com a Embraer e o resultado agora é visível.

Das 36 aeronaves adquiridas pelo Brasil, 15 serão produzidas em Gavião Peixoto. Isso posiciona o país num grupo bem restrito de nações que conseguem fabricar caças supersônicos. Aliás, vale lembrar que até pouco tempo atrás o Brasil operava F-5 Tiger, um projeto dos anos 1960, o salto geracional é enorme.

Capacidades do caça supersônico brasileiro

O F-39E Gripen é um caça multifunção de última geração. Algumas das suas capacidades mais relevantes:

  • Missões de superioridade aérea, ataque ao solo e reconhecimento, tudo numa mesma plataforma, o que reduz a necessidade de frotas especializadas
  • Míssil Meteor de longo alcance, considerado um dos mais letais da categoria ar-ar atualmente em operação no mundo
  • Capacidade de guerra em rede, permitindo troca de dados em tempo real com outras aeronaves e centros de comando
  • Sensores avançados que garantem consciência situacional ampla mesmo em cenários de ameaça complexa

O F-39E Gripen já participa de exercícios e missões de alerta dentro da FAB. Mas a chegada dos exemplares fabricados no Brasil vai acelerar esse processo, porque garante maior autonomia logística. Sem depender exclusivamente da Suécia para manutenção e reposição, a sustentação da frota fica muito mais viável no longo prazo.

Linha de produção do F-39E Gripen na unidade da Embraer em Gavião Peixoto SP

O impacto para a indústria de defesa brasileira

O ponto que muita gente ignora é o efeito cascata, a linha de produção em Gavião Peixoto não serve só para montar o Gripen. Ela cria uma base industrial capaz de absorver e desenvolver tecnologias críticas que podem ser usadas em outros programas. Isso abre portas para futuras exportações e até para participação brasileira em projetos aeronáuticos internacionais mais ambiciosos.

O Brasil não está só montando peças, engenheiros nacionais dominam sistemas embarcados e integração de armamentos. É um nível de conhecimento que poucos países fora da Europa e dos EUA possuem.

Nova era para a Força Aérea Brasileira

A FAB opera hoje num patamar que seria impensável há 15 anos. O primeiro F-39E Gripen fabricado no Brasil não é só uma entrega simbólica. É a prova de que o investimento no programa FX-2 deu resultado.

O país agora produz, opera e pode evoluir um caça supersônico de quarta geração avançada. Com o cenário geopolítico global cada vez mais tenso, ter essa capacidade instalada dentro de casa faz toda a diferença.

Leonardo A Santos

Leonardo A Santos

Apaixonado por aviação e compartilho notícias e curiosidades sobre defesa, estratégia militar e tecnologia aeronáutica.