Marco histórico coloca país como único da América Latina com linha de montagem de caças, mas revela dependência de componentes dos EUA
O primeiro caça F-39E Gripen produzido em solo brasileiro foi apresentado em Gavião Peixoto (SP), com presença de autoridades militares. O Brasil entra na seleta lista de nações que produzem caças supersônicos, tornando-se o único país da América Latina com essa capacidade. Mas os dados oficiais revelam uma realidade mais complexa.

Produção nacional limitada
Do total de 36 aeronaves encomendadas junto à Saab por cerca de US$ 4 bilhões (R$ 21,25 bilhões), apenas 15 terão a montagem realizada no Brasil. As instalações da Embraer em Gavião Peixoto produzem os caças Gripen E utilizando uma cadeia de suprimentos brasileira e internacional, incluindo aerostruturas fabricadas na unidade da Saab em São Bernardo do Campo.
Algo em torno de 30% das peças são produzidas nos EUA, segundo especialistas. A Embraer realiza a montagem final, mas componentes críticos ainda vêm de fora. Part dos componentes estruturais da aeronave, como a fuselagem dianteira e traseira, cone de cauda e freios aerodinâmicos são produzidos pela Saab Aeroestruturas em São Bernardo do Campo (SP).

Capacidades do Gripen
O caça de última geração atinge 2.500 km/h, duas vezes a velocidade do som. A autonomia é de até duas horas e meia de voo, permitindo ir da capital paulista até Boa Vista (RR) em cerca de 1h40. O F-39E tem autonomia de voo de 3.250 km e pode operar em altitudes superiores a 16.000 metros.
O Míssil Meteor, da MBDA System, de origem europeia, é um dos mais letais do mundo, sendo operado desde meados de 2016 com sistema de propulsão por estatofoguete. Desde fevereiro deste ano, o Gripen está a serviço do Alerta de Defesa Aérea, a partir da Base Aérea de Anápolis, para garantir a proteção do espaço aéreo sobre o distrito federal.
Impacto econômico
O Programa Gripen no Brasil gera cerca de 13 mil empregos no país, sendo aproximadamente 2.200 empregos diretos e 10.800 indiretos. Os empregos diretos concentram-se principalmente nas atividades de desenvolvimento e produção da aeronave, realizadas por engenheiros e especialistas das empresas parceiras, como Embraer, AEL Sistemas, Akaer, Atech e Saab.
A produção do caça no Brasil é resultado de mais de um milhão de horas entre desenvolvimento, produção, ensaios e suporte, além de 600 mil horas de treinamento. Cortes orçamentários no Brasil e atrasos no programa da Suécia atrasaram as entregas de todos os 36 caças em vários anos.

Já o cronograma começou em 2014 com o contrato, mas a Embraer inaugurou a linha de montagem do F-39 em Gavião Peixoto quase três anos atrás, mas completar a primeira aeronave foi lento. As entregas começaram em 2020, e 10 aeronaves já foram entregues até o momento.
Por outro lado, a instalação de montagem dá à Saab uma opção regional para pedidos adicionais do F-39. O Brasil pode exportar o modelo para outros países da região, mas ainda depende de componentes estrangeiros para isso acontecer.











